Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, financiado pelo Governo da Suécia através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, aponta para uma forte redução da caça furtiva, reforça a capacidade científica nacional e evidencia o potencial económico da fauna bravia.
Publicado em 24/07/2026
Moçambique estima 22.718 elefantes e regista sinais de recuperação da fauna bravia
A população de elefantes em Moçambique é actualmente estimada em 22.718 animais, mais do dobro dos 9.114 registados no último censo nacional, realizado em 2018. O dado consta dos resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, apresentados esta sexta-feira, 24 de Julho de 2026, pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).
O levantamento regista igualmente uma redução expressiva do rácio de carcaças de elefantes, de 48,35% em 2018 para 4,6% em 2025. O resultado aponta para uma forte diminuição da mortalidade recente e confirma o declínio da caça furtiva em larga escala, embora persistam pressões sobre os habitats e riscos de conflito Homem-Fauna Bravia.
O censo foi realizado entre Setembro e Novembro de 2025 pelo Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE), da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, sob liderança da ANAC. O exercício contou com financiamento do Governo da Suécia, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), no âmbito do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, e com apoio técnico da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os resultados foram ainda submetidos a uma revisão técnica independente.
Dados científicos para orientar decisões
Para o Director-Geral da ANAC, Pejul Calenga, a recuperação estimada da população de elefantes reflecte o reforço da fiscalização e da cooperação transfronteiriça, mas exige também uma gestão mais eficaz da coexistência entre pessoas e fauna bravia.
“Este resultado representa uma recuperação histórica da espécie em Moçambique, duplicando a população registada em 2018 e aproximando-nos dos níveis observados em 2008”, afirmou Pejul Calenga.
Mais do que actualizar a estimativa da população de elefantes, o censo fornece informação para orientar a gestão das Áreas de Conservação, reforçar a fiscalização, proteger habitats, melhorar o ordenamento do território e mitigar o conflito Homem-Fauna Bravia. O levantamento identificou também a expansão de assentamentos humanos, agricultura, pecuária, produção de carvão e mineração para áreas anteriormente menos afectadas por estas actividades.
O levantamento revela igualmente tendências de crescimento ou estabilidade em várias espécies de grandes mamíferos, entre as quais búfalos, zebras, girafas, hipopótamos, impalas e pivas. Pela primeira vez, a região sul concentra a maior proporção da população nacional de elefantes, estimada em cerca de 53%. A dinâmica observada resulta não apenas da reprodução, mas também do movimento de animais no contexto da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo e da conectividade ecológica entre Moçambique, África do Sul e Zimbabwe.
Ciência, capacidade nacional e valor económico
O censo foi conduzido por uma equipa multidisciplinar nacional, que integrou investigadores, técnicos e especialistas de diferentes instituições, num passo relevante para o fortalecimento da capacidade científica moçambicana. Para Sean Nazerali, Director de Financiamentos Inovadores da BIOFUND, a monitoria regular é indispensável para medir os resultados dos investimentos na conservação.
“Este censo é muito mais do que uma simples contagem de fauna. É, de facto, um investimento estratégico no conhecimento científico a nível do país. Não se pode gerir eficazmente aquilo que não se conhece”, destacou Sean Nazerali.
Samiro Magane, Coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade na BIOFUND, destacou também o potencial económico destes recursos:
“Temos que olhar para a fauna bravia não como um problema, mas como um recurso que pode estimular o desenvolvimento do país. Temos aqui uma economia da fauna que ainda está pouco desenvolvida e que tem um grande potencial para alavancar o desenvolvimento do país, a geração de empregos e receitas.”
O seminário recomendou a realização mais regular de censos, a harmonização das metodologias e o teste de tecnologias como drones, sensores remotos e imagens de alta resolução.
