Actualizado a 08/04/2026


+6000

ESPÉCIES DE PLANTAS

726

ESPÉCIES DE AVES

171

ESPÉCIES DE RÉPTEIS

85

ESPÉCIES DE ANFÍBIOS

3075

ESPÉCIES DE INSETOS

Moçambique é rico em recursos naturais e biodiversidade que são pilares vitais para o desenvolvimento sustentável do país. Cerca de 80% da população moçambicana, depende da biodiversidade e dos serviços ecossistémicos para a sua subsistência e recorre a estes recursos para garantir o seu bem estar social e económico .  No entanto, a contínua  sobre-exploração  da biodiversidade e perda de habitats, acelerada por projectos de desenvolvimento que não seguem planos integrados de desenvolvimento territorial,  agricultura itinerante, poluição, juntamente com a introdução de espécies exóticas e os efeitos das mudanças climáticas, têm levado à degradação das espécies, habitats e ecossistemas únicos do país.

Moçambique possui uma rica diversidade de ecossistemas e espécies, abrangendo cerca de 162 ecossistemas e mais de 6.300 espécies de plantas nativas e/ou naturalizadas, cerca de 300 espécies encontram-se na Lista Vermelha da IUCN e 22% são endémicas. A flora inclui ainda mais de 235 espécies de algas marinhas (Guiloviça, 2007), 9 espécies de mangal e 13 espécies de ervas marinhas (IUCN, 2021). A fauna terrestre é igualmente diversa, compreendendo aproximadamente 904 espécies de aves, 176 espécies de répteis, 90 espécies de anfíbios (dos quais 28 são endémicos) e cerca de 3.075 espécies de insectos. Expedições científicas recentes, como por exemplo na floresta afro-montanhosa de Mabu, registaram novas espécies para a ciência em processo de identificação.   No meio marinho, registam-se mais de 1.452espécies de peixes, 20 espécies de mamíferos marinhos e 295 espécies de crustáceos (IUCN, 2021) .

Actualmente, o país conta com 30 Áreas-chave para a Biodiversidade (KBAs) já identificadas e delineadas pela WCS e IUCN – cobrindo uma área total de cerca de 139.977,95 km2, das quais 26  KBAs em terra, com cerca de 134.050,06 km2 e 4 KBAs no ambiente marinho ocupando 5.927,89 km2. As KBAs terrestres ocupam 10% do território continental de Moçambique e as marítimas 1% da Zona Económica Exclusiva (ZEE) do país:

  • Foram avaliadas 67 espécies de fauna, das quais 52% estão em risco de extinção (26.9% em perigo -EN, 14.9% vulnerável -VU, 10.5% criticamente em perigo -CR), sendo necessárias iniciativas de conservação para reverter essa tendência;
  • Cerca de 38 espécies de herpetofauna (anfíbios e répteis) foram avaliadas, das quais 80% dos anfíbios estão ameaçados (EN) e 48% dos repteis caiem em uma das categorias de ameaça (18% criticamente em perigo -CR, 18% em perigo -EN e 12% vulnerável-VU);
  • Foi feito o mapeamento dos ecossistemas históricos de Moçambique, incluindo o primeiro mapeamento da Lista Vermelha dos ecossistemas terrestres de Moçambique elaborado pelo WCS;
  • O governo está a integrar as KBAs, e a lista vermelha de espécies e ecossistemas no seu quadro legal, nomeadamente no Plano Nacional de Desenvolvimento Territorial, bem como no Plano Espacial Marinho, como áreas a serem preservadas;
  • As Directrizes sobre “Negócios e KBAs: Gestão de Riscos para a Biodiversidade”, existentes em inglês, já existem traduzidas para o português. Estes identificam boas práticas ambientais que os projectos de desenvolvimento devem seguir quando implementados em ou em torno de KBAs.

O levantamento das Áreas Importantes de Plantas (AIP) de Moçambique mostra que existem 57 AIPs cobrindo 22 950 Km2, pouco menos de 3% do território nacional. Apenas 18 AIPs ocorrem dentro da rede de Áreas de Conservação, enquanto outras 10 se encontram parcialmente nestas áreas. No entanto, pouco mais de 50% das IPAs ocorre fora das áreas protegidas, com prevalência de ameaças antropogénicas e outras.

  • Todas os 57 sítios pertencentes à Categoria A, com 83% de todas as categorias taxonómicas ameaçadas, estão representadas em um ou mais AIPs;
  • Há 49 sítios com categorias taxonómicas A e B não representadas em nenhum outro lugar dentro da rede de IPAs;
  • Há 12 sítios pertencem à categoria B com uma riqueza excepcional de categorias taxonómicas de alta importância para a conservação;
  • Há 26 sítios que se enquadram na categoria C, com representação de 12 diferentes habitats ameaçados ou de ocorrência numa região restrita;
  • As IPAs que registam os três critérios incluem:
    • as terras baixas de Chimanimani
    • Montanhas de Chimanimani
    • a escarpa do baixo Rovuma
    • Montes Gorongosa, Namuli, Quiterajo, Ribáuè-M’paluwe e Tsetserra
  • As espécies mais ameaçadas e endémicas ocorrem nas zonas transfronteiriças dos Centros de Endemismo nomeadamente
    • Rovuma no NE e Maputaland incluindo Limbombo no SE ambos cobrindo zonas costeiras com zonas montanhosas no interior
    • Zonas montanhosas de Chimanimani-Nyanga no O, Mulanje-Namuli-Ribáuè no Norte de Moçambique e Sul do Malawi

A linha de costa tem cerca de 2770 Km e é caracterizada por uma diversidade de habitats que inclui praias arenosas, dunas costeiras, estuários, baías, florestas terrestres, mangais, tapetes de ervas marinhas e recifes de corais.

Os ecossistemas florestais constituídos por florestas nativas e bosques, cobrem cerca de 43% da área total do território moçambicano, dos quais 67% são florestas semi-decíduas, 20% florestas sempre verdes, as florestas de mangal compõem cerca de 1% e outros tipos florestais perfazem 12% dos habitats florestais. Estes tipos florestais albergam uma vasta biodiversidade faunística e vegetal e compõem paisagens únicas.

Novas espécies terrestres e marinhas continuam a ser descobertas em Moçambique, com enfoque para morcegos, aves, répteis, anfíbios, mamíferos, lesmas, e macroalgas.

O Governo criou uma plataforma de informação da biodiversidade de Moçambique, onde se encontra toda informação sobre a nossa biodiversidade (SIBMOZ)