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Publicado em 15/09/2026


BIOFUND e o Reino Unido assinam acordo para reforçar a conservação comunitária em Moçambique

O CCIP vai apoiar a gestão comunitária, os meios de vida e a formação de profissionais da conservação em quatro paisagens prioritárias, no período 2026–2028.

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Governo do Reino Unido, através do Foreign, Commonwealth & Development Office (FCDO), assinaram, a 14 de Setembro de 2026, em Maputo, um acordo de subvenção no âmbito do lançamento do Programa de Conservação Comunitária e Investimento (CCIP). A parceria pretende reforçar a conservação da biodiversidade e criar oportunidades económicas para as comunidades que dependem dos recursos naturais.

Coordenado pela BIOFUND, em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e organizações nacionais, locais e comunitárias, o programa abrange Chipanje Chetu, no Niassa; Monte Mabu, na Zambézia; Zumbo, em Tete; e Mwai, na província de Maputo.

A cerimónia decorreu na sala de exposições da BIOFUND, com a participação do Secretário de Estado de Terra e Ambiente, Gustavo Sobrinho Djedje, da Alta-Comissária Britânica em Moçambique, Helen Lewis, e da Representante Especial do Reino Unido para a Natureza, Ruth Davis, Vice-Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Adamo Valy, além de representantes das comunidades e parceiros da conservação.

Benefícios para as comunidades

O CCIP prevê apoiar actividades como agricultura sustentável, apicultura e oportunidades de turismo de natureza, de acordo com as condições de cada paisagem. O programa reforçará também organizações comunitárias, gestão financeira e prestação de contas, para aumentar a capacidade local de decidir sobre recursos e benefícios da conservação.

A prevenção de conflitos entre pessoas e fauna bravia constitui outra prioridade, com medidas de monitoria, alerta e protecção de áreas agrícolas adaptadas a cada contexto. A formação de profissionais e jovens para a conservação será apoiada através do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM).

Na abertura, o Vice-Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND afirmou que “a conservação só é duradoura quando as comunidades que vivem lado a lado com a vida selvagem sentem na prática que são as verdadeiras proprietárias deste património”. O Secretário de Estado de Terra e Ambiente reforçou a mesma orientação: “A grande preocupação que o Governo tem é de garantir que todos os investimentos se traduzam e se reflitam em benefícios reais para as comunidades.”

Natureza e resiliência climática

Ruth Davis destacou a dimensão humana da parceria e, em declarações à imprensa, apontou como uma das prioridades “treinar a próxima geração de jovens a serem conservadores”. Sobre os impactos das alterações climáticas, salientou que “é muito importante continuarmos com parcerias que construam resiliência”, referindo também a importância de sistemas de alerta e de medidas de adaptação.

Helen Lewis apresentou a parceria como expressão de uma visão partilhada sobre o papel da natureza nos meios de vida, na resiliência e no crescimento económico sustentável. Na sua intervenção, resumiu esta perspectiva ao afirmar que “a natureza não é apenas algo que deve ser protegido”.

Continuidade e capacidade para o futuro

O programa dá continuidade a investimentos anteriores da BIOFUND e dos seus parceiros: PROMOVE Biodiversidade, no Monte Mabu; MozNorte, em Chipanje Chetu; MozRural, em Zumbo; e o apoio do Programa de Conservação da Biodiversidade, financiado pela Suécia, em Mwai. O objectivo é consolidar resultados, ampliar o seu alcance e reforçar a capacidade das instituições comunitárias.

A visão do CCIP articula conservação comunitária, reforço do capital humano e, como possibilidade futura, investimento de impacto e contribuição para o fundo patrimonial da BIOFUND. Esta última componente não integra o acordo inicial assinado e fica sujeita a aprovação específica do FCDO.

Com esta parceria, a BIOFUND e o Reino Unido procuram fortalecer instituições comunitárias e actividades económicas que possam continuar a gerar benefícios para as pessoas e para a biodiversidade para além do período de financiamento.