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Publicado em 29/10/2026


MozRural reforça conservação da biodiversidade e melhoria das condições de vida das comunidades em Mágoè

Missão de supervisão do programa em Tete incluiu visitas a iniciativas de gestão do Parque Nacional de Mágoè, prevenção de conflito homem – fauna bravia, desenvolvimento comunitário e culminou com a inauguração do Sistema de Abastecimento de Água de Macacate.

Nos dias 26 e 27 de Outubro de 2026, uma missão de supervisão do Programa de Economia Rural Sustentável (MozRural) decorreu na província de Tete, com destaque para o acompanhamento das iniciativas apoiadas no Parque Nacional de Mágoè e nas comunidades circunvizinhas, visando reforçar a gestão da Área de Conservação, a conservação da biodiversidade e a melhoria das condições de vida das populações locais.

Para além da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), na qualidade de agência fiduciária da componente de conservação deste programa, a missão contou com a participação de representantes do Banco Mundial, da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), do Parque Nacional de Mágoè (PNM) e da UNOPS.

Ao longo dos dois dias, a delegação realizou visitas de cortesia às autoridades provinciais de Tete, assim como distritais e acompanhou diversas iniciativas, incluindo a sala de operações do Parque Nacional de Mágoè, sistemas de abastecimento de água, furos de água, um aceiro de delimitação do parque e da zona tampão e uma vedação eléctrica de protecção de campos agrícolas.

Um dos momentos centrais foi a inauguração do Sistema de Abastecimento de Água da comunidade de Macacate, no distrito de Cahora Bassa, que assinalou o reforço do acesso à água e o contributo destas infra-estruturas para a mitigação do conflito homem-fauna bravia (CHFB).

Comunidades de Macacate passam a dispor de sistema de abastecimento de água

O Sistema de Abastecimento de Água de Macacate vai servir aproximadamente 2.000 pessoas, com capacidade para beneficiar até cerca de 6.000 habitantes, facilitando o acesso a este recurso essencial e reduzindo a necessidade de percorrer longas distâncias para o obter.

A infra-estrutura é composta por uma casa de gestão equipada com painéis solares para o fornecimento de energia, uma torre de nove metros de altura e quatro fontenárias com um total de oito torneiras. Para além de melhorar as condições de acesso à água, o sistema cria oportunidades para reforçar a higiene, a saúde e o bem-estar das famílias, libertando tempo que poderá ser dedicado à educação das crianças e às actividades produtivas.

Durante a cerimónia de inauguração, o líder comunitário de Macacate expressou o reconhecimento da população pelo investimento realizado, recordando as dificuldades enfrentadas antes da construção do sistema.

“Foram muitos dias que a comunidade clamava. As senhoras corriam vários quilómetros à procura de água. Hoje, a comunidade já não percorre estas distâncias, por isso agradece bastante pelo sistema fornecido.”

A intervenção enquadra-se nos esforços de promoção de uma relação mais equilibrada entre as comunidades e a natureza, uma vez que o acesso a fontes de água próximas pode reduzir a necessidade de deslocações a rios e outros locais onde as populações ficam expostas ao risco de encontros com animais bravios, particularmente crocodilos e hipopótamos.

Na sua intervenção, a Administradora do Parque Nacional de Mágoè, Juliana Mwitu, reconheceu o contributo dos parceiros para a concretização das iniciativas no parque e nas comunidades circunvizinhas.

“Graças ao apoio do Banco Mundial, através do projecto MozRural, e dos parceiros BIOFUND e FNDS, para além da água, foram apoiadas outras iniciativas.” A responsável apelou igualmente à utilização sustentável da água e à protecção do sistema, de modo a assegurar a continuidade dos benefícios para a comunidade

A Directora de Programas da BIOFUND, Alexandra Jorge, destacou a importância do investimento para a melhoria das condições de vida das comunidades, reafirmando o compromisso da instituição com iniciativas que conciliam a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, sendo esta a primeira experiencia da BIOFUND na facilitação da implantação de infra-estruturas deste tipo. “A inauguração deste sistema constitui, por isso, mais do que a disponibilização de uma infra-estrutura: representa uma oportunidade para melhorar o quotidiano das famílias de Macacate e lançar bases para novas possibilidades de desenvolvimento.“A inauguração deste sistema constitui, por isso, mais do que a disponibilização de uma infra-estrutura: representa uma oportunidade para melhorar o quotidiano das famílias de Macacate e lançar bases para novas possibilidades de desenvolvimento.”

Por sua vez, o representante da ANAC, Nilton Iombaiomba, salientou o contributo do sistema para a mitigação do conflito homem-fauna bravia, defendendo a continuidade dos investimentos que promovem o bem-estar das comunidades nas proximidades das Áreas de Conservação.

Já o Administrador do Distrito de Cahora Bassa, que inaugurou o sistema, considerou que a infra-estrutura representa um passo significativo para o desenvolvimento local, com benefícios directos para cerca de 2.000 pessoas e capacidade para abranger até 6.000 habitantes. “A água que hoje celebramos representa saúde, esperança e oportunidades”, afirmou, Mendes Cardoso Cindido.

Ana Bucher, representante do Banco Mundial, realçou a importância do MozRural para o desenvolvimento da economia rural e a conservação da biodiversidade, sublinhando que “a água é uma componente importante para a conservação e a melhoria das condições de vida da comunidade”.

Água e outras medidas de mitigação do conflito homem-fauna bravia

Para além de Macacate, a missão visitou a fontenária da Comunidade de Cazewe, uma das 9 comunidades beneficiárias de um total de 12 fontenárias instaladas através da BIOFUND, no âmbito do Programa MozRural. Antes da instalação da infra-estrutura, as populações de Cazewe recorriam ao rio para obter água, enfrentando riscos associados à presença de crocodilos e outros animais bravios.

A missão acompanhou igualmente o funcionamento da sala de operações do Parque Nacional de Mágoè, onde é possível monitorar os movimentos de elefantes equipados com coleiras de localização. Actualmente, 21 elefantes dispõem destes dispositivos, num parque com uma população estimada em cerca de 600 elefantes. A informação recolhida contribui para melhorar a monitoria da fauna bravia, apoiar a prevenção de incidentes e reforçar a capacidade de resposta das equipas do parque.

Outra iniciativa de destaque foi a vedação eléctrica instalada na comunidade de Macacate para proteger campos agrícolas contra a incursão de elefantes. A infra-estrutura abrange 31,6 hectares  beneficiando 21 famílias. A iniciativa é apoiada pela Mozambique Wildlife Alliance –  MWA (no âmbito de uma parceria a longo prazo com a ANAC), complementada pela presença de um pastor de elefantes, que apoia o afugentamento dos animais e a resposta rápida em situações de risco.

Para Carlitos Chacimba, agricultor beneficiário, a vedação representa uma melhoria significativa das condições de produção e segurança.

“Antigamente sofríamos com a invasão dos elefantes, mas agora, com a vedação, já conseguimos produzir, dormir em paz e viver sem estas invasões.”

Estas medidas integram uma abordagem integrada de mitigação do conflito homem-fauna bravia que procura reduzir os impactos da presença de animais nas actividades das comunidades, salvaguardando os meios de subsistência e promovendo a coexistência entre as populações e a fauna bravia.

Envolvimento comunitário e valorização do património natural

A delegação visitou ainda os trabalhos de abertura do aceiro, realizados com o envolvimento das comunidades locais através dos eco-jobs, criando oportunidades de rendimento e contribuindo para a delimitação do Parque Nacional de Mágoè e da sua zona tampão.

Dos 250 quilómetros previstos, já foram abertos 37,6 quilómetros, com o envolvimento de 60 trabalhadores de quatro comunidades. A actividade encontra-se em curso, abrangendo actualmente14 comunidades, com um total de 147 trabalhadores contratados, e tem como meta alcançar 150 quilómetros de aceiro, reforçando o envolvimento comunitário na gestão da Área de Conservação.

Segundo o chefe da localidade, a intervenção foi precedida de consultas comunitárias para esclarecer dúvidas sobre os limites do parque e da zona tampão.

“Ficámos muito felizes, pois a comunidade recebeu um subsídio de 10.000 meticais pelo trabalho realizado e agora já consegue identificar os limites da zona tampão e do parque. Também foram identificadas zonas com pedras fósseis, que devem ser preservadas.”

Uma abordagem integrada para a conservação e o desenvolvimento sustentável

As iniciativas acompanhadas durante a missão demonstram a importância de articular a conservação da biodiversidade com respostas concretas às necessidades das comunidades que vivem dentro e nas proximidades das Áreas de Conservação.

O acesso à água, a protecção dos campos agrícolas, a monitoria da fauna bravia e a criação de oportunidades de rendimento contribuem para reforçar a gestão do Parque Nacional de Mágoè, reduzir a vulnerabilidade das populações e promover uma relação mais equilibrada entre as pessoas e a natureza.

O Programa MozRural, financiado pelo Banco Mundial, apoia intervenções orientadas para o desenvolvimento rural sustentável e a conservação da biodiversidade. No Parque Nacional de Mágoè, a BIOFUND, enquanto agência fiduciária, contribuiu para a implementação de iniciativas de gestão e mitigação do conflito homem-fauna bravia, fortalecimento da gestão da Área de Conservação e desenvolvimento comunitário.

A missão de supervisão reafirmou, assim, a importância da colaboração entre o Governo de Moçambique, o Banco Mundial, a ANAC, o FNDS, a BIOFUND, o ProAzul, actores locais e privados, as administrações distritais, o Parque Nacional de Mágoè e as comunidades locais para assegurar a sustentabilidade dos investimentos e a continuidade dos benefícios alcançados.