Actualizado a 19/05/2026
A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) tem consolidado, ao longo dos anos, a sua posição como um dos principais mecanismos de financiamento sustentável para a conservação da biodiversidade em Moçambique.
A BIOFUND angaria e gere três tipos distintos de fundos, nomeadamente: Fundos para Investimento (Endowment), Fundos para canalização (Pass-through funds) e Fundos para gestão directa de projectos.
- Fundos para Investimento ou Endowment – são fundos investidos a longo prazo, onde os rendimentos do capital podem ser mobilizados, contudo, sem usar o fundo de capital;
- Fundos para canalização (Pass-through funds) – são fundos de terceiros alocados na BIOFUND para projectos específicos, sendo a Fundação o mecanismo de desembolso e de gestão financeira;
- Fundos para gestão directa de projectos – referem-se a projectos cuja gestão é directamente feita pela BIOFUND.
Criação e Rentabilização do Endowment
O esforço de angariação de fundos de investimento foi iniciado ainda antes da criação formal da BIOFUND, durante o período do Comité dos Fundadores. No entanto, foi somente após a estruturação da Fundação que se criaram as condições para o início da fase de negociação com os parceiros. Este processo exigiu da BIOFUND o estabelecimento de rotinas de funcionamento harmonizadas com os padrões exigidos pelos regulamentos dos principais doadores.
A avaliação positiva do processo de consolidação da BIOFUND, em 2014, foi fundamental para a decisão de vários parceiros em contribuir para a constituição do nosso Endowment, que atingiu, no final de 2025, o montante de USD 69.47 milhões. Este valor inclui contribuições da Cooperação Alemã através da KfW (33%), do Banco Mundial/GEF (19%), da AFD (3%) e da Conservation International (1%), bem como rendimentos reinvestidos (31%) e rendimentos já utilizados (13%).
Evolução do Endowment em Milhões de USD

Composição do Endowment

Fundos para canalização (Pass-through funds)
Com a reputação crescente da BIOFUND como uma entidade independente e com boa gestão, a instituição também tem tido sucesso na angariação de fundos para canalização para beneficiários da conservação.
Os fundos de terceiros para canalização aos beneficiários, provêm maioritariamente do Banco Mundial (MozNorte e MozRural), do Governo Americano, através do MCC (Projecto de Crescimento Litoral e Capitalização de Recursos: CLCR), do Governo da Suécia, da AFD/FFEM e da União Europeia. Este mecanismo foi operacionalizado em 2017, onde a BIOFUND assumiu um papel de agente fiduciário inicialmente sem responsabilidades no desenho dos projectos. Posteriormente em 2022, ampliou a sua actuação, assumindo também a concepção e a gestão fiduciária dos projectos.
Até finais de 2025, foram angariados mais de USD 144 milhões dos quais já foram desembolsados aos beneficiários cerca de USD 56 milhões (USD 7,24M com rendimentos do Endowment) cumulativamente desde 2016, sendo que cerca de 12,23M milhões foram desembolsados em 2025 (mais de USD 1,6M com rendimentos do Endowment).
Evolução do financiamento aos beneficiários (em milhões de dólares)

Contribuições para os projectos de canalização até 2025

Fundos para Gestão Directa de Projectos
Estes projectos são concebidos, geridos e executados pela BIOFUND, assegurando uma abordagem técnica e operacional alinhada com as prioridades nacionais e com os padrões exigidos pelos parceiros de cooperação.
O portfolio de projectos de gestão directa é de cerca de USD 9,7 Milhões, angariados. Iniciativas de destaque incluem:
Cartão bio: Trata-se de um mecanismo funcionamento pleno que angaria, anualmente, mais de USD 100 mil, através do uso do Cartão bio, uma parceria entre a BIOFUND e o BCI. Actualmente, conta com mais de 42.300 utilizadores e já permitiu angariar um montante acumulativo de aproximadamente USD 500 mil.
BIO-CERP: O Programa de Resposta a Emergências Climáticas (BIO-CERP),criado através de uma contribuição da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de EUR 2 milhões de euros, ao endowment da BIOFUND. Este fundo gera, anualmente, cerca de USD 65 mil, utilizados para apoiar as Áreas de Conservação em situações de crise ou desastres relacionados com o clima.
Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM) – com o objectivo de criar e/ou fortalecer a capacidade técnica e criar um ambiente favorável no SNAC, através de três vertentes: (i) elevação da capacidade técnica e das habilidades dos profissionais do Sistema Nacional de Áreas de Conservação (SNAC); (ii) atracção e motivação de jovens qualificados para integrarem o sistema de conservação; e (iii) sensibilização e envolvimento do público em geral, com enfoque particular na juventude;
O programa de Contrabalanços de Biodiversidade, ainda em fase de estabelecimento, que visa criar um ambiente favorável nos domínios legal, técnico e financeiro para a viabilização da implementação da hierarquia de mitigação em Moçambique;
Impact Investment: Trata-se de um mecanismo de investimento de impacto ligado à economia da vida selvagem, que visa gerar benefícios económicos, sociais e ambientais positivos. É financiado directamente através dos rendimentos do endowment e encontra-se actualmente em fase piloto, tendo já sido realizados alguns investimentos, embora ainda sem geração de retornos.
Futuro Azul – programa focado na conservação da biodiversidade marinha e costeira, bem como na redução dos impactos das alterações climáticas ao longo do litoral moçambicano. A componente sob gestão da BIOFUND consiste na realização anual da Conferência de Biodiversidade Marinha (CBM), uma plataforma de reflexão e partilha de conhecimento científico sobre os ecossistemas marinhos do país;
Fundo de Apoio aos Fiscais – iniciativa que visa reconhecer e valorizar a bravura e dedicação dos fiscais na protecção e conservação da biodiversidade marinha e terrestre em Moçambique.
