Técnicos, fiscais e comunicadores de várias Áreas de Conservação participam numa formação prática em produção audiovisual, promovida no quadro da parceria entre a ANAC e a BIOFUND, com apoio do Projecto MozNorte.
Publicado em 02/06/2026
Formação em filmmaking reforça capacidade de contar histórias da conservação em Moçambique
Técnicos, fiscais e comunicadores de várias Áreas de Conservação de Moçambique iniciaram, no Parque Nacional de Maputo, uma formação em filmmaking orientada para a conservação da biodiversidade, numa iniciativa promovida no quadro da parceria entre a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), com apoio do Projecto MozNorte, financiado pelo Banco Mundial.
A formação decorre no âmbito do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM) e pretende reforçar capacidades prácticas de produção audiovisual, desde a planificação de histórias, captação de imagem e som, até à edição e construção de narrativas curtas, claras e relevantes para diferentes públicos.
Durante cerca de três semanas, os participantes terão a oportunidade de trabalhar sobre temas ligados à biodiversidade, vida selvagem, fiscalização, turismo, comunidades locais, educação ambiental, cidadania ambiental e desafios da conservação.
Na abertura da formação, o anfitrião do Parque Nacional de Maputo (PNAM) – Miguel Gonçalves (Administrador do Parque Nacional de Maputo) deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de aproveitarem a oportunidade num local de elevado valor ecológico e simbólico para o país.
“Que aproveitem esta oportunidade no único sítio de património mundial natural do nosso país”, afirmou.
Para a BIOFUND, esta formação responde à necessidade de reforçar competências no sistema nacional de conservação, permitindo que profissionais que actuam directamente no terreno possam documentar melhor o que observam, vivem e protegem.
Alexandra Jorge, Directora de Programas da BIOFUND, explicou que a iniciativa está alinhada com o papel da Fundação na promoção de conhecimento, capacitação e interligação entre parceiros.
“Vão aprender mecanismos e ferramentas que podem ajudar a documentar e a disseminar informação sobre a vida selvagem, as comunidades e os trabalhadores das Áreas de Conservação”, afirmou.
A representante da BIOFUND sublinhou também que esta é uma experiência piloto, com grande potencial para ser multiplicada noutras Áreas de Conservação, caso os resultados sejam positivos.
“A nossa esperança é que vocês possam partilhar e ensinar o que aprendem aqui com os colegas das vossas Áreas de Conservação”, acrescentou.
A formação é orientada por Dave McGowan, profissional norte-americano com vasta experiência internacional em produção de filmes para instituições públicas, organizações não-governamentais e iniciativas ligadas à conservação. Na sua intervenção, o formador destacou que o objectivo central da formação não é transformar os participantes em cineastas profissionais, mas sim capacitá-los para comunicar melhor as mensagens essenciais da conservação.
“Eu não faço filmes para entretenimento; faço filmes para transmitir mensagens importantes ao público a que se destinam”, afirmou Dave McGowan.
O formador chamou ainda atenção para a importância de produzir conteúdos adequados aos públicos locais, incluindo através do uso de línguas locais, sempre que os vídeos forem dirigidos às comunidades.
“Fazer vídeos nas línguas locais e apresentá-los às comunidades é um sinal de respeito pela própria comunidade”, sublinhou.
Entre os participantes, as expectativas são elevadas. Dário Agostinho (Zambeze Delta Safaris) destacou a importância de captar acontecimentos que, muitas vezes, são únicos e não se repetem.
“Às vezes, quando estamos no campo, acontece um cenário, mas não temos a câmara. Esta formação será muito valiosa para registar fenómenos que não se repetem”, afirmou.
Também Batista Biscuete, ligado à comunicação do PNAM, destacou o desafio de produzir conteúdos completos com equipas reduzidas.
“Na área de conservação, eu sou o produtor, tenho que escrever, filmar, editar, avaliar e monitorar nas redes sociais”, afirmou.
Para Rosa Ferrão (Lipiliche Wilderness), a formação representa uma oportunidade para dar maior visibilidade ao papel das comunidades, das mulheres e dos jovens na conservação.
“Espero ganhar a capacidade de contar a história da conservação através da mulher rural, dos jovens, dos fiscais e dos guardas de conservação”, afirmou.
Ao investir na capacidade de contar histórias, a formação contribui para ampliar a visibilidade do trabalho desenvolvido nas Áreas de Conservação, aproximar comunidades, instituições e público em geral, e valorizar o papel de quem protege diariamente a biodiversidade moçambicana.
A iniciativa reforça o compromisso conjunto da ANAC, da BIOFUND e do Projecto MozNorte em fortalecer as capacidades das Áreas de Conservação, promovendo uma comunicação mais próxima, acessível e ligada às realidades do terreno.
