A Conferência da Economia de Vida Selvagem, realizada nos dias 08 e 09 de Abril, na cidade de Maputo, afirmou‑se como um importante marco de convergência entre conservação da biodiversidade, desenvolvimento económico e responsabilidade colectiva.
Publicado em 10/04/2026
Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas assume compromissos para o desenvolvimento da Economia de Vida Selvagem
Sob o lema “Pelo desenvolvimento de uma economia sustentável da vida selvagem em Moçambique”, o evento foi organizado pela Associação Moçambicana de Operadores de Safari (AMOS), em coordenação com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), com financiamento do Millennium Challenge Corporation (MCC), através do programa CLCR.
A conferência contou com cerca de 170 participantes, entre representantes de coutadas, operadores de safari, academia, ANAC, BIOFUND, comunidades locais de diferentes províncias do país e organizações da sociedade civil, proporcionando um espaço inclusivo de diálogo e partilha de experiências.
Durante o primeiro dia do evento, os debates centraram‑se na valorização do capital natural, na partilha justa dos benefícios com as comunidades locais, na tomada de decisão baseada em dados, no acesso ao financiamento e na importância de um quadro legal sólido e funcional para impulsionar a economia de vida selvagem em Moçambique.
Foram igualmente partilhadas experiências da região da África Austral, com destaque para Namíbia, Zimbabwe e África do Sul, assim como boas práticas das coutadas nacionais. Estas intervenções evidenciaram diferentes modelos de economia de vida selvagem, os seus desafios e abordagens para a gestão do conflito Homem–Fauna Bravia.
Outro ponto de destaque foi a necessidade de mecanismos de financiamento sustentáveis que permitam o crescimento e a consolidação da economia de vida selvagem como um sector estratégico para o país.
No encerramento da conferência, foi apresentada a Declaração sobre Economia de Vida Selvagem em Moçambique, na qual os participantes reafirmaram o compromisso de reconhecer a economia de vida selvagem como componente essencial do capital natural do país, defendendo a sua integração nas políticas públicas nacionais e nos instrumentos de ordenamento territorial, como força motriz para a conservação, a prosperidade económica e o bem‑estar das comunidades, salvaguardando as gerações presentes e futuras.
Ao intervir no encerramento do evento, Sua Excelência Roberto Mito Albino, Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, reafirmou o comprometimento do Governo com a implementação da declaração, assegurando que “o Ministério fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir a parte que lhe compete nesta declaração, contando com o apoio e o engajamento de todos os intervenientes”.
Reforçando esta posição, o Ministro sublinhou ainda que:
“Reafirmamos o nosso compromisso pleno com a economia da vida selvagem, assegurando a o fortalecimento de políticas de conservação, a criação de um ambiente favorável ao investimento e a valorização do papel do sector privado e das comunidades, para que este sector contribua de forma efectiva para o desenvolvimento sustentável do país.”
A Conferência da Economia de Vida Selvagem encerrou com a convicção de que Moçambique reúne condições únicas para posicionar a vida selvagem como um pilar estratégico do desenvolvimento sustentável, conciliando conservação da biodiversidade, crescimento económico e benefícios concretos para as comunidades locais. O compromisso assumido pelo Governo, aliado à colaboração entre o sector público, privado, comunidades, academia e sociedade civil, reforça a visão de uma economia de vida selvagem robusta, inclusiva e orientada para o futuro, capaz de contribuir de forma duradoura para a prosperidade do país.
