Financiada pelo Governo do Reino Unido, através do Programa de Conservação Comunitária e Investimento (CCIP), a 9.ª edição do Programa de Estágios Pré-Profissionais do PLCM proporciona seis meses de experiência profissional a mais de 30 jovens de oito províncias do país, distribuídos por mais de 20 centros de estágio.
Publicado em 03/11/2026
31 jovens integram a 9.ª edição do Programa de Estágios Pré-Profissionais do PLCM: Uma nova geração prepara-se para fazer a diferença na conservação da biodiversidade
A transição da formação académica para o mundo profissional representa um desafio para muitos jovens. No sector da conservação, esta passagem é também uma oportunidade para formar profissionais capazes de contribuir para a protecção da biodiversidade. É neste contexto que o Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), uma iniciativa da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), promove a sua 9.ª edição do Programa de Estágios Pré-Profissionais, que integra 31 jovens seleccionados entre mais de 3 mil candidatos.
A sessão de indução dos estagiários teve início hoje, 3 de Novembro de 2026, no Parque Nacional de Maputo, e prolonga-se até ao dia 6 de Novembro. Durante estes quatro dias, os participantes beneficiam de apresentações inspiradoras sobre liderança na conservação, ética e conduta profissional e desenvolvimento de carreira, preparando-se para os seis meses de experiência nas respectivas instituições de acolhimento.
A iniciativa conta com o financiamento do Governo do Reino Unido, no âmbito do Programa de Conservação Comunitária e Investimento (CCIP), e envolve instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros privados. A sessão de abertura contou com representantes do Alto Comissariado Britânico, da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), do Instituto Nacional do Emprego (INEP), do Parque Nacional de Limpopo, do Parque Nacional de Maputo (PNAM) e da BIOFUND.
Jovens de diferentes áreas e províncias unidos pela conservação
Os 31 seleccionados, dos quais 20 homens e 11 mulheres, são provenientes de oito províncias: Maputo, Inhambane, Zambézia, Nampula, Manica, Niassa, Sofala e Tete. O grupo reúne diferentes áreas de formação, incluindo Engenharia Florestal, Biologia, Ecologia, Gestão da Biodiversidade, Medicina Veterinária, Turismo, Agricultura, Administração e Gestão, Contabilidade, Direito, Jornalismo, Comunicação, Informática, Arquitectura e Enfermagem, entre outras.
Esta diversidade de competências permitirá aos estagiários conhecer diferentes dimensões do trabalho de conservação e contribuir para as actividades das instituições que os irão acolher.
As colocações abrangem 21 centros de estágio, entre os quais os Parques Nacionais de Banhine, Chimanimani, Limpopo, Mágoè, Maputo e Zinave, a Reserva Nacional de Marromeu e a Área de Protecção Ambiental de Maputo. Integram igualmente esta rede de acolhimento organizações parceiras como a WWF Moçambique, a Portucel Moçambique, a Zambeze Delta Safaris, a LevasFlor Lda., a Associação Tagumanicanave e a Associação Comunitária Conserva Mabu.
Na cidade de Maputo, os estagiários serão também acolhidos por instituições públicas e organizações que intervêm em áreas complementares à conservação, nomeadamente a BIOFUND, a ANAC, a ADRA Moçambique, a Agência Nacional de Desenvolvimento Geo-Espacial, a Associação Moçambicana de Reciclagem, a WWF Moçambique e o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através da Direcção Nacional de Ambiente e Mudanças Climáticas.
Uma oportunidade que exige compromisso e vontade de aprender
Na sessão de abertura, os representantes das instituições parceiras destacaram o significado desta oportunidade e a importância do empenho dos jovens durante o percurso que agora iniciam.
Em representação da ANAC, Nilton Iombaiomba felicitou os seleccionados e chamou a atenção para a responsabilidade de integrar o programa:
“Parabéns a cada um de vós por ter chegado até aqui. Foram seleccionados num universo de cerca de 3 mil candidatos. Esperamos disciplina, humildade para aprender e postura de conservação. O estágio é o primeiro passo para um bom início de carreira.”
Leone Tarabusi, representante do Governo do Reino Unido, transmitiu as felicitações em nome do Alto Comissariado Britânico e destacou o apoio ao PLCM, através do CCIP, particularmente na componente de desenvolvimento de capacidades. Na sua intervenção, sublinhou a importância de criar oportunidades para que os jovens participem activamente nas iniciativas de desenvolvimento e encorajou os estagiários a aproveitarem esta experiência.
Por sua vez, Alexandra Jorge, Directora de Programas da BIOFUND, destacou o papel do estágio na aproximação dos jovens ao sector da conservação:
“Mais do que proporcionar uma experiência profissional, queremos que este programa seja uma porta de entrada para o sector da conservação, uma oportunidade para descobrirem o vosso potencial e perceberem como podem contribuir para a protecção da biodiversidade em Moçambique.”
O que esperam os jovens desta experiência?
A participação dos estagiários é também uma dimensão fundamental desta iniciativa. Ao longo dos seis meses, espera-se que possam consolidar conhecimentos, desenvolver novas competências e identificar formas de colocar a sua formação ao serviço da conservação.
“Vejo este estágio como uma oportunidade de transformar os conhecimentos adquiridos durante a minha formação em experiência prática. A minha expectativa é criar mudanças na Área de Conservação Comunitária do Monte Mabu e aprender com as comunidades.” Disse Amado Armando, formado em engenharia florestal e alocado ao Monte Mabu.
Por outro lado, Fimina Victor, formada em Direiro e alocada no Parque Nacional de Limpopo, encontrou no PLCM uma oportunidade para tornar-se líder em conservação.
“Ser seleccionada entre mais de três mil candidatos é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. Quero aproveitar estes seis meses para aprender, enfrentar novos desafios e contribuir para a conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário com a minha área de formação. A minha expectativa é tornar-me uma líder de conservação”.
Para Francisco Assane, formado em enfermagem, e alocado no Parque Nacional de Mágoè, o estágio representa uma oportunidade para contribuir para a melhoria do sistema de saúde nas Áreas de Conservação.
“A conservação precisa de profissionais de diferentes áreas. Esta oportunidade permite-nos perceber que todos podemos ter um papel neste sector. Espero adquirir novas competências, partilhar ideias e deixar um contributo positivo na instituição que me vai acolher.”
PLCM: uma aposta na geração de líderes da conservação
Criado em 2019, o Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique é uma iniciativa da BIOFUND, implementada em parceria com a ANAC e o INEP. A sua actuação assenta em três pilares: (1) o desenvolvimento de capacidades e a formação de recursos humanos para o Sistema Nacional das Áreas de Conservação; (2) a atracção e preparação de jovens talentos de diferentes áreas de formação; e (3) a promoção da cidadania ambiental.
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Para concretizar estes objectivos, o PLCM promove diferentes modalidades de apoio, incluindo estágios pré-profissionais, bolsas de estudo, apoio à investigação e formação especializada. Através destas acções, contribui para fortalecer as capacidades nacionais e preparar profissionais que possam assumir um papel activo na conservação da biodiversidade em Moçambique.
