Primeira Edição do “Terra Nossa” lançada pela Embaixada da França e Biofund

A Embaixada da França em Moçambique e a BIOFUND co-organizaram, no Centro Cultural Franco Moçambicano, entre o passado dia 21 e 24 de Setembro de 2019, a primeira edição do evento Terra Nossa, em torno do lema “Olhares cruzados entre o ser humano e o oceano”.

Como podemos pensar juntos sobre o futuro do nosso planeta Terra e como conciliar as actividades humanas e a natureza para construir um mundo mais sustentável  – foram as questões que nortearam as actividades e a procura de respostas com o objectivo de reforçar o debate e reflexão sobre a acção das mudanças climáticas e as questões ambientais em Moçambique.

A primeira edição, inicou com uma jornada de limpeza de praia, coordenada pela AMOJOF, no dia 21 de Setembro, seguindo-se-lhe uma a exposição de painéis e fotografias sobre a Biodiversidade Ameaçada em Moçambique, que perdurou até ao dia 30, inaugurada por Sua excelência embaixador da França, David Izzo e pelo director executivo da BIOFUND, Luis Bernardo Honwana.

Um dos pontos centrais do evento foi a projecção do documentário Mother Ocean, produzido pela Associação Bitonga Divers e posterior realização da mesa redonda sobre “Como conciliar atividades econômicas e humanas e  a preservação da biodiversidade marinha em Moçambique”, sob moderação de Sean Nazerali, director de financiamentos inovadores da BIOFUND. O debate contou com a participação de Anabela Rodrigues, directora da WWF e vice-presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Miguel Gonçalves, administrador da Reserva Especial de Maputo, Felisberto Manuel, director do Pescamar e António Sacramento, membro do Bitonga Divers /Ocean Revolution.

Segundo Anabela Rodrigues, de acordo com um estudo realizado em 2010, foram estimados que existem cerca 4,8 a 12 milhões de toneladas de plástico no mar a nível mundial e constatou-se que cerca de 35% das tartarugas, 90% de 186 espécies das aves marinhas, 17% de certas espécies de tubarão,  18% do atum e peixe espada ingerem micro-plásticos.

A mesa redonda contou com quase uma centena de participantes, entre representantes de instituições governamentais, organizações não-governamentais, sociedade civil, professores e estudantes das escolas Francisco Manyanga, Francesa e Portuguesa.

O público presente apontou como medida de mitigação para estes desafios, a intervenção das escolas na mobilização e apoio na redução do uso do plástico. Sugerindo a criação de movimentos entre escolas para a criação de uma cultura de conservação e educação sobre os recursos do País;

Outro problema levantado foi a questão da pesca ilegal, em persistem casos significativos de pesca ilegal e com impacto notável. Anabela Rodrigues ressalvou que as comunidades locais em muitos casos valorizam as zonas de veda mesmo em momentos extremos, como aconteceu no caso dos ciclones, encontrando formas alternativas de subsistência. Miguel Goncalves, sobre este tema, chamou atenção ao facto dos pescadores artesanais não serem os únicos actores e que é preciso também analisar o impacto dos pescadores industriais sobre a dinâmica dos recursos.

Por seu turno, alguns dos membros da audiencia questionaram o representante da Pescamar (um dos maiores grupos de pesca à nível mundial), presente em Moçambique, sobre as razões que limitam o uso do TED (dispositivo de exclusão de tartarugas) para minimizar a captura das tartarugas marinhas e não só.

Felisberto Manuel, defendeu que a aprovação da legislação sobre o TED em Mocambique foi feita sem a realização de determinados estudos prévios e que alguns dados indicam que a responsabilidade sobre a captura das tartarugas está relacionada com a pesca de arrasto.  Afirmou que a instituição que representa já experimentou o uso desta tecnologia e não teve sucesso. Segundo ele, a Pescamar opera essencialmente no banco de Sofala, uma área que considera não haver riscos significativos de afectar espécies protegidas, um posicionamento parcialmente, rebatido pelo Administrador da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro e pela Directora da WWF. Mas destaca que, de uma forma geral, o pais precisa fazer mais pela proteção do ambiente e que ao nível da Pescamar existe a preocupação de investir em barcos que provoquem menor impacto sobre o ecossistema.

Para além da sessão de debate, o evento contemplou projecções de filmes com conteúdo ambiental, jogos educativos e visitas guiadas aos painéis expostos sobre biodiversidade. O certame contou com a participação de mais de 3 centenas de pessoas.

A Embaixada de França tem a ambição de organizar regularmente este tipo de eventos sobre o meio-ambiente na perspectiva de sensibilização sobre a importância da protecção do meio ambiente para um desenvolvimento económico sustentável de Moçambique.

Por seu turno, a BIOFUND tem como terceiro pilar estratégico a promoção e consolidação de um ambiente favorável à conservação em Moçambique. E neste contexto, esta Fundação tem vindo a promover acções diversas de sensibilização para a sociedade civil sobre a importância da biodiversidade, bem como, promover e facilitar discussões e partilha de informação sobre a biodiversidade.