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Publicado em 16/10/2026


BIOFUND e BCI destacam impacto do Cartão bio na conservação da biodiversidade em Moçambique

Parceria criada em 2017 entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), já angariou mais de 40 milhões de meticais para projectos de conservação e desenvolvimento comunitário, apoiando iniciativas de protecção de espécies, mitigação de conflitos entre pessoas e fauna bravia e promoção de meios de vida sustentáveis.

Desde 2017, o Cartão bio tem transformado contribuições dos clientes do (BCI) em acções concretas de conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário em Moçambique. Através dos primeiros 12 projectos apoiados, a iniciativa tem contribuído para a protecção de espécies ameaçadas, a mitigação dos conflitos entre pessoas e fauna bravia e a criação de oportunidades económicas para as comunidades locais.

Estes resultados foram apresentados nesta Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, em Maputo, durante o Seminário de Apresentação das Iniciativas Financiadas pelo Cartão bio, sob o lema “Da Contribuição ao Impacto: Conhecendo as Iniciativas DAQUI que Fazem a Diferença”. O seminário reuniu representantes institucionais, parceiros e organizações implementadoras para partilhar experiências e demonstrar o impacto deste mecanismo de financiamento.

O Presidente da Comissão Executiva do BCI, José Furtado, destacou a responsabilidade de conciliar a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável, salientando que a parceria já mobilizou mais de 40 milhões de meticais, com o envolvimento de cerca de 45 mil usuários do cartão bio.

“Os resultados desta iniciativa não se medem pelos números, mas sim pelo que conseguimos fazer: as espécies protegidas, a mitigação do conflito homem-elefante e o desenvolvimento comunitário.”

Criado no âmbito da parceria entre a BIOFUND e o BCI, o Cartão bio é um cartão de débito que canaliza para a conservação uma percentagem das transacções realizadas nos terminais de pagamento automático, assim como uma contribuição associada à emissão de cada cartão, sem custos adicionais para o titular do cartão.

Para o Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, a iniciativa demonstra o potencial do sector financeiro na resposta aos desafios ambientais.

“Que continuemos a transformar contribuições em acções, acções em resultados e resultados em benefícios duradouros para as pessoas e para a natureza.”

O Director da Divisão de Administração, Finanças e Recursos Humanos da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Nilton Iombaiomba destacou igualmente o papel do Cartão bio no apoio às Áreas de Conservação.

“O Cartão bio constitui um mecanismo complementar de financiamento para a conservação da biodiversidade, contribuindo para a protecção de espécies nas Áreas de Conservação e para a promoção de meios de vida sustentáveis para as comunidades locais.”

Projectos que geram impacto no terreno

Entre as iniciativas apresentadas, o projecto “Vozes da Savana: Elefantes Monitorados, Comunidades Ouvidas”, implementado pela Mozambique Wildlife Alliance (MWA), na província de Maputo, reforçou a monitoria de elefantes e a capacidade de resposta aos conflitos com as comunidades. Entre os resultados destacam-se a instalação de duas vedações eléctricas, a colocação de seis coleiras GPS/VHF em elefantes e a capacitação de mais de 1.630 pessoas em coexistência e mitigação de conflitos. O projecto reportou uma taxa de sucesso superior a 81% nas operações de afugentamento, entre Janeiro e Setembro de 2025.

Na Área de Conservação Macossa-Tambara, província de Manica, o projecto “Investir nas Comunidades, Fortalecer a Coexistência com Elefantes”, implementado pela Associação NATURA Moçambique, beneficiou 104 famílias e contribuiu para a protecção de mais de 160 machambas, através da instalação de aproximadamente 670 metros de barreiras de protecção. Foram ainda construídos 36 celeiros melhorados e promovida a apicultura sustentável, como alternativa económica associada à conservação.

Já no Parque Nacional de Chimanimani, o projecto de resgate, reabilitação e soltura do pangolim permitiu construir um centro especializado, capacitar 13 colaboradores e disponibilizar equipamentos de monitoria GPS/VHF. Em Fevereiro de 2026, o centro realizou o seu primeiro resgate, reabilitação e posterior soltura de um pangolim à natureza.

Transparência e continuidade

Através desta parceria, a BIOFUND e o BCI demonstram como a colaboração entre o sector financeiro e as instituições de conservação pode ampliar os recursos disponíveis para proteger o património natural de Moçambique, promovendo simultaneamente o bem-estar das comunidades locais.

Para reforçar a transparência e visibilidade, a BIOFUND desenvolveu o dashboard (aplicativo) do Cartão bio, uma ferramenta que permite acompanhar os recursos mobilizados, os projectos apoiados e os respectivos resultados.