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Publicado em 17/06/2026


4ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha reforça alianças para a conservação e impulsiona compromissos para o futuro dos oceanos em Moçambique

A cidade de Maputo acolheu, nos dias 11 e 12 de Junho de 2026, a 4.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM), integrada na 3.ª Conferência Crescendo Azul. O evento decorreu no Hotel Glória e reuniu mais de 762 participantes presenciais e mais de 2350 participantes online entre representantes do Governo, investigadores, organizações da sociedade civil, academia, sector privado, comunidades costeiras e parceiros de desenvolvimento para debater soluções que conciliem a conservação da biodiversidade marinha com o desenvolvimento sustentável da Economia Azul em Moçambique.

Ao longo de dois dias, os debates convergiram numa mensagem central: não existe economia azul sustentável sem biodiversidade marinha saudável. Na abertura, Carlos dos Santos, PCA da BIOFUND, sublinhou que “a conservação dos recursos marinhos não é apenas uma responsabilidade ambiental. É uma responsabilidade económica, social e moral”, acrescentando que “o futuro azul de Moçambique dependerá da nossa capacidade colectiva de transformar conhecimento em acção, ciência em políticas públicas e conservação em oportunidades de desenvolvimento sustentável”.

Na mesma ocasião, Roberto Mito Albino, Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, destacou a relevância própria da Conferência da Biodiversidade Marinha ao afirmar que

A Conferência da Biodiversidade Marinha traz para este debate a base essencial que sustenta qualquer visão de desenvolvimento azul: os ecossistemas, as espécies, os habitats, as áreas de conservação marinhas, o conhecimento científico, as comunidades costeiras e a educação ambiental.

Os participantes destacaram a necessidade de reforçar a cooperação entre instituições, investir na produção e utilização de conhecimento científico, fortalecer a participação das comunidades locais e mobilizar mecanismos inovadores de financiamento para garantir a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros do país.

Entre os principais marcos do evento destacaram-se a assinatura do Memorando de Entendimento entre a BIOFUND e o PROAZUL, orientado para o desenvolvimento de mecanismos financeiros sustentáveis, incluindo a mobilização de recursos para iniciativas de conservação da biodiversidade marinha e costeira, e  a assinatura da Declaração de Compromisso para a implementação do Quadro Nacional das Outras Medidas Efectivas de Conservação Baseadas em Áreas (OMECs), reforçando o alinhamento de Moçambique com a Meta Global 30×30.

Esta Declaração foi subscrita por diversos intervenientes, incluindo instituições governamentais, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e entidades de investigação, que assumem um papel complementar na identificação, reconhecimento e implementação das OMECs no país. O compromisso conjunto visa consolidar uma abordagem integrada de conservação da biodiversidade, assegurando que áreas geridas por diferentes actores e sectores contribuam de forma efectiva para as metas nacionais e globais de conservação.

Fizeram parte da conferência 44 apresentações orais, 38 posters científicos e sessões paralelas sobre gestão de áreas marinhas protegidas, conservação da megafauna marinha, biodiversidade, mudanças climáticas, ecossistemas marinhos e restauração, soluções baseadas na natureza, governação comunitária, pescas sustentáveis, aquacultura e conservação dos habitats costeiros. As sessões reforçaram a importância de aproximar a investigação da tomada de decisão e de transformar dados científicos em políticas, programas e acções concretas no terreno.

Um dos pontos fortes da conferência foi a valorização das comunidades costeiras, com destaque para os debates sobre conservação com valor, incentivos, governação comunitária e mulheres guardiãs dos oceanos. Estes espaços reforçaram que a conservação só será duradoura se gerar benefícios concretos para quem vive diariamente dos recursos marinhos e participa directamente na sua gestão. A partir da sua participação no evento paralelo Mulheres Guardiãs dos Oceanos, realizado no âmbito da Conferência da Biodiversidade Marinha, Madalena Duarte, participante e oradora, resumiu a dimensão educativa desta discussão ao afirmar que “Educar para o oceano é também formar cidadãos mais conscientes, comprometidos e preparados para enfrentar os desafios ambientais do presente e do futuro.

Ao longo das diferentes sessões, emergiu uma mensagem comum: a conservação da biodiversidade marinha não pode ser alcançada de forma isolada. O sucesso dependerá da capacidade de fortalecer parcerias, garantir financiamento a longo prazo, aproximar a ciência da tomada de decisão e criar benefícios concretos para as comunidades que dependem dos recursos marinhos para a sua subsistência.

A conferência foi complementada por uma exposição sobre ecossistemas marinhos e conservação da biodiversidade, disponível no Museus do Mar até ao dia 17 de Junho e aberta ao público. A iniciativa proporciona uma oportunidade para conhecer a riqueza da biodiversidade marinha de Moçambique, sensibilizar para a importância da sua conservação e aproximar diferentes públicos dos temas debatidos durante a conferência.

A realização da 4.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha foi possível graças ao empenho conjunto de diversas instituições parceiras, nomeadamente o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (PROAZUL), Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Instituto Oceanográfico de Moçambique, Universidade Eduardo Mondlane, Museus do Mar e de História Natural, Wildlife Conservation Society (WCS), Peace Parks Foundation, União Internacional para a Conservacao da Natureza (IUCN), ADRA Moçambique, Marine Megafauna Foundation, Rare, WWF, UniLúrio, UniISCED, Instituto Superior Politécnico de Quissico, UniZambeze, Associação Chepea e Associação Redes de Luxo.

A conferência contou ainda com o envolvimento de parceiros de cooperação e financiadores, entre os quais o Blue Action Fund, o Banco Mundial através do Projecto MozNorte, o Governo da Suécia no âmbito do Programa de Conservação da Biodiversidade, a FAO, a GIZ através do Projecto Prosper Azul  co-financiado pelo BMZ e pela União Europeia e a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), que apoiam iniciativas de conservação da biodiversidade marinha em Moçambique.

No encerramento, foi anunciada a realização da 5ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha em 2027, reafirmando a continuidade deste espaço de diálogo, cooperação e partilha de conhecimento em prol da conservação dos oceanos e do desenvolvimento sustentável de Moçambique.

Reviva os vários momentos que marcaram a 4ª edição da Conferência da Biodiversidade Marinha no nosso facebook https://www.facebook.com/BIOFUND.Mozambique