A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) realizou um encontro de reflexão estratégica dedicado aos “Desafios 2026”, reunindo intervenções de membros do Conselho de Administração, equipa da instituição e participantes do sector, para discutir caminhos de reforço do impacto da conservação em Moçambique. A sessão centrou-se na actualização de abordagens – incluindo financiamento sustentável, advocacia baseada em evidência e colaboração – num contexto em que vários processos nacionais e globais influenciam o sector.
Publicado em 20/02/2026
BIOFUND promove reflexão estratégica sobre abordagens para 2026, reforçando alinhamento institucional, evidência e novos caminhos de financiamento
Um dos pontos mais sublinhados foi a necessidade de advocacia sustentada em conhecimento e dados. Durante o encontro, o Professor Narciso Matos destacou: “A boa advocacia só funciona se for baseada em evidência científica”, defendendo investimento consistente em informação, análise e capacidade técnica para sustentar posicionamentos públicos e decisões estratégicas.
O encontro evidenciou igualmente a dimensão institucional do trabalho da BIOFUND, incluindo a articulação com o Estado e a resposta a prioridades do País no domínio da conservação. O Director Executivo, Luís Honwana, referiu: “Nós procuramos estar alinhados com o governo, procuramos responder aquilo que nós sabemos ser o problema da conservação do nosso país.” A Directora de Programas, Alexandra Jorge acrescentou que “as expectativas do governo, especialmente, que é com quem nós trabalhamos mais diretamente, são muito altas em relação a nós”, enquadrando este alinhamento como parte do papel da BIOFUND na mobilização e alocação de recursos para a conservação da biodiversidade, em coordenação com instituições públicas e parceiros.
No domínio da sustentabilidade financeira, foi retomada a centralidade do Fundo de Capital (endowment) e a importância de diversificar as formas de mobilização de recursos. Madyo Couto (membro do Conselho de Administração) recordou: “Temos o objectivo de chegar a 100 milhões de endowment fund até 2027.” Em paralelo, foram partilhadas medidas em curso para reforçar uma captação de fundos mais activa: “já estamos a implementar as medidas de uma nova estratégia de fundraising, mais proativa, menos reativa, menos de esperar até as doadoras aparecerem com programas e mais de buscá-las, mais de abordá-las.” (Sean Nazerali – Director de Financiamentos Inovadores). Também foi defendida a exploração de soluções no contexto nacional: “Agora impõe-se uma necessidade de fazer uma divulgação nacional, que é olhar mais para o meio doméstico e a partir dele buscar soluções que possam promover a capacidade de autofinanciamento e iniciativas nacionais ditas aqui, de financiamentos inovativos.” (Afonso Madope – membro do Conselho Fiscal).
A dimensão comunitária surgiu como elemento incontornável da conversa. Adamo Valy (vice Presidente do Conselho de Administração) reforçou: “Quem está no terreno sabe que não se faz conservação sem comunidades.”, sublinhando que resultados duradouros dependem de modelos que integrem pessoas, benefícios e governança local, de forma consistente.
A sessão concluiu com o reconhecimento de que este foi um primeiro momento de discussão e com o apelo à sistematização dos contributos e à realização de novos momentos de trabalho para aprofundar prioridades e caminhos operacionais para 2026.
