A Fundação apresentou mecanismos de longo prazo, parcerias e diversificação de fontes como bases para reforçar a gestão de paisagens terrestres e aquáticas que ultrapassam fronteiras.
Publicado em 10/08/2026
BIOFUND destaca financiamento sustentável no Diálogo Nacional sobre Áreas de Conservação Transfronteiriças
A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) participou, nos dias 5 e 6 de Agosto, no Diálogo Nacional sobre as Áreas de Conservação Transfronteiriças (ACTFs), realizado no Radisson Blu Hotel, na Cidade de Maputo.
O encontro foi organizado pelo Secretariado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), em colaboração com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC, I.P.), e reuniu representantes do Governo, sector privado, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e instituições académicas.
O diálogo teve o intuito de colher sensibilidades de diversas instituições e organizações envolvidas no processo de estabelecimento da Rede Nacional das Áreas de Conservação Transfronteiriças, reforçar a coordenação nacional e promover a mobilização de recursos para o desenvolvimento sustentável destas áreas, no quadro do Programa das ACTFs da SADC (2023–2033).
Por ligarem ecossistemas que atravessam fronteiras nacionais, as ACTFs constituem corredores ecológicos importantes para a conservação da biodiversidade. Podem também apoiar o turismo sustentável, os meios de subsistência e o desenvolvimento das comunidades locais, ao mesmo tempo que reforçam a cooperação entre os Estados-Membros da SADC.
No segundo dia do encontro, numa sessão dedicada às oportunidades de colaboração transfronteiriça e ao papel do Governo, organizações da sociedade civil, comunidades e sector privado, a BIOFUND que esteve representada pelo seu Presidente do Conselho de Administração – Carlos dos Santos, e pela Directora de Programas – Alexandra Jorge, apresentou o tema “Financiamento da conservação sustentável da biodiversidade terrestre e aquática em Moçambique”.
A apresentação destacou desafios que condicionam a sustentabilidade financeira da conservação, entre os quais os efeitos das alterações climáticas, a necessidade de conciliar o desenvolvimento com a conservação da biodiversidade, as limitações de capacidade institucional e técnica no Sistema Nacional das Áreas de Conservação e a elevada dependência de ciclos de projectos financiados por doadores.
A BIOFUND partilhou a sua experiência na mobilização, gestão e canalização de recursos para a conservação. Em 2026, o seu Fundo de Endowment alcançou USD 72,15 milhões. Este mecanismo permanente de investimento a longo prazo, permite manter o capital inicial, e garantir um rendimento anual sustentável para apoiar parte das despesas operacionais de muitas das ACs beneficiarias da BIOFUND. Desde 2015, a Fundação já mobilizou cumulativamente cerca de USD 144 milhões de diversos doadores. Até 2025, já canalizou cerca de USD 56 milhões para Áreas de Conservação, através de 73 projectos, beneficiando 36 Áreas de Conservação.
A experiência apresentada inclui apoio a iniciativas associadas às ACTFs em áreas como gestão, infra-estruturas, desenvolvimento comunitário e meios de subsistência, gestão do conflito homem-fauna bravia e processos de estabelecimento ou formalização de áreas de conservação.
Na perspectiva da BIOFUND, o financiamento sustentável exige quatro bases complementares: um Fundo de Endowment que permita intervenções de longo prazo; parcerias e colaboração; diversificação de fontes e modelos de financiamento; e criação de valor através do apoio à investigação, educação ambiental, informação sobre conservação e alinhamento com os objectivos internacionais.
O programa do diálogo incluiu ainda a identificação de acções prioritárias, a actualização do roteiro de accoes para melhor implementação das ACTFs em Moçambique (em harmonia com os países da SADC), incluindo metas e responsabilidades. A participação da BIOFUND, e de outras instituições e organismos não governamentais neste fórum, reforçou uma mensagem central: conservar a biodiversidade é trabalhar em conjunto, onde todos tem especialidades e experiencias distintas. Devemos articular para melhor coordenação (e eficiência) e uso das especialidades e mais valias de cada um, ao nível institucional, distrital, provincial, nacional e regional, para um desenvolvimento regional sustentável, harmonioso e duradouro.
