Chimanimani: 5 anos de resultados concretos na conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário

O Parque Nacional de Chimanimani, localizado no distrito de Sussundenga, província de Manica, encerrou no passado dia 10 de Dezembro um ciclo de cinco anos (2021–2025) de implementação do Projecto de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário (CBDC), financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Fundo Francês para o Meio Ambiente (FFEM) e Fauna & Flora (FF), com um orçamento total de 4,8 milhões de Euros. O workshop final de apresentação dos resultados reuniu parceiros de implementação, governo local, comunidades e especialistas para validar conquistas que incluem a documentação de 1.365 espécies de biodiversidade, a valorização de 9 pontos turísticos com potencial histórico cultural e a concepção de mecanismos inovadores de financiamento baseados em serviços ecossistémicos.

Chimanimani é uma das 57 áreas importantes de plantas de Moçambique e um dos principais fornecedores de água da região, abastecendo a bacia de Búzi responsável pelo abastecimento de mais de um milhão de pessoas em três distritos da província de Manica e garantindo cerca de 70% da água que chega à barragem de Chicamba. Antes do projecto, o conhecimento sobre a biodiversidade era fragmentado, o património historico cultural pouco documentado e as comunidades careciam de modelos de desenvolvimento compatíveis com a conservação. O CBDC foi concebido para responder a estas lacunas através de uma abordagem integrada que articula conservação, meios de subsistência comunitários e governação territorial.

O principal resultado tangível da Componente 1 foi a criação de uma base de dados consolidada com 1.365 espécies de flora e fauna registadas no Parque Nacional de Chimanimani e na sua zona tampão. Este avanço científico articulou-se com o conhecimento local das comunidades, através de um estudo etnobotânico conduzido pelo IIAM que valorizou usos tradicionais de espécies medicinais, alimentares, espirituais e artesanais.

A Componente 1 integrou também o inventário da biodiversidade e do património histórico-cultural, que resultou na identificação de 33 locais: 8 montanhas, 4 florestas sagradas, 16 cascatas/lagoas/nascentes e 5 estações arqueológicas. Deste processo resultaram manuais de inventário e de gestão do património cultural, um código de conduta para visitantes em três línguas e um plano de marketing com horizonte de 10 anos. A partir deste trabalho, 9 locais foram seleccionados para valorização turística, o que cria novas oportunidades de geração de rendimento associado à cultura e à natureza.

Na Componente 2, o foco esteve na clarificação dos direitos territoriais e na inclusão comunitária. Foram demarcadas terras comunitárias, elaborados Planos comunitários de Uso de Terras onde foram constituídas legalmente 20 associações comunitárias e 20 unidades de gestão e delimitadas mais de 5 mil parcelas familiares. De acordo com Clara Levy, da AFD,

«a governança da terra e da comunidade foi consideravelmente consolidada, mais de 5 mil parcelas foram delimitadas, 20 associações foram legalmente constituídas, e vimos com satisfação a maior participação de mulheres e jovens nos processos,» acrescentando que «esta dinâmica é importante ou essencial para garantir uma gestão sustentável dos recursos e uma apropriação real e inclusiva das novas oportunidades.»

A Componente 3 consolidou a cadeia de valor do mel e de outros produtos naturais, transformando uma actividade tradicional numa oportunidade económica organizada. Foram formados apicultores líderes, reabilitada a fábrica de processamento e criada uma nova oferta de produtos sob marca local, fortalecendo a ligação entre conservação da floresta e aumento de rendimentos familiares.

Finalmente, a Componente 4 abordou o grande desafio da sustentabilidade financeira. A BIOFUND liderou estudos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) que estimam em cerca de 4 mil milhões de meticais (cerca de 63 milhões de USD) por ano o valor dos serviços hídricos prestados pelo Parque Nacional de Chimanimani, equivalente a várias décadas de custos operacionais do parque. Como sublinhou Vanda Machava, do BIOFUND,

«O Parque Nacional de Chimanimani fornece diferentes serviços. Por exemplo, sabemos que uma parte da população vive da agricultura. Eles obtêm água nos diferentes rios que nascem no Parque Nacional Chimanimani. Esta água também é usada para o consumo da população, para pescas e também as minídricas acabam produzindo energia através desta água,» reforçando que a água é um elo directo entre conservação e bem-estar humano.

Nesta componente, o projecto realçou a criação de capacidades no PNC para a implementação de projectos de restauração para alcance de ganhos líquidos de biodiversidade, tendo restaurado 240 ha, criado 78 empregos temporários aos membros da comunidade residentes na zona tampão e capacitado 3 técnicos do parque em matérias de restauração de áreas degradadas.

O encerramento do projecto não foi apresentado como um ponto final, mas como transição. Nas palavras de Clara Levy, «Ao chegarmos ao final formal do projecto, gostaria de lembrar que isso não significa o fim de nosso compromisso colectivo. Pelo contrário, esta clausura marca o início de uma nova dinâmica.» O apelo foi ecoado por Contardo Muarramuassa, que afirmou: «Chimanimane é a nossa esperança. Temos todos de viva voz conservarmos esse nosso patrimônio, porque dependemos dela para a nossa existência,» capturando a essência do CBDC: conservação como responsabilidade partilhada e condição de futuro para as comunidades e para o país.

Comité directivo do Programa de Conservação da Biodiversidade reuniu-se pela primeira vez em Maputo

Realizou-se na primeira semana de Dezembro, na Cidade de Maputo, a primeira sessão do Comité Directivo do Programa de Conservação da Biodiversidade (PCB), uma iniciativa financiada pela Embaixada da Suécia e coordenada pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC). O encontro reuniu representantes das Áreas de Conservação beneficiárias, membros do Comité Directivo e parceiros institucionais, com o objectivo de assegurar o alinhamento estratégico e o acompanhamento das actividades em curso no âmbito do Programa.

Na abertura da sessão, o Director-Geral da ANAC e Presidente do Comité Directivo, Pejul Calenga, destacou a importância deste encontro para fortalecer a coordenação e clarificar prioridades de conservação. Segundo sublinhou, “Este encontro é de grande relevância porque permite alinharmos as prioridades previamente definidas com a nova estratégia do Governo para a gestão da biodiversidade. Este é um marco que abre um novo caminho para clarificarmos o nosso foco principal antes mesmo de avançarmos para a revisão de meio-termo.”

Por sua vez, os representantes das Áreas de Conservação beneficiárias reforçaram a necessidade de consolidar mecanismos de diálogo contínuo e de partilha de boas práticas para garantir maior eficácia na implementação do PCB. O Administrador da Área de Protecção Ambiental de Maputo, Luís Buchir, destacou a importância de institucionalizar a regularidade das reuniões, afirmando que “Este é o primeiro encontro formal do Comité, mas já há algum tempo procuramos estabelecer reuniões mais regulares. Esperamos que este processo resulte na elaboração de um guião de boas práticas e na criação de um mecanismo flexível de reajuste, operacionalizado através das avaliações de meio-termo.”

Ao longo da sessão foram apresentados o ponto de situação das actividades implementadas, os desafios enfrentados nas Áreas de Conservação e as prioridades estratégicas para o próximo período de execução. Entre os aspectos destacados estiveram a necessidade de reforçar a coordenação interinstitucional, melhorar os fluxos de informação, fortalecer os mecanismos de supervisão técnica e garantir maior eficácia na implementação das iniciativas financiadas pelo Programa.

Com esta primeira sessão, o Programa de Conservação da Biodiversidade reforça a consolidação de uma plataforma estratégica de coordenação, diálogo e tomada de decisão, assegurando que as intervenções financiadas contribuam de forma eficaz para o fortalecimento do Sistema Nacional das Áreas de Conservação. Através deste mecanismo, o Programa pretende garantir maior coerência na implementação das actividades, melhorar a monitoria dos resultados e promover uma gestão mais integrada, transparente e orientada para o impacto nas Áreas de Conservação beneficiárias.

Jovem autor moçambicano lança livro bilingue sobre o futuro dos tubarões

Escrito entre os 10 e os 11 anos por Diego Branco, “O Futuro dos Tubarões / The Future of Sharks” explica a história, a diversidade e as ameaças destes animais essenciais para a saúde dos oceanos.

Entre os 10 e os 11 anos de idade, o jovem moçambicano Diego Branco transformou a sua curiosidade sobre o mar num verdadeiro projecto de investigação. O resultado é o livro bilingue “O Futuro dos Tubarões / The Future of Sharks”, editado pela Ethale Publishing e patrocinado pela Associação NATURA Moçambique, que passa agora a estar disponível em formato digital para escolas, educadores e o público em geral.

Com uma abordagem clara e visualmente muito apelativa, o livro apresenta de forma acessível o mundo dos tubarões, desde as espécies pré-históricas que nadam nos oceanos há centenas de milhões de anos até aos tubarões modernos que ainda hoje habitam os mares do planeta. O leitor encontra explicações sobre a taxonomia do grupo, a anatomia, o ciclo de vida, o papel destes animais como predadores de topo e as principais ameaças que enfrentam, como a sobrepesca e o corte de barbatanas.

O índice do livro revela a ambição e o rigor do trabalho: para além da introducção e do resumo, há capítulos dedicados aos tubarões pré-históricos, a várias espécies modernas (como o tubarão-martelo, tubarão-frade, tubarão-tigre, tubarão-branco, tubarão-baleia ou tubarão-limão), bem como secções inteiras sobre o esqueleto, a pele, os dentes, as barbatanas, os órgãos sensoriais e o ciclo de vida destes animais. O livro encerra com uma reflexão sobre “O Futuro dos Tubarões”, curiosidades (fun facts) e uma bibliografia que incentiva o leitor a continuar a explorar o tema.

Um livro científico nascido da curiosidade de uma criança

Na Nota do Autor, ilustrada com a fotografia de Diego, o jovem explica que a ideia do livro nasceu do interesse em perceber quais foram os primeiros tubarões a povoar os oceanos e como evoluíram até às espécies actuais. Esse interesse ganhou força durante o período de isolamento provocado pela Covid-19, quando passou mais de um ano na Ponta do Ouro com os avós. Foi nesse contexto que recebeu o incentivo para aprofundar a pesquisa, ler livros e recursos disponíveis em linha e organizar o conhecimento em forma de livro.

Ao longo de muitos meses, Diego leu diversas fontes científicas, consultou imagens, seleccionou ilustrações e estruturou o texto com o apoio do avô na orientação da pesquisa. A coordenação editorial ficou a cargo de Carlos Botomane, com revisão de texto de António Branco e Augusto Nhampossa, e desenho gráfico de Jonas Terceiro e do próprio editor. O resultado é uma obra que alia rigor científico, linguagem acessível e um grafismo atractivo, adequado a crianças, jovens e famílias.

Tubarões: muito para lá dos mitos

Logo na introducção, Diego lembra que os tubarões habitam os oceanos há mais de 400 milhões de anos, muito antes do aparecimento dos dinossauros. Embora por vezes sejam vistos como perigosos, o livro sublinha que os ataques a pessoas são raros e que a maior ameaça não parte dos tubarões, mas sim das actividades humanas. Hoje, muitas espécies enfrentam o risco de extinção devido à pesca comercial intensiva, à captura acidental e à procura de barbatanas.

No sumário científico, o livro mostra como estes animais ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos, controlando populações de outras espécies e contribuindo para a saúde de recifes de coral e pradarias marinhas. O texto explica ainda que existem cerca de 500 espécies conhecidas de tubarões, distribuídas por diferentes ordens e famílias, com formas, tamanhos e modos de vida muito distintos – desde os gigantes filtradores, como o tubarão-baleia, até pequenos predadores costeiros.

Ferramenta para a educação ambiental em Moçambique

As notas finais do livro indicam que as versões em português e inglês serão distribuídas gratuitamente a escolas e outras instituições, e utilizadas em programas de educação ambiental desenvolvidos pela Associação NATURA Moçambique. Ao disponibilizar o conteúdo em duas línguas, Diego e os parceiros do projecto reforçam a capacidade de chegar a alunos, professores e comunidades de diferentes contextos, dentro e fora de Moçambique.

Num país com uma extensa linha de costa e ecossistemas marinhos de grande riqueza, a publicação de um livro deste tipo por um autor tão jovem constitui um contributo importante para a formação de novas gerações mais informadas e comprometidas com a conservação. “O Futuro dos Tubarões” mostra que a curiosidade de uma criança, quando encontra apoio da família, da escola e de instituições parceiras, pode transformar-se numa poderosa ferramenta de sensibilização.

Complexo de Marromeu: Na Coutada 14, a juventude fortalece a ciência e a conservação

A sul da Coutada 14, uma área de transição ecológica que se abre para a Reserva Nacional de Marromeu, estende-se um dos territórios mais ricos em diversidade biológica do Complexo. É neste ambiente dinâmico que a Nyati Safris, com três décadas de experiência, conduz uma gestão que alia conhecimento tradicional, visão estratégica e um compromisso sólido com a conservação.

Nos últimos anos, a coutada ganhou uma nova energia com a integração dos estagiários do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM). Dois jovens profissionais, Elton Nhatsoho, formado em Engenharia Florestal, e Massambo Batalhão, formado em Florestas e Fauna Bravia, têm reforçado o trabalho técnico e comunitário, trazendo metodologias modernas, rigor científico e um entusiasmo contagiante.

A sua actuação tem transformado a dinâmica da coutada. A monitoria ecológica tornou-se mais precisa, permitindo mapear melhor os movimentos da fauna e as alterações no habitat. Ao mesmo tempo, a relação com as comunidades vizinhas ganhou nova vitalidade, graças a um diálogo mais frequente e a acções de sensibilização que contribuem para reduzir a caça furtiva e fortalecer a participação local. A adopção de novas ferramentas tecnológicas e abordagens inovadoras completam um quadro de evolução que valoriza e potencia o trabalho de longa data da Nyati Safaris.

O resultado é um modelo inspirador: uma coutada onde a ciência avança, a juventude lidera e a conservação se faz de forma integrada, com benefícios tangíveis para a biodiversidade e para as comunidades.

A recente visita da BIOFUND ao Complexo de Marromeu reforça esta visão. As actividades observadas na Coutada 14, tal como nas restantes áreas do complexo, serão fortalecidas pelo Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que inicia em 2026. Esta nova fase marca o aprofundamento de parcerias estratégicas que valorizam o papel da juventude, elevam o rigor científico e consolidam o compromisso conjunto com a conservação da paisagem de Marromeu e o bem-estar das comunidades locais.

Coutada 10 do complexo de Marromeu: Desenvolvimento comunitário que fortalece a conservação

Na vasta paisagem da Coutada 10, situada na fronteira sudoeste da Reserva Nacional de Marromeu, província de Sofala, a conservação não se faz apenas com fiscais e patrulhas. Faz-se com pessoas comuns, mães, jovens e líderes comunitários que ajudam a proteger o território que os sustenta há gerações.

A Marromeu Safaris, concessionária da coutada há mais de uma década, tem desempenhado um papel central na transformação desta relação. A empresa introduziu um modelo de gestão participativa que coloca as comunidades no centro da conservação. Um dos elementos mais marcantes desta colaboração é a distribuição regular de carne proveniente da caça controlada. Esta prática, para além de reforçar a segurança alimentar das famílias, reduz significativamente a pressão sobre a fauna, uma vez que diminui a necessidade de recorrer à caça ilegal. A comunidade reconhece o benefício directo e responde com maior compromisso na protecção da fauna que garante parte do seu sustento.

A Marromeu Safaris tem igualmente investido em iniciativas sociais que fortalecem a resiliência local. Com o apoio de parceiros como a Associação Portuguesa de Apoio a Africa (APOIAR), foram criadas cozinhas escolares que asseguram duas refeições diárias às crianças das escolas locais, com destaque a  Escola Básica de Bichote. Estas refeições têm melhorado a nutrição infantil, reduzido o absentismo escolar e criado melhores condições de aprendizagem, reforçando o impacto positivo da conservação nas gerações futuras.

Outras acções comunitárias incluem o apoio à educação ambiental, pequenas iniciativas económicas e melhorias de infra-estruturas, que ampliam a capacidade das comunidades de gerir melhor o seu território e de participar activamente no desenvolvimento local.

Hoje, a Coutada 10 demonstra que a conservação e o bem-estar humano são interdependentes. Quando as comunidades são valorizadas, envolvidas e beneficiam directamente dos recursos naturais, tornam-se guardiãs naturais da paisagem, assegurando a continuidade da biodiversidade e a sustentabilidade das actividades económicas.

A recente visita da BIOFUND ao Complexo de Marromeu reforçou este compromisso partilhado. As actividades hoje visíveis na Coutada 10 ganharão novo impulso com o futuro Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que inicia em 2026, criando bases ainda mais sólidas para fortalecer a conservação, apoiar as comunidades e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável em toda a paisagem de Marromeu.

Economia da Vida Selvagem e Benefícios Comunitários: Do mel que sustenta famílias ao ecossistema que sustenta vidas

Na paisagem vasta e húmida da Coutada 11, no Complexo de Marromeu, a conservação não se mede apenas pelo crescimento da população e espécies de fauna, mede-se também no impacto directo que a vida selvagem tem na vida das pessoas que vivem ao redor da Área de Conservação.

A Zambeze Delta Safaris (ZDS), gestora da coutada há mais de três décadas da sua criação, compreendeu que a conservação da biodiversidade só é sustentável quando as comunidades são parte activa e beneficiária. Foi assim que surgiram diversas iniciativas económicas de base comunitária, criadas para fortalecer a ligação positiva entre conservação e qualidade de vida.

Entre estas actividades destaca-se a produção e comercialização de mel, um programa que transformou a apicultura numa fonte real de rendimento para várias famílias. A floresta bem conservada, rica em espécies de fauna e flora, oferece condições ideais para a produção de um mel de elevada qualidade, que hoje encontra mercado tanto local como nacional.

No centro desta história está a senhora Custeja Joaquim, chefe de família e apicultora. Com determinação e disciplina, ela domina o processo completo da produção do mel, desde o cuidado das colmeias até à extracção e venda. Para Custeja, o mel não é apenas um produto, é o sustento da sua família, a garantia de educação para os filhos e netos e, a porta de entrada para uma economia mais digna e estável. O seu exemplo tem inspirado outras mulheres da região a envolverem-se na actividade.

A iniciativa da apicultura demonstra na prática que a conservação pode gerar rendimentos, autonomia e segurança económica. Quanto mais protegida está a coutada, mais produtivas são as abelhas; quanto mais estável é o ecossistema, maior é o rendimento das famílias.

Além do mel, a ZDS investe igualmente na educação das comunidades através da construção de escolas, apoio à saúde comunitária, actividades agrícolas e criação de emprego local, reforçando o entendimento de que a conservação é uma ferramenta de desenvolvimento social.

Na Coutada 11, a economia da vida selvagem não é um conceito abstracto, é uma realidade construída todos os dias por pessoas como Custeja Joaquim, cuja história mostra que proteger a natureza pode ser, também, uma forma de construir um futuro mais próspero para as comunidades.

Esta visão integrada será ampliada com o Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que a BIOFUND irá iniciar em 2026. O projecto irá fortalecer as iniciativas comunitárias existentes, expandir actividades de meios de vida sustentáveis e reforçar a ligação positiva entre as famílias e a conservação da paisagem de Marromeu.

Missão de Monitoria do Projecto MozNorte à Reserva Especial do Niassa Reforça Compromisso com as Comunidades Locais

Entre os dias 25 e 30 de Novembro de 2025, uma equipa técnica composta por representantes da BIOFUND, ANAC (Administração Nacional das Áreas de Conservação) e WCS (Wildlife Conservation Society) deslocou-se à Reserva Especial do Niassa para realizar uma missão de monitoria no âmbito do Projecto MozNorte – o Projecto de Resiliência Rural do Norte de Moçambique, financiado pelo Banco Mundial.

A visita permitiu verificar no terreno os avanços significativos nas actividades de conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário implementadas no Bloco L4 Este, uma área que abrange 11 comunidades do distrito de Mecula, na província do Niassa.

Parceria Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável

A BIOFUND trabalha em estreita coordenação com a ANAC e WCS para garantir que os recursos cheguem às populações que vivem dentro e ao redor da reserva, integrando a conservação da biodiversidade com o bem-estar das comunidades locais.

Durante o encontro de cortesia, José Sulmide – Administrador do Distrito de Mecula, manifestou a importância de trabalhar lado a lado com as comunidades, afirmando estar “sempre ao lado da população” nas decisões que afectam o território.

Unidade de Governação: Comunidades no Centro da Gestão dos Recursos Naturais

Um dos principais resultados do programa é a criação da Unidade de Governação do Bloco L4 Este, uma estrutura comunitária composta por 22 membros (incluindo 4 mulheres) representando as 11 comunidades da área. Esta unidade foi estabelecida a partir dos Comités de Gestão de Recursos Naturais previamente constituídos em cada comunidade, preparando o terreno para que as populações locais possam participar activamente na gestão sustentável do seu território.

Neto Agostinho, vogal da Assembleia Geral da Unidade de Gestão, explicou a importância desta estrutura:

A unidade serve para podermos conservar a biodiversidade do Bloco L4-Este. É importante para a nossa conservação da natureza e a humanidade em geral. O nosso trabalho é sensibilizar as comunidades que devemos conservar a nossa biodiversidade e não haver queimadas descontroladas“.

A missão visitou as comunidades de Cuchiranga e Lisongole, onde se realizaram encontros com os membros dos comités de gestão, pontos focais do Mecanismo de Diálogo e Reclamação (MDR) e beneficiários de treinamento em GALS (Gender Action Learing System)

Saúde Comunitária: Técnicos ao Serviço das Populações Mais Remotas

Um dos impactos mais significativos do programa está na área da saúde. No âmbito de um memorando assinado entre a Reserva Especial do Niassa e os Serviços Distritais de Saúde, o MozNorte financiou a contratação de cinco técnicos de saúde que estão a prestar serviços essenciais em igual número de unidades sanitárias.

Eugénio Carlos Fazenda, Director dos Serviços de Saúde do Distrito de Mecula, expressou gratidão pelo apoio:

“Recebemos este apoio com grande satisfação, porque os técnicos acabam suprimindo aquilo que são as demandas das necessidades das atividades a nível das unidades sanitárias periféricas. Tínhamos déficit de recursos humanos e com este apoio acabamos melhorando o atendimento da população em geral”.

O Director destacou ainda a importância da ambulância adquirida pelo programa, que facilita a transferência de pacientes com complicações para a unidade sanitária de referência em Marrupa, corrigindo potenciais complicações que poderiam ocorrer no distrito.

Ângela João András, enfermeira de Saúde Materno-Infantil colocada no Centro de Saúde de Ntimbo 1 através do programa, relatou o impacto do seu trabalho: “A comunidade não sabia sobre planeamento familiar, não sabia que as crianças têm que ter controlo mensalmente. Tendo aqui um hospital e enfermeiras, acho que eles se sentem melhor“.

Desde que os cinco profissionais de saúde começaram a trabalhar em maio em quatro unidades sanitárias, já prestaram serviços relacionados a malária para mais de 1050 pacientes, a diarreia para mais de 115 pacientes, a disenteria a mais de 20 pacientes, mais de 3860 consultas externas, mais de 80 partos institucionais, mais de 110 consultas pré-natais, e mais de 80 consultas pós-parto.

Mitigação de Conflitos Homem-Fauna: Protecção para as Machambas

A convivência com a fauna bravia representa um desafio constante para as comunidades que vivem dentro da reserva. Para responder a esta realidade, o programa adquiriu cinco kits de vedação eléctrica móvel que irão proteger as machambas contra a invasão de elefantes, búfalos e outros animais durante as épocas de colheita.

Gil da Vasco, membro da comunidade de Cuchiranga, explicou como funciona o sistema:

“Os painéis solares funcionam com energia solar para alimentar a vedação. A vedação serve para as machambas não serem atacadas pelos animais. Se não há vedação, não vamos ganhar nada. Através dos animais, basta deixarmos sem vedação e eles destroem tudo. Mas com a vedação, animais como búfalos e elefantes não entram“.

O programa também treinou Unidades de Resposta Rápida para actuar em situações de conflito homem-fauna, tendo adquirido equipamentos como foguetes e dispositivos sonoros para afugentar os animais das áreas habitadas.

Capacitação Vocacional: Jovens a Construir o Seu Futuro

O Projecto MozNorte tem investido na formação vocacional dos jovens das comunidades, oferecendo bolsas de estudo e kits de auto-emprego para que possam desenvolver actividades económicas.

Sadamo Casembe, jovem de Mecula que recebeu formação em alfaiataria através do programa, partilhou a sua experiência: “A reserva especial do Niassa lançou vagas e nós concorremos e passámos. O curso mudou a minha vida – já consigo comprar bens para a minha casa e a minha comida. Agora já dependo de mim mesmo“.

Sadamo recebeu um kit completo com máquina de costura e materiais como parte da formação, e hoje atende clientes diariamente fazendo trabalhos de costura e alfaiataria na sede de Mecula.

Mecanismo de Diálogo e Reclamação: Voz às Comunidades

Para garantir que as preocupações das comunidades sejam ouvidas e endereçadas, o programa estabeleceu um Mecanismo de Diálogo e Reclamação (MDR) em todas as comunidades do Bloco L4 Este. Os pontos focais foram treinados, receberam telefones e materiais de divulgação, e em cada comunidade foram instaladas caixas de reclamação onde os membros podem depositar as suas preocupações.

O MDR permite que os membros das comunidades reportem situações de emergência, como ataques de animais selvagens, e recebam apoio da reserva de forma atempada.

Investimentos em Infraestruturas e Equipamentos

A missão verificou uma série de equipamentos e infraestruturas adquiridos com os fundos do MozNorte para apoiar tanto a conservação como o desenvolvimento comunitário:

  • Viaturas: 5 Land Cruisers, 1 tractor John Deere, 1 máquina TLB, 1 camioneta basculante Isuzu
  • Meios de transporte comunitário: 2 motorizadas e 25 bicicletas
  • Equipamentos de saúde: 1 ambulância para o distrito de Mecula
  • Infraestruturas de água: está em processo a reabilitação de 3 furos de água (Guebuza, Ntimbo 2 e Cuchiranga) e construção de 1 novo furo em Mucória

Olhando para o Futuro: Consolidação e Sustentabilidade

O projecto MozNorte representa um exemplo de como a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento comunitário podem caminhar lado a lado, demonstrando que é possível proteger os recursos naturais da Reserva Especial do Niassa enquanto se melhora a qualidade de vida das populações que há gerações coexistem com a rica fauna e flora desta área única de Moçambique.

A Reserva Especial do Niassa, com mais de 42.000 km, é uma das maiores áreas de conservação de África e representa um património natural inestimável para Moçambique e para o mundo. O projecto MozNorte, através da parceria entre a ANAC, BIOFUND, WCS, o Governo do Distrito de Mecula e as comunidades locais, está a construir um futuro em que pessoas e natureza prosperam juntas.

Monte Mabu é destaque como ecossistema estratégico para o desenvolvimento sustentável

Sob lema “Conservação do Monte Mabu: Mais água e desenvolvimento sustentável”, A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em coordenação com a World Wildlife Fund  (WWF) e a União Europeia, realizou no dia 11 de Dezembro, no Auditório Sede do BCI, um evento dedicado à apresentação dos mais recentes resultados científicos e socioeconómicos sobre o Monte Mabu, uma das florestas tropicais de média altitude mais importantes da África Austral.

O encontro permitiu destacar descobertas científicas inéditas, o potencial hidrológico da região e as oportunidades para negócios sustentáveis, incluindo energia limpa, engarrafamento responsável de água, irrigação e turismo baseado na natureza.

Na intervenção de abertura do evento, o representante do Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Hélder Muteia, afirmou: “O Monte Mabu é mais do que um local de extraordinária beleza, é uma fonte de vida, um reservatório de conhecimento e um símbolo das oportunidades que emergem quando ciência, conservação e desenvolvimento se unem em prol do bem comum.” Por sua vez, Aude Guignard, representante da União Europeia, destacou as qualidades ecológicas do Monte Mabu e a necessidade de proteger este monte: “Proteger este ecossistema não é apenas uma necessidade ambiental, é um investimento saudável,” afirmou.

Conhecido como “Ilha do Céu”, o Monte Mabu ergue-se a 1.700 metros de altitude no coração da Zambézia, abrigando cerca de 9.000 hectares da maior floresta tropical de média altitude preservada da África Austral. Através do apoio do programa PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia, duas expedições científicas realizadas entre 2023 e 2024 identificaram mais de uma dezena de espécies endémicas, algumas totalmente novas para a ciência, revelando que Mabu ainda guarda capítulos inéditos da história natural.

O consórcio WWF-ReGeCom-RADEZA apresentou um vídeo de Mabu e os resultados relevantes, como a criação de 11 comités comunitários que culminaram na formação do CONSERVAMABU, responsável pela gestão dos recursos naturais do Monte Mabu com envolvimento comunitário. Foram também realizadas delimitações da área proposta para a criação de uma área de conservação comunitária, a submissão da proposta para a sua declaração, duas expedições científicas e a implementação de cadeias de valor como agricultura sustentável e apicultura.

As comunidades fazem parte das decisões: a Administradora do Distrito de Lugela destacou o desejo das comunidades e do distrito, de declarar o Monte Mabu como Área de Conservação Comunitária e lançou o slogan “Se cuidarmos de Mabu, Mabu cuidará de nós”. Histórias de sucesso apresentadas pela CONSERVAMABU demonstraram o forte envolvimento comunitário na conservação e no financiamento sustentável, com o compromisso: “Estamos prontos para trabalhar mobilizando as comunidades a não caçar, não realizar queimadas descontroladas e conservar a nossa floresta.”

Durante o evento, o Instituto Nacional de Irrigação, em colaboração com a Universidade Eduardo Mondlane, apresentou resultados sobre o potencial hidrológico da região. Realizou-se também um painel de debate sobre oportunidades de financiamento e foi apresentada a análise de viabilidade das cadeias de valor implementadas em Mabu, destacando que a combinação de subprodutos da agricultura e da apicultura é a mais promissora. . Entre as limitações, apontou-se a dificuldade de acesso ao Monte Mabu, que pode restringir actividades de ecoturismo e o escoamento de produtos agrícolas.

Realizado numa data em que se celebra o dia internacional das montanhas, 11 de Dezembro, o evento contou com a participação de 96 pessoas presencialmente e 17 online, representando instituições como União Europeia, Banco Mundial, IUCN, UEM, INIR, FUNAE, Maliasili, Água Vumba, Greenlight, Ara-Sul, Cruz Vermelha, Embaixada Alemã, KFW, FCDO-UK, WWF, ReGeCom, RADEZA, WCS, Enabel, FNDS, Parque Nacional da Gorongosa, ABIODES, BCI, MozaBanco, OWAMI, Marmo, FAO, entre outras. A iniciativa teve como objectivo despertar a atenção de diferentes partes interessadas para garantir a continuidade das actividades realizadas em Mabu no âmbito do PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia e gerido pela BIOFUND e pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Este programa conta com diferentes implementadores de projectos específicos nas províncias da Zambézia e de Nampula, entre os quais se destaca o consórcio WWF-ReGeCom-RADEZA, responsável pela implementação do Projecto de Apoio à Conservação do Monte Mabu

Avaliação nacional da fase 2 do Programa COMBO+ destaca progressos da implementação em Moçambique

Entre os dias 1 e 5 de Dezembro de 2025, teve lugar em Maputo a avaliação nacional do Programa COMBO+, um exercício que reuniu representantes do Governo, sector privado, organizações da sociedade civil, academia e parceiros de cooperação, com o objectivo de analisar os principais progressos, desafios e lições aprendidas no contexto da sua implementação em Moçambique.

Ao longo da semana, decorreram diversas reuniões técnicas e bilaterais com a equipa do Programa- WCS, BIOFUND e DINAMC – e outras instituições estratégicas, como a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Parque Nacional do Maputo, Direcção Nacional de Geologia e Minas (DNGM), Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Kenmare, Portucel-Moçambique, Fundação Likhulu, culminando com um workshop final, que proporcionou um espaço de reflexão conjunta sobre os resultados alcançados e os próximos passos do Programa.

Foi adoptada uma abordagem interactiva, permitindo aos participantes partilhar percepções sobre o grau de progresso das diferentes áreas de intervenção, os resultados alcançados e os aspectos que ainda carecem de consolidação.

A avaliação incidiu sobre as quatro componentes estruturantes do Programa COMBO+, nomeadamente:

  • o apoio ao fortalecimento do quadro político-legal do país;
  • o desenvolvimento de ferramentas técnicas e guiões;
  • a capacitação multissectorial; e
  • os mecanismos de implementação de contrabalanços de biodiversidade.

No balanço geral, Moçambique destacou-se positivamente em relação aos demais países de implementação do Programa COMBO+ recentemente avaliados, nomeadamente Laos, Myanmar, Madagáscar, Guiné e Uganda, pelos avanços registados ao nível do enquadramento legal, desenvolvimento de ferramentas de biodiversidade, fortalecimento institucional e mobilização de financiamento para a conservação da biodiversidade.

Foi igualmente debatida a relevância do apoio técnico contínuo às instituições públicas, tendo emergido, como reflexão estratégica, a importância de se investir cada vez mais na identificação e fortalecimento de “campeões institucionais”, tanto a nível central como provincial, capazes de liderar os processos de forma progressivamente mais autónoma, assegurando maior apropriação nacional e sustentabilidade das actividades a longo prazo.

Entre os desafios identificados, foi referido que a implementação dos contrabalanços de biodiversidade continua a exigir um processo permanente de diálogo e sensibilização junto dos proponentes de projectos, bem como um aprofundamento da articulação entre os diferentes instrumentos de ordenamento, conservação e desenvolvimento, de modo a assegurar maior previsibilidade na identificação das áreas receptoras de contrabalanços.

A semana de avaliação reafirmou, de forma clara, a centralidade da coordenação interinstitucional como pilar fundamental para o sucesso do Programa, destacando-se os ganhos já alcançados na articulação entre os sectores do ambiente, ordenamento do território, conservação, sector privado, academia e sociedade civil.

Foi ainda amplamente reconhecido o contributo estratégico da BIOFUND no reforço do financiamento do Programa COMBO+ em Moçambique, através do aumento significativo dos recursos mobilizados para a implementação das diferentes componentes, consolidando o seu papel como uma instituição-chave na arquitectura de financiamento da biodiversidade no país.

O programa COMBO+ apoiou-nos muito na implementação das matérias sobre Hierarquia de Mitigação e Contrabalanços de Biodiversidade. O Assistente Técnico destacado para a nossa instituição apoia-nos em questões técnicas, principalmente aquelas ligadas a aspectos geoespaciais dos projectos, de modo que possamos ter informação mais detalhada sobre as áreas por avaliar.” Afirma Josefa Jussar, chefe do departamento de licenciamento ambiental da DINAMC

A avaliação concluiu que o Programa COMBO+ continua a desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da aplicação da hierarquia de mitigação e implementação dos Contrabalanços de Biodiversidade em Moçambique, estando claro os avanços alcançados ao longo dos últimos anos, bem como os desafios que exigem respostas coordenadas, realistas e sustentáveis, num contexto de crescente pressão sobre os recursos naturais e de reforço dos compromissos nacionais e internacionais de conservação.

Acácio Chechene: Do Estágio à Atuação Regional em Conservação da Biodiversidade

Acácio Chechene foi estagiário da 3ª edição do Programa de Estágios do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), implementado pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) em colaboração com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), financiado pela Embaixada da Suécia e Banco Mundial.

Durante o estágio, Acácio integrou no programa (COMBO+), uma iniciativa implementada pela BIOFUND em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS), focada na aplicação de contrabalanços de biodiversidade em Moçambique.

No estágio, Acácio teve a oportunidade de aplicar a directiva de hierarquia de mitigação de forma prática e estruturada, o que lhe permitiu compreender melhor os desafios reais da conservação no terreno. Mais do que uma simples vivência técnica, o estágio representou um verdadeiro mergulho no mundo profissional, onde enfrentou desafios que exigiram desenvolvimento da capacidade de expressão, autoconfiança, pensamento crítico e adaptação à dinâmica das actividades do programa.

Mestrado em Biologia de Conservação, já tinha uma base sólida, mas foi no terreno que consolidou o seu conhecimento. Com o excelente desempenho, a BIOFUND tinha planos para integrá-lo na equipa, mas o seu talento chamou a atenção da WCS, que o contratou para um projeto internacional de grande relevância. Actualmente, Acácio está envolvido no projecto “Construindo conhecimento sobre biodiversidade para ação na África Austral: Avaliação, Priorização e Planeamento Espacial da Biodiversidade na África do Sul, Malawi, Moçambique e Namíbia” (SBAPP), liderado pela WCS. Este projeto visa monitorar as ameaças e o nível de protecção dos ecossistemas e espécies, identificando geograficamente áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.

A participação no programa de estágios impulsionou ainda mais o seu interesse pela conservação, reforçado pela sua formação como biólogo marinho e biólogo de conservação. Acácio concluiu o mestrado em Biologia de Conservação, fortalecendo sua capacidade técnica e científica e deseja contribuir activamente para o desenvolvimento sustentável de Moçambique, promovendo o alinhamento entre a conservação da biodiversidade e o crescimento económico.

Como mensagem aos jovens, Acácio deixa um apelo inspirador:

Encarem a biodiversidade como parte integrante de nós mesmos, pois ela é essencial para o nosso futuro. Se os ecossistemas colapsarem e espécies forem extintas, nós e as gerações futuras poderemos sofrer consequências graves.

Duas áreas agrícolas com vedações electrificada no Parque nacional de Mágoè, para mitigação de Conflito Homem-Fauna Bravia.

O Parque Nacional de Mágoè (PNM) conta agora com duas áreas agrícolas protegidas por vedações electrificadas, uma medida que marca um avanço significativo na mitigação do conflito homem-elefante dentro e arredores desta Área de Conservação.

No âmbito do programa de Economia Rural Sustentável (MozRural), financiado pelo Banco Mundial, a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), estabeleceram uma parceria com a Mozambique Wildlife Alliance (MWA) para responder ao aumento dos casos de conflito dentro e nos arredores do PNM.

Neste contexto, na primeira semana de Dezembro de 2025, foi concluída primeira vedação electrificada na área agrícola da comunidade de Daque. A estrutura concebida para manter os elefantes afastados das zonas de cultivo cobre 26,4 hectares e beneficia directamente  45 famílias. A segunda vedação foi finalizada na comunidade de Macacate, abrangendo 31,6 hectares e beneficiando 23 famílias. Estas são as primeiras de 24 vedações previstas para esta área, onde se espera beneficiar mais de 500 famílias.

Complementarmente, já foram encoleirados 12 elefantes, passando a ser monitorados em tempo real através da plataforma EarthRanger, contribuindo para a prevenção de conflitos e melhorando a eficácia na resposta a incidentes.

Estas intervenções, para além de reduzirem os conflitos entre as comunidades e os elefantes, irão fortalecer as comunidades agrícolas, aumentar a segurança alimentar e promover um ambiente favorável ao diálogo sobre conservação.

Clique aqui e veja o vídeo que destaca as iniciativas da MWA nas comunidades.

Da Conferência da Biodiversidade Marinha aos Palcos Internacionais: a Jornada Científica de Tomás Tito

A Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM), liderada pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), tem vindo a consolidar-se como uma verdadeira plataforma de impulso à investigação científica e à participação da juventude na conservação dos recursos marinhos. Um dos exemplos inspiradores deste impacto é a história de Tomás Tito, estudante de Agroeconomia e Extensão Rural na Universidade Eduardo Mondlane, que transformou uma simples ideia nascida em sala de aula numa pesquisa de destaque internacional.

A sua jornada começou na 2ª edição da CBM, organizada pela BIOFUND em colaboração com vários parceiros, onde apresentou o estudo sobre “Educação Ambiental nos Ecossistemas Marinhos: Pesca Artesanal”. A pesquisa, ainda em fase inicial, analisava práticas de exploração pesqueira na Baía de Costa do Sol, em Maputo, e revelou que a pesca artesanal registou um crescimento até 2018, seguido de um declínio acentuado e uma recuperação moderada até 2022. Apesar das oscilações, observou-se um aumento contínuo na quantidade de captura para a maioria das espécies, com destaque para métodos mais sustentáveis como o emalhe e a linha de mão.

A apresentação despertou o interesse do Museus do Mar e da Administração Nacional das Pescas, que prontamente ofereceram apoio técnico e logístico para a continuação e aprofundamento da pesquisa. Com esta colaboração, Tomás reestruturou o estudo e submeteu uma nova versão à 3ª edição da Conferência da Biodiversidade Marinha realizada na Cidade da Beira, em Setembro de 2025, desta vez com foco nos centros de pesca da Costa do Sol (Maputo) e da Macaneta (em Marracuene). O trabalho foi novamente aprovado e apresentado, desta vez com resultados mais robustos e dados concretos sobre a influência da educação ambiental na adopção de práticas sustentáveis.

A pesquisa revelou que as artes de pesca mais utilizadas nos dois centros são a rede de arrasto, e o emalhe. Em relação à perceção dos pescadores sobre práticas sustentáveis, 25% identificaram o uso de malhas adequadas como uma medida positiva, enquanto 17% apontaram a redução da frequência de idas ao mar e 11% destacaram o cumprimento dos períodos de veda. A partilha de informação nas comunidades pesqueiras mostrou-se predominantemente horizontal, com o presidente do Comité de Co-gestão de Pescas (CCP) a ser a principal fonte de informação para pescadores, seguido por amigos pescadores (13%) e a administração marítima (10%). A análise estatística indicou que o tempo de experiência na pesca e a participação activa nos CCPs influenciam significativamente a adoção de prácticas sustentáveis.

O reconhecimento do trabalho de Tomás ultrapassou fronteiras. A sua pesquisa foi seleccionada para o Simpósio da WIOMSA, o maior fórum de ciências marinhas da África Ocidental, realizado em Mombasa, no Quénia. Lá, o jovem investigador apresentou o seu estudo na sessão de pósteres, conquistando visibilidade internacional e estabelecendo contactos com especialistas de toda a região.

Esta é uma história inspiradora que demonstra como a Conferência da Biodiversidade Marinha se afirma como uma verdadeira plataforma de lançamento para jovens investigadores, conectando ideias locais a oportunidades globais. A trajetória de Tomás Tito é um testemunho do poder transformador da juventude e da ciência na construção de um futuro mais sustentável para os nossos oceanos.

Conservação Integrada, Desenvolvimento Comunitário e Preparação para um Futuro Resiliente

Coutada 11 do Complexo de Marromeu: Onde os leões voltaram a rugir

Há três décadas, a paisagem da Coutada 11 enfrentava um cenário crítico, a caça furtiva e o declínio das populações de fauna e a degradação dos habitats ameaçavam transformar este ecossistema único do Delta do Zambeze num território silencioso e frágil. Hoje, esse silêncio quebrou-se. Ouve-se novamente o rugido dos leões.

A Zambeze Delta Safaris (ZDS), que gere a coutada há mais de três décadas, lidera um dos exemplos mais bem-sucedidos de recuperação da fauna em Moçambique. O último censo aéreo de 2024 confirmou o que já era visível no terreno: populações de grandes mamíferos a crescer, habitats revitalizados e um sistema ecológico que recupera o seu equilíbrio natural.

Mas o renascimento da vida selvagem não se fez apenas com ciência e estratégia; fez-se também com pessoas. A ZDS investiu na construção de escolas, criou um centro de saúde e impulsionou actividades económicas locais, incluindo agricultura e produção de mel, que hoje geram rendimentos reais para as comunidades vizinhas.

O regresso dos leões e das chitas, reintroduzidos com rigor científico, é apenas a face mais visível de uma história maior: a de uma coutada que se transformou num farol de esperança para a conservação em África, onde a natureza, a ciência e as comunidades avançam lado a lado.

A Coutada 11 tornou-se, assim, um exemplo de como a ciência, a gestão responsável e o envolvimento das comunidades podem transformar uma área ameaçada num caso de sucesso continental. Esta visão integrada será ainda fortalecida nos próximos anos com o início do Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC) e gerido pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, previsto para 2026, que irá impulsionar iniciativas sociais e ecológicas em toda a paisagem de Marromeu.

PLCM prepara nova fase para Impulsionar a Transformação do Sector da Conservação em Moçambique

Mais oportunidades para jovens moçambicanos se capacitarem na conservação da natureza e uma aposta reforçada na Educação Ambiental marcam a nova fase do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), apresentada na 9.ª sessão do Comité Directivo, realizada a 27 de Novembro, na cidade de Maputo.

Promovido pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), o encontro juntou cerca de 21 participantes, entre representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Área de Protecção Ambiental de Maputo (APA-Maputo), UNIZAMBEZE, Parque Nacional da Gorongosa, Banco Mundial, Embaixada da Suécia e outros parceiros estratégicos. O objectivo central foi discutir os resultados  alcançados nos últimos 11 meses e alinhar a nova abordagem do PLCM para o período 2026-2030.

Ao apresentar o balanço do programa, Luís Bernardo Honwana destacou a avaliação positiva do PLCM, em particular na componente de estágios pré-profissionais, e sublinhou a importância de tratar o programa como uma das iniciativas estruturantes da BIOFUND, de forma a garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.

Desde a última reunião do Comité Directivo, realizada em Setembro de 2024, o programa registou avanços substanciais. Na componente I, foram realizados intercâmbios profissionais entre diferentes Áreas de Conservação, promovendo a partilha de experiências entre equipas no terreno. Na componente II, cerca de 56 novos estagiários foram colocados em vários centros de estágio, com foco nas Áreas de Conservação, e 19  jovens depois de concluírem os seus estágios (de anos anteriores), foram contratados nas equipas de diversas instituições do sector de conservação e outros.

Um dos aspectos discutidos foi a necessidade de melhorar os mecanismos de divulgação e partilha de informação, uma vez que quase 50% das candidaturas ao programa continuam a concentrar-se na Província e Cidade de Maputo, enquanto a Província de Niassa apresenta um número muito reduzido de candidatos. Por outro lado, na Reserva Especial do Niassa (REN), cerca de 45 jovens de comunidades locais, participaram em cursos de curta duração e receberam kits de empreendedorismo, abrindo novas oportunidades de geração de rendimento ligado à conservação.

A nova abordagem do PLCM manterá as três componentes existentes, mas passando a componente I a ser implementada directamente pela ANAC. Entre as melhorias já em curso, destaca-se o modelo de indução imersiva 100% presencial, realizado no Parque Nacional de Maputo em Abril de 2025, que ofereceu aos estagiários uma primeira experiência prática nas Áreas de Conservação. Foi igualmente criada uma indução específica para supervisores, reforçando o acompanhamento técnico, pedagógico e logístico no terreno.

Esta nova fase será mais orientada para a Educação Ambiental e para a cidadania ambiental, com metas como a criação de uma Academia Nacional de Conservação, a dinamização da rede Alumni de jovens na conservação, o reforço do apoio pós-estágio e a consolidação de iniciativas de educação para a cidadania ambiental junto de diferentes públicos. Um dos grandes desafios discutidos, é a necessidade de haver um maior compromisso do governo, de garantir empregabilidade dos profissionais que vão sendo capacitados através deste e outros programas de conservação, para que se usufrua deste investimento da melhor forma.

Segundo Alexandra Jorge, Directora de Programas da BIOFUND,

“este comité foi um espaço fundamental para, em conjunto com diferentes intervenientes, trazer contributos que permitam melhorar a estruturação deste novo conceito, capitalizando os pontos fortes e solucionando fragilidades”.

As recomendações do Comité Directivo irão agora guiar os próximos passos para a implementação da nova fase do PLCM, com a ambição de chegar a mais jovens e mais Áreas de Conservação em todo o país.

Transformar Desafios em Soluções: Uma Jornada de Inovação e Esperança

Osbone Maquival, jovem formado em ciências matemáticas, estagiário da 7ª edição do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), é um exemplo inspirador de como a juventude moçambicana está a transformar desafios em soluções concretas para a ação climática. Financiado pela Embaixada da Suécia e Banco Mundial e implementado pela Fundação para Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), o PLCM oferece a jovens recém-formados uma experiência imersiva no sector de conservação, promovendo competências técnicas, liderança comunitária e inovação ambiental.

Alocado no Parque Nacional de Chimanimani (PNC), Osbone foi designado para o sector de monitoria e avaliação. O sector estava ainda em formação, no sector, no entanto em vez de recuar, avançou para além das funções: levou a conservação à Escola Secundária Geral de Sussundenga, mobilizando estudantes para reciclagem, sensibilização sobre biodiversidade e acção comunitária. Da sala de conservação à comunidade, a mudança começou a ganhar corpo.

A sua dedicação culminou na participação no Climate Action Innovation Hub, durante a African Climate Summit 2 (ACS2), em Adis Abeba, Etiópia. Lá, Osbone apresentou uma solução inovadora baseada em inteligência artificial e imagens de satélite Sentinel-1, utilizando Deep Learning para mapear cheias e desenvolver sistemas de alerta precoce. Esta tecnologia visa mitigar os impactos dos ciclones em Moçambique, protegendo comunidades vulneráveis e apoiando políticas de gestão integrada de recursos hídricos.

Esta jornada espelha os princípios do PLCM: liderança jovem, resiliência, educação para cidadania ambiental e compromisso com a adaptação climática.

A sua história é um testemunho poderoso de que, mesmo em contextos desafiadores, é possível inovar, inspirar e contribuir para os objetivos regionais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O PLCM continua a ser uma plataforma essencial para revelar e fortalecer talentos como Osbone, que estão a construir pontes entre ciência, comunidade e ação climática.

Se esta história te inspira, partilha e acompanha o PLCM/BIOFUND para mais pontes entre ciência, comunidade e acção climática.

Do ‘spoiler’ ao game changer: a viagem da Sofia com o PLCM

Quando recorda o seu percurso, a Sofia Nhalungo é categórica: “tenho o privilégio de actualmente estar a trabalhar e sentir-me bióloga de conservação… e tudo é em parte graças ao PLCM, que foi o meu ponto de partida da minha carreira.” Essa afirmação resume o impacto de um programa que transforma jovens licenciados e técnicos médios em profissionais com voz e lugar nas instituições mais relevantes da conservação em Moçambique.

Em 2019, ainda à procura de uma oportunidade real, a Sofia recebeu um aviso que soou a promessa: “foi meio que um spoiler (Spoiler é uma palavra em inglês que quer dizer “contar antes do tempo”. Imagina que te contam o final de um filme antes de o veres: a surpresa fica estragada. Aqui significa que a Sofia recebeu uma dica do que ia acontecer em breve (abrirem candidaturas))… daqui a nada vamos lançar candidaturas, oportunidades para estágios. Vai lá para casa, fica atento às nossas plataformas.” Não sabia ainda que se chamaria Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), mas percebia que aquele poderia ser o ponto de viragem. Candidatou-se, foi seleccionada e, pouco depois foi alocada na Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC): a teoria ganhou prática com botas no chão, poeira no ar e rumo certo.

Na ANAC ficou claro que aquele não seria um estágio passivo: “Fomos recebidos como mão de obra, não como aqueles estagiários típicos que só vêm para observar.” A Sofia mergulhou no licenciamento da caça desportiva e teve a oportunidade de ser parte do grupo pioneiro no uso do novo sistema digital. “Tive a oportunidade de ser das primeiras a usar esse sistema de licenciamento electrónico…” A modernização tornou o processo mais rápido e fiável, e o desempenho da Sofia garantiu a prorrogação do estágio para doze meses. O que começou como algo temporário, transformou-se numa base sólida para o futuro.

Seguiu-se  Niassa, ao mesmo tempo que crescia profissionalmente, e ingressava num mestrado também apoiado pelo PLCM e investigava o impacto da caça desportiva no comportamento das impalas. “Encontrei que há um efeito da caça desportiva: nas áreas de caça, os animais mostram mais a reação de medo à presença humana… esse medo eu medi em função da distância de fuga.” A pesquisa pioneira traduz-se em dados úteis para decisões de gestão. A Sofia resume o significado: “O PLCM foi o ‘game changer’ para mim na minha carreira profissional.

A rede de contactos e o networking do PLCM abriram portas. Hoje, integra a equipa do Parque Nacional da Gorongosa, onde acompanha monitorias com cameras traps e aprofunda a ligação à natureza. “É um trabalho mais dinâmico. Estou em mais conexão com a natureza e terei também mais oportunidade de desenvolver pesquisas…” O fio que começou no spoiler de 2019 transformou-se numa história de competência consolidada.

Este efeito multiplica-se: a Sofia aconselha jovens candidatos, responde a dúvidas e inspira confiança. “Vale a pena apostar no PLCM… o mais importante de tudo é fazer networking e mostrar o seu valor.” O programa é um trampolim que liga universidades, áreas de conservação e entidades públicas e privadas, criando oportunidades reais para a primeira investigação, o primeiro contrato, o primeiro mentor. E é também uma engrenagem estrutural: ao formar quadros e apoiar instituições, o PLCM reforça directamente a capacidade do país em proteger os seus ecossistemas, gerir espécies e implementar políticas de conservação.

E os números confirmam: entre 2019 e 2025, o PLCM financiou subvenções de pesquisa, integrou centenas de jovens em estágios e levou educação ambiental a dezenas de milhares de pessoas. Para 2025–2030, o PLCM gostaria de escalar: criar uma Academia Nacional de Conservação, capacitar 500 técnicos, integrar≥500 jovens (40% mulheres), dinamizar 300 clubes ambientais e realizar pelo menos 6 campanhas de comunicação nacionais

A história da Sofia mostra o que o PLCM representa: um spoiler transformado em carreira, um estágio transformado em serviço público, uma pergunta científica transformada em ferramenta de gestão. Para os jovens, a mensagem é clara: candidatem-se, preparem-se e mostrem o vosso valor. Para os financiadores, a equação é simples: investir no PLCM é apostar em resultados concretos na inclusão de talento local, na eficácia das instituições, e sobretudo, na protecção viva da biodiversidade moçambicana.

O PLCM é um programa conjunto da BIOFUND e da ANAC. À BIOFUND, como líder do programa cabe-lhe a responsabilidade de mobilizar, formar e inspirar jovens, através de bolsas, estágios e programas de cidadania ambiental, à ANAC, como autoridade nacional, compete enquadrar estes jovens nas áreas de conservação, garantir supervisão técnica e transformar o seu contributo em valor efectivo para a gestão. É desta colaboração que resulta a força do programa: um elo de confiança que une sociedade civil e governo, com impacto directo na conservação da biodiversidade.

O programa teve o seu arranque em 2019 com o financiamento exclusivo do Banco Mundial e, desde 2023, também com o apoio financeiro adicional da Embaixada da Suécia em Moçambique, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA).

Conservação e Desenvolvimento: BIOFUND reforça alianças estratégicas para a conservação no Complexo de Marromeu

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, realizou uma missão estratégica ao Complexo de Marromeu (composto pela Reserva de Marromeu e as Coutadas 10, 11, 12, 14), liderada pelo Director Executivo Luís Bernardo Honwana, com o objectivo de reforçar a articulação com o Governo local, com o Sector Privado e com as Comunidades em prol da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável.

Durante a  missão, realizada entre os dias 11 e 13 de Novembro de 2025, a equipa percorreu as Coutadas 10, 11, 14, bem como a Reserva Nacional de Marromeu, onde conheceu de perto a realidade de cada uma destas áreas, a sua gestão, desafios e constrangimentos, bem como os apoios ao desenvolvimento comunitário.

Contributo estratégico das Coutadas para a conservação e o desenvolvimento local

Estas Coutadas de caça controlada, de grande beleza natural, recebem quase metade dos turistas cinegéticos que visitam anualmente Mocambique, sendo já empresas de referência internacional, com varios nichos de mercado na sua especialidade. A sua actividade representa,  além de uma importante fonte de receitas para o estado e as comunidades, uma forma de protecção e de presença estratégica ao redor da Reserva Nacional de Marromeu, contribui para o controle da caca furtiva, gera empregos, assegura a substência das comunidades e oferece apoio social multifacetado.

Coutada 11 Zambeze Delta Safaris: um exemplo de recuperação da fauna

A Coutada 11 é gerida pela Zambeze Delta Safaris (ZDS), que conta com mais de 30 anos de operação no terreno e  apresenta resultados notáveis na recuperação da fauna, evidenciados pelo aumento significativo da maioria das populações faunisticas, conforme o último censo de fauna realizado em 2024. A ZDS tem igualmente expandido o seu programa de conservação de felinos, com a reintrodução de  leões e chitas, e o desenvolvimento de equipas científicas dedicadas a estudos ecológicos. Para além dos resultados de conservação, a ZDS  investe de forma consistente em iniciativas sociais, incluindo a  construção de escolas, a criação de um centro de saúde e o apoio a actividades económicas locais, como a agricultura,  a produção e comercialização de mel.

Coutada 10 Marromeu Safaris: comunidades como aliadas da conservação

A Coutada 10, é gerida pela  Marromeu Safaris, que opera na coutada a há mais de uma década, e se destaca pela forte inclusão das comunidades locais no combate à caça furtiva e no apoio a iniciativas de desenvolvimento comunitário. A empresa tem igualmente  estabelecido  parcerias relevantes, com destaque para a Associação Portuguesa de Apoio a Africa (APOIAR), para promover o apoio a educação e apoiar  cozinhas escolares que garantem duas refeições diarias a todos os alunos.

Coutada 14 Nyati Safaris: biodiversidade e integração de jovens profissionais

A Coutada 14 é gerida pela  Nyati Safris a cerca de 30 anos e mantém o seu acampamento principal mais a sul da coutada, junto a fronteira com a Reserva de Marromeu, uma zona particularmente  rica em biodiversidade dentro do complexo. Durante a visita foi destacado o valor acrescentado trazido pelos  estagiarios do PLCM, cuja  contribuição técnica, dedicação e forte engajamento no apoio comunitário, tem tido um impacto muito positivo na região e na redução da caça furtiva.

Encontros institucionais para alinhamento estratégico

A missão incluiu reuniões institucionais com a Administradora do Distrito de Marromeu, Maria Waite Juliasse, e com o Administrador da Reserva Nacional de Marromeu, Benjamin Luís Garrife Massangaisse, em conjunto com representantes da Frankfurt Zoological Society. (FZS), entidade parceira da ANAC, de apoio técnico e financeiro a Reserva de Marromeu. As partes abordaram o alinhamento de esforços para a implementação do Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC).

Por sua vez, a Administradora do Distrito de Marromeu, Maria Waite Juliasse, expressou satisfação com a visita e destacou o desejo de ver reforçada a presença da BIOFUND na promoção de projectos de conservação e mitigação do conflito homem-fauna bravia.

Um Ecossistema de relevância internacional

O Complexo de Marromeu, localizado no Delta do Zambeze, é reconhecido como um dos ecossistemas mais ricos e emblemáticos da África Austral. É desde 2004 reconhecido internacionalmente como Sítio Ramsar, o que significa que é uma Zona Húmida de Importância Internacional, protegida ao abrigo da Convenção de Ramsar sobre Zonas Húmidas. A BIOFUND tem vindo a apoiar diversas iniciativas transformacionais na paisagem do Complexo de Marromeu, destacando o Projecto MozBio 2, financiado pelo Banco Mundial que terminou em 2024, implementado na Reserva de Marromeu.

Parcerias estratégicas: um avanço determinante para a conservação em Moçambique

A partir de 2025, a BIOFUND estabeleceu um Grant de longo prazo, de apoio a custos recurrentes operacionais da RN Marromeu, que tem sido usado numa planificação conjunta com a FZS. Destaque também para o apoio do BioFundo de Emergencia durante a pandemia do Covid-19, em que as Coutadas 11, 14 e a RN Marromeu, beneficiaram de apoio para o pagamento de salarios de fiscais e trabalhadores locais, onde um total de mais de 1000 pessoas tiveram os seus empregos assegurados, durante 18 meses.

Esta missão, cuja logística e hospedagem foi gentilmente facilitada pelos diversos operadores, reconhece o papel fundamental, simultaneamente comercial, de conservação, de desenvolvimento e filantrópico dos operadores privados nesta paisagem. Marca ainda, um passo significativo na consolidação das parcerias estratégias bem como na preparação da Fase 1 do Projecto CLCR que iniciará em 2026, reforçando o papel incontornável da BIOFUND no financiamento à conservação e na promoção de iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

Equipa multissectorial avalia impactos do Projecto MozNorte entre 3 e 14 de Novembro

Entre os dias 03 e 14 de Novembro decorreu a missão de supervisão e acompanhamento do Projecto de Resiliência Rural do Norte de Moçambique (MozNorte), com o objectivo de avaliar o progresso das actividades implementadas, assegurar o cumprimento dos planos de trabalho e reforçar a articulação entre os parceiros envolvidos na execução. A missão contou com a participação de representantes do Banco Mundial, do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul-FP (ProAzul), Nações Unidas para Serviços de Projectos (UNOPS), Administracao Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) que ao longo de duas fases acompanharam de perto a evolução das iniciativas desenvolvidas no âmbito do projecto.

Nesta primeira fase, realizada entre 03 e 07 de Novembro, as equipas apresentaram o conjunto de intervenções efectuadas desde a última missão de Maio do ano corrente, permitindo uma análise detalhada dos avanços registados nas componentes de melhoria na gestão das Áreas de Conservação alvo, governação comunitária, capacitação institucional e fortalecimento dos mecanismos de gestão de recursos naturais. Foram igualmente discutidos os progressos nas acções de mitigação e resposta a conflitos entre homem-fauna bravia e na preparação de instrumentos de gestão territorial. Esta fase permitiu identificar melhorias consistentes na organização comunitária, no envolvimento das lideranças locais e na consolidação das estruturas que apoiam a implementação das actividades no terreno, destacando-se também a necessidade de acelerar a finalização de alguns instrumentos técnicos essenciais.

A segunda fase da missão correspondeu à visita de campo realizada no dia 12 de Novembro, na província do Niassa, distrito de Sanga, onde estiveram presentes equipas do Banco Mundial, BIOFUND, ANAC e Helvetas Moçambique, parceiro de implementação do projecto em Chipanje Chetu. A deslocação às comunidades de Macaloge, Maumbica e Nova Madeira, permitiu observar directamente o impacto das acções do projecto e recolher percepções das famílias, comités locais e beneficiários das diferentes iniciativas.

Em Macaloge, foi visitado o programa de formação profissional em carpintaria, que funciona como uma verdadeira incubadora de competências técnicas. Cinco (05) jovens aprendizes, muitos deles sem experiência prévia, beneficiam de formação prática supervisionada de 06 meses, com certificação reconhecida e preparação para receber ferramentas e equipamento inicial para geração de auto rendimento. Os beneficiários demonstraram a transformação proporcionada pela formação, não apenas na criação de oportunidades de auto-emprego, mas também na valorização do trabalho local e na melhoria da qualidade dos serviços disponíveis na comunidade.

Em Maumbica, a missão acompanhou o trabalho desenvolvido no âmbito da educação ambiental na Escola Primária, onde clubes ambientais, clubes de raparigas e um sistema organizado de professores auxiliares e madrinhas promovem actividades de sensibilização, conservação e cidadania ambiental junto das crianças. As iniciativas incluem aulas práticas em oficinas ambientais, cântico, dança, sessões especificas para as raparigas sobre temas relacionados a saúde sexual e reprodutiva, higiene, uniões prematuras, evasão escolar, e acompanhamento de estudantes que prosseguem os estudos no ensino secundário através de apoio em internato. A visita evidenciou o papel desta componente na formação de futuros líderes comunitários e na criação de uma base sólida de conhecimento local sobre a importância da conservação.

Na comunidade de Nova Madeira, a equipa reuniu com a COGECO, comités de gestão de recursos naturais, e fiscais comunitários, que apresentaram os resultados alcançados na administração das taxas de concessão e troféus e na promoção de uma gestão participativa e transparente. A missão teve ainda oportunidade de conhecer projectos de diversificação de meios de vida, com destaque para a iniciativa de piscicultura. Um tanque de piscicultura, construído em Junho, recebeu cerca de 2.000 alevinos, onde se espera que seja uma fonte importante de alimentação e rendimento para as famílias locais, reforçando a segurança alimentar e a resiliência económica da comunidade.

A missão permitiu registar progressos sólidos na implementação do Projecto MozNorte, revelando uma crescente apropriação comunitária, maior organização local e melhorias claras na forma como as comunidades compreendem e gerem os recursos naturais que as sustentam. Os parceiros reafirmaram o compromisso de continuar a apoiar o fortalecimento institucional, a geração de rendimentos sustentáveis e a promoção de uma abordagem integrada entre conservação e desenvolvimento socioeconómico, contribuindo para a construção de comunidades mais resilientes no Niassa.

Gestão financeira transparente para uma conservação mais sustentável: BIOFUND Encerra formação dos Técnicos do Sistema Nacional das Áreas de Conservação

Decorreu hoje, 07 de Novembro de 2025, na Cidade de Maputo, o encerramento da formação em Planificação e Gestão Financeira dirigida aos técnicos das Áreas de Conservação e da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), promovida pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND.

A capacitação, que teve início no dia 3 de Novembro, contou com a participação de 31 técnicos de 14 Áreas de Conservação, decorreu ao longo de cinco dias, abordando temas como planeamento financeiro, procedimentos de procurement, execução orçamental, controlo interno, reconciliação de despesas, prestação de contas e conformidade administrativa.

Conduzida pelos técnicos da BIOFUND Fenias Nhari e Celina Sitole, a formação teve um enfoque prático e interactivo, permitindo aos participantes aplicar os conceitos em simulações e exercícios de grupo.

Esta capacitação permitiu fortalecer a confiança dos técnicos e melhorar a compreensão dos processos financeiros que sustentam a boa execução dos projectos, foi essencial para que cada técnico compreendesse o impacto directo da sua actuação na credibilidade institucional e na boa gestão dos recursos destinados à biodiversidade”. Destacaram os formadores

Durante a sessão de encerramento, a Directora de Programas da BIOFUND, Alexandra Jorge, destacou a importância da formação contínua para a sustentabilidade das acções de conservação.

Esta capacitação contínua é importante para divulgar e socializar os nossos procedimentos financeiros e partilha de experiências entre os técnicos do Sistema Nacional das Áreas de Conservação. Agradecemos a vossa participação e contamos convosco para transformar estes conhecimentos em práticas consistentes e transparentes no vosso trabalho diário”, afirmou.

Os participantes mostraram-se igualmente satisfeitos com os resultados da formação. Para Maria Bernardo, Técnica Financeira da ANAC, “com este treinamento será mais fácil conciliar as actividades diárias e melhorar os procedimentos financeiros, permitindo uma execução mais eficiente das acções de conservação”.

António Domingos, Técnico do Parque Nacional de Chimanimani, referiu que “a execução do orçamento tem sido um grande desafio devido a falhas nos procedimentos de procurement e finanças, e esta formação veio clarificar os processos para uma execução mais eficaz e transparente”.

Esta acção integra os esforços contínuos da BIOFUND e da ANAC para fortalecer a capacidade institucional do Sistema Nacional das Áreas de Conservação, assegurando que os fundos destinados à conservação da biodiversidade sejam geridos com responsabilidade, transparência e rigor técnico. A capacitação realiza-se anualmente para reforçar as capacidades dos  beneficiários e implementadores, que implementam directamente no terreno os projectos e actividades apoiadas através dos fundos da BIOFUND (provenientes do rendimento do endowment), assim como de fundos provenientes dos doadores como o Banco Mundial, o Governo Sueco, a União Europeia e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

UTC reforça aplicação do Diploma Ministerial n.º 55/2022 de 19 de Maio sobre contrabalanços de biodiversidade

A Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC), com o apoio dos parceiros do Programa COMBO+– a Wildlife Conservation Society (WCS) e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) – realizou no dia 29 de Outubro de 2025, em Maputo, a terceira reunião operacional da Unidade Técnico-Científica (UTC) de Apoio aos Contrabalanços de Biodiversidade.

O encontro reuniu 16 representantes do governo, academia, sociedade civil e sector privado para reforçar o processo de coordenação e implementação de contrabalanços de biodiversidade. A UTC é um órgão multissectorial criado em 2023 para apoiar o Governo de Moçambique na implementação do Diploma Ministerial n.º 55/2022, de 19 de Maio, que estabelece as regras e procedimentos para que os proponentes de projectos de desenvolvimento de categoria A+ e A, com impactos negativos residuais significativos sobre a biodiversidade, implementem Planos de Gestão de Contrabalanços de Biodiversidade (PGCB) em Moçambique.

Na reunião foram apresentados os produtos e acções mais recentes desenvolvidas pelo Programa COMBO+ para apoiar a implementação da Directiva dos Contrabalanços de Biodiversidade (Diploma Ministerial n.º 55/2022), nomeadamente:

  • Guião Ambiental para Proponentes de Projectos em Moçambique, uma brochura prática em português, inglês e mandarim, que orienta os proponentes dos projectos de desenvolvimento sobre os requisitos ambientais a cumprir antes da submissão dos seus projectos ao Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP). O guião está em via de aprovação pelo MAAP e, posteriormente, será divulgado às diferentes partes interessadas.
  • Progresso do desenvolvimento da métrica para o Elefante Africano, destinada a quantificar perdas e ganhos de biodiversidade associadas a projectos de desenvolvimento de categoria A+ e A. Esta métrica será uma ferramenta essencial para orientar projectos que possam afectar populações de elefantes ou os seus habitats, garantindo medidas eficazes de contrabalanço.
  • Acompanhamento do 1.º PGCB no país, desenvolvido pela Kenmare Resources PLC, empresa mineira que opera a Moma Titanium Minerals Mine desde 2007. A Kenmare é o primeiro proponente em Moçambique a elaborar um PGCB, marcando um passo pioneiro na aplicação prática da legislação nacional sobre contrabalanços de biodiversidade.

O Programa COMBO+ (2021–2025) é uma parceria entre a WCS, BIOFUND e Governo de Moçambique que visa apoiar o país a desenvolver e implementar políticas para compatibilizar o desenvolvimento económico com a conservação da biodiversidade. O programa actua em 4 frentes: i) políticas, legislação e engajamento sectorial; ii) ferramentas, guiões técnicos e produção de dados; iii) capacitação; iv) estabelecimento de mecanismos  de implementação de medidas para mitigar os impactos negativos de desenvolvimento sobre a biodiversidade e contrabalançar os impactos residuais. Desde a criação da UTC, as acções de formação e a troca de experiências têm fortalecido as equipas nacionais na identificação de áreas sensíveis de biodiversidade e no uso de métricas ecológicas para avaliar  perdas causadas pelos projectos de desenvolvimento em ecossistemas e espécies, assim como os potenciais ganhos resultantes das acções de contrabalanço.

Foi acordado que a próxima reunião ordinária da UTC será realizada no primeiro trimestre de 2026, em Maputo, para acompanhar a execução do PGCB em curso e mapear novas áreas potencialmente receptoras de contrabalanços de biodiversidade.

A iniciativa é apoiada pelo Programa COMBO+, financiado pela Agence Française de Développement (AFD), o Fonds Français pour l’Environnement Mondial (FFEM) e o Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade. Estes parceiros apoiam Moçambique na compatibilização do desenvolvimento económico com a conservação da biodiversidade, contribuindo para as metas globais de “Nenhuma Perda Líquida” e “Ganho Líquido de Biodiversidade”.

BIOFUND Reforça Compromisso com a Conservação da Biodiversidade de Moçambique no Congresso Mundial de Conservação da IUCN 2025

Fundação destaca soluções de financiamento sustentável, governação local e parcerias regionais em Abu Dhabi (9–15 de Outubro)

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) marcou presença expressiva no Congresso Mundial de Conservação da IUCN 2025, decorrido de 9 a 15 de Outubro em Abu Dhabi, onde reforçou o compromisso institucional com a conservação da natureza e o desenvolvimento sustentável em Moçambique.

O evento, que reuniu decisores, cientistas, representantes de organizações da sociedade civil e líderes de povos indígenas de mais de 140 países, foi um espaço estratégico para partilha de experiências, inovação e definição de prioridades globais para a protecção da biodiversidade.

A BIOFUND apresentou uma exposição técnica e interactiva, dedicada à biodiversidade moçambicana, realizada em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC). O espaço evidenciou a riqueza do país e o papel complementar de diversos intervenientes na promoção da sustentabilidade das Áreas de Conservação, reunindo materiais sobre principais iniciativas emblemáticas, como o Endowment Fund, o Cartão bio, o Projecto MozNorte (financiado pelo Banco Mundial), o Programa de Conservação da Biodiversidade (financiado pela Suécia), o Programa de Contrabalanços de Biodiversidade (financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Fundo Francês para o Ambiente (FFEM) , Programa de Conservação da Biodiversidade financiado pelo Governo da Suécia) e o PROMOVE Biodiversidade (financiado pela União Europeia), além de mecanismos de financiamento comunitário e os programas de educação ambiental apoiados pela BIOFUND.

A exposição despertou grande interesse, sobretudo pelos modelos inovadores de financiamento sustentável e pelas parcerias público-privadas promovidas pela Fundação, tornando-se um ponto de referência para networking e troca de experiências, reforçando a visibilidade internacional da instituição e de Moçambique.

Paralelamente, a BIOFUND participou em sete sessões temáticas, partilhando experiências e soluções estratégicas em financiamento sustentável, conservação comunitária, contrabalanços de biodiversidade, inovação financeira e hierarquia de mitigação. A BIOFUND e parceiros, destacaram a eficácia do programa COMBO+ na conciliação entre desenvolvimento económico e conservação, com Moçambique como caso de sucesso em pilotos de biodiversidade e fortalecimento da capacidade técnica.

A presença de jovens profissionais da BIOFUND também marcou o Congresso, com destaque para Humaira Badrú, Kevin Correia e Moisés Mutevuie, todos antigos beneficiários do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM). Enquanto Humaira Badrú e Kevin Correia participaram activamente nas sessões Youth on the Frontlines of Nature Conservation e Blue Nature – From Conservation to Sustainable Financing for Improved Livelihoods, ilustrando o impacto do investimento contínuo da BIOFUND na capacitação de jovens líderes, Moisés Mutevuie, actualmente profissional na área financeira da Fundação, representa como o programa também contribui para o desenvolvimento de carreiras especializadas no sector da conservação.

No âmbito da Africa Keystone Partnership, a Fundação evidenciou-se como modelo de Fundo Fiduciário para a Conservação (CTF), demonstrando que mecanismos financeiros estáveis geram impactos concretos na conservação e no desenvolvimento comunitário, reforçando a importância da governança institucional e da cooperação transfronteiriça. Em painéis sobre restauração ecológica e escalonamento de financiamento via CTFs, a BIOFUND abordou a aplicação da ciência para integrar conservação, desenvolvimento e benefícios comunitários, exemplificando instrumentos como o Endowment Fund e o Cartão Bio. A BIOFUND destacou ainda o papel de plataformas regionais colaborativas, como a Sustainable Finance Coalition, na mobilização de capital ambiental e na replicação de boas práticas, bem como instrumentos emergentes como blue bonds, blended finance e nature credits. Por fim, reforçou a relevância de estruturas locais de governança para credibilidade e impacto, salientando que o futuro da conservação dependerá da mobilização de instrumentos híbridos e do fortalecimento de parcerias internacionais.

A participação da BIOFUND estendeu-se à Assembleia de Membros da IUCN (espaço máximo de deliberação e tomada de decisão da União) reforçando o reconhecimento internacional da Fundação como membro activo, e o alinhamento com os valores e princípios da conservação global, promovendo a colaboração entre governos, organizações não governamentais, sector privado, academia e instituições de pesquisa, sociedade civil, povos indígenas e fundos fiduciários, e consolidando a importância do trabalho colectivo para atingir metas internacionais como o Global Biodiversity Framework e o Acordo de Paris.

Encontro com o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas destaca parceria estratégica para um plano de acção decenal e intervenções de qualidade em prol de Moçambique

13 de Outubro de 2025, Maputo — A BIOFUND foi recebida pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Roberto Mito Albino, num encontro de alto nível que sublinhou a necessidade de equilibrar conservação da biodiversidade e desenvolvimento. O repto lançado pelo Ministro, acolhido pela BIOFUND com sentido de missão, foca a construção de uma mensagem única do país e de um plano de acção para os próximos 10 anos, assente em intervenções de qualidade e resultados mensuráveis.

Pontos-chave do encontro

Equação conservação-desenvolvimento: alinhar investimentos e políticas públicas para gerar impacto ambiental e económico positivo.

Uso sustentável: definição de módulos de exploração sustentável nas áreas de conservação e eventual revisão de fronteiras de coutadas, para disciplinar o uso dos recursos e minimizar conflitos homem-fauna bravia.

Revisão de instrumentos políticos e estratégicos: actualização de referenciais para responder a exigências internas e externas.

Qualidade e financiamento: foco na qualidade das intervenções e mobilização de financiamentos e projectos com parceiros nacionais e internacionais.

O Ministro Roberto Albino reconheceu a experiência e credibilidade técnica da BIOFUND, afirmando que a Fundação “tem capacidade técnica e respeitabilidade suficientes para captar financiamentos e projectos que garantam o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento”.

Em resposta, o PCA da BIOFUND, Embaixador Carlos dos Santos, destacou que “a BIOFUND dispõe de capacidade técnica instalada para contribuir para o desenvolvimento sustentável, encontrando o equilíbrio certo entre conservação e desenvolvimento, em consonância com os compromissos globais assumidos por Moçambique”. O encontro contou com a participação do Director Executivo, Luís Bernardo Honwana, e quadros seniores da BIOFUND, bem como membros do Conselho Consultivo do MAAP.

Parceria reforçada com o MAAP

A BIOFUND regista este encontro como uma oportunidade de fortalecimento da colaboração institucional com o MAAP, com vista à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento do país. Esta visão de parceria, e objectivos comuns, orientará o desenho conjunto de soluções, a partilha de conhecimento e a coordenação de acções no terreno.

Leia também a nota do MAAP sobre o encontro — https://www.facebook.com/share/p/14KNBnst9Xs/

De beneficiário do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM) ao Congresso Internacional da IUCN

A história de Kevin Correia é um exemplo inspirador de crescimento profissional e dedicação à causa da conservação. Beneficiário da 5ª edição do Programa de Estágio Pré-Profissional do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), uma iniciativa inicialmente financiada pelo Banco Mundial, através do projecto MozBio 2, e actualmente  apoiada pelo Governo da Suécia e implementada pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) através do PLCM, Kevin iniciou o seu percurso contribuindo activamente para o desenho do Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR) financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), um dos maiores projectos de conservação.

O seu desempenho e compromisso com a conservação da natureza abriram-lhe novas oportunidades, levando-o a integrar a BIOFUND como Oficial Júnior de Projectos.

Actualmente, Kevin é um dos representantes de Moçambique e da BIOFUND no Congresso Mundial de Conservação da IUCN, em Abu Dhabi, onde participou como orador na sessão “Blue Nature – From Conservation to Sustainable Financing for Improved Livelihoods”, organizada no Pavilhão de África da IUCN.

Partilhou o painel com reconhecidos especialistas internacionais, incluindo Dr. Arthur Tuda, Secretário Executivo da WIOMSA (Zanzibar); Sadok Debbabi, da Notre Grand Bleu (Tunísia); Dr. Nirmal Shah, Director Executivo da Nature Seychelles; Abdelmenam Mohamed, Coordenador do CMS Dugong MoU Secretariat; Loulsa Chinyavu, Gestora do Programa Regional da Wetlands International para a África Oriental e Jacqueline Mbawine, Gestora de Monitoria e Avaliação da A Rocha Ghana.

Na sua intervenção, Kevin destacou que o principal desafio do financiamento para ecossistemas marinhos e costeiros não é apenas a escassez de recursos, mas a actual  estrutura de aplicação dos fundos. Sublinhou a importância de mecanismos de financiamento de longo prazo, como o Endowment Fund da BIOFUND, que garante sustentabilidade para além dos curtos ciclos projectos.

Apresentou também mecanismos inovadores de financiamento, como o blended finance, os blue bonds e os créditos de biodiversidade, que permitem mobilizar capital privado e internacional para iniciativas locais, gerando impacto directo tanto nos ecossistemas quanto nas comunidades costeiras que deles dependem.

A sua participação ao lado de especialistas internacionais reforça o impacto do PLCM na formação de jovens profissionais moçambicanos e demonstra como o investimento em capacitação e oportunidades pode transformar talentos emergentes em agentes activos da conservação, tanto a nível nacional como internacional.

BIOFUND participa no Congresso Mundial de Conservação da IUCN 2025 em Abu Dhabi

De 9 a 15 de Outubro, a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) participa, em Abu Dhabi, no Congresso Mundial de Conservação da IUCN 2025, um dos maiores encontros globais dedicados à protecção da natureza. O evento junta decisores, cientistas, organizações da sociedade civil e representantes de povos indígenas de mais de 140 países para definir prioridades e impulsionar acções de conservação à escala mundial.

Realizado de quatro em quatro anos, o Congresso da IUCN decorre no Abu Dhabi National Exhibition Centre (ADNEC) e tem por objectivo orientar políticas e programas internacionais perante os desafios ambientais e climáticos. A edição de 2025 prevê mais de 500 sessões e 70+ exposições/pavilhões interactivos, envolvendo mais de 1.400 membros da IUCN.

Sob o lema “Powering Transformative Conservation”, o programa organiza-se em cinco eixos: 1) acções de conservação resilientes; 2) redução de riscos do sobreaquecimento climático; 3) promoção de equidade; 4) transição para economias e sociedades positivas para a natureza; e 5) inovação disruptiva e liderança para a conservação.

Admitida como membro da IUCN em Agosto de 2024, a BIOFUND marca assim a sua primeira presença no Congresso como organização membro, reforçando a representação de Moçambique no palco global da conservação. A Fundação está no Stand 325 (Mozambique), exposição realizada em colaboração com a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC), apresentando iniciativas e resultados de conservação terrestre, aquática e marinha.

Para além da exposição, a equipa da BIOFUND participará em painéis e fóruns técnicos sobre financiamento sustentável, mecanismos inovadores de conservação, o papel da juventude  e soluções baseadas na natureza. A delegação acompanhará também os trabalhos da Assembleia dos Membros da IUCN, espaço onde os membros elegíveis exercem direitos estatutários e definem orientações para a União.

A participação da BIOFUND no Congresso conta com o apoio do Projecto de Resiliência do Norte de Moçambique (MozNorte), financiado pelo Banco Mundial, do Programa de Conservação da Biodiversidade através do Governo da Suécia, do PROMOVE Biodiversidade financiado pela União Europeia  e da BIOFUND através do Cartão Bio.

Ao longo do Congresso, a BIOFUND partilhará actualizações sobre encontros, colaborações e destaques da sua participação.

BIOFUND reforça compromisso com a Conservação Marinha no 13.º simpósio da WIOMSA

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) participou no 13º Simpósio Científico da WIOMSA (Associação de Ciências Marinhas do Oceano Índico Ocidental), realizado de 28 de Setembro a 3 de Outubro de 2025, em Mombaça, Quénia, reafirmando o seu papel na promoção da conservação marinha e costeira na região do Oceano Índico Ocidental.  O evento, reconhecido como um dos principais fóruns de diálogo e partilha de conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e costeiros da região, teve como lema “Um Oceano, Um Futuro: Conectando Pessoas, Políticas e Ciência para um Oceano Índico Ocidental Resiliente” inspirado nas metas globais de Kunming-Montreal sobre Biodiversidade (2022), pela Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030) e pela Ocean Decade Africa Roadmap.

O simpósio reuniu mais de 1.200 participantes provenientes dos países da região do  Oceano Índico Ocidental e de parceiros de cooperação internacional, incluindo Suécia, Alemanha, Estados Unidos da América, entre outros. O 13º Simpósio constituiu uma plataforma única de diálogo e cooperação, onde a ciência representou a base para a tomada de decisões,  o desenho de políticas como catalisador da colaboração regional com um foco na Convenção de Nairobi e as comunidades foram reconhecidas como protagonistas na construção de um futuro sustentável. A delegação moçambicana contou com mais de 50 representantes de instituições nacionais, incluindo  a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), o Museu de História Natural (MHN), Wildlife Conservation Society  (WCS), Fundo Mundial para Natureza  (WWF), IUCN Moçambique, Fundação Likhulu, InOM, Ocean Revolution, o Parque Nacional de Maputo (através do PPF), ADRA, RARE entre outros. A participação de Moçambique é um reforço da agenda nacional de conservação marinha, destacada na 3ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha, realizada de 3 a 4 de Setembro de 2025, na Cidade da Beira, onde o Presidente da República de Moçambique, destacou a importância dos ecossistemas costeiros e marinhos como pilares da economia azul e da resiliência climática, uma visão que também ecoou nos debates do simpósio da WIOMSA.

Durante cinco dias, cientistas, decisores políticos, comunidades locais e outros intervenientes debateram temas cruciais para o futuro do Oceano índico Ocidental, tais como a economia azul e desenvolvimento sustentável, governação e políticas, adaptação baseada em ecossistemas (EbA), gestão pesqueira, poluição marinha, inovação tecnológica, financiamento sustentável, educação e literacia oceânica . As comunicações científicas e os debates resultaram em recomendações práticas para fortalecer a governação e a colaboração regional, consolidando uma visão comum para a conservação marinha e costeira da região.

Sob o lema “Da Terra ao Mar: construindo pontes entre os ecossistemas” o stand da BIOFUND destacou iniciativas inovadoras de conservação integradas, que conectam ecossistemas terrestres e marinhos, promovendo simultaneamente o desenvolvimento comunitário e o uso sustentável dos recursos naturais em Moçambique. Através de painéis informativos e diferentes materiais, os visitantes puderam conhecer de perto os mecanismos inovadores de financiamento, como contrabalanços de biodiversidade, iniciativas como o cartão Bio, o Programa de Conservação da Biodiversidade, o Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique, além do MozNorte e PROMOVE Biodiversidade que integram conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e adaptação climática. Esta diversidade de iniciativas traduz de forma prática o espírito do tema “Da Terra ao Mar:“ evidenciando a forma como a BIOFUND conecta a ciência, políticas, financiamento sustentável e comunidades locais na construção de uma visão comum para um Oceano Índico Ocidental mais sustentável e resiliente.

Moçambique teve uma participação activa nas sessões científicas, com apresentações orais e pósteres, tendo-se destacado através do poster produzido pela Doutora Vilma Machava (UEM)  que conquistou do o prémio de melhor póster do evento. Reconhecimento que simboliza o crescimento e a excelência da nova geração de cientistas nacionais comprometidos com a conservação.

A presença da BIOFUND neste encontro, através do apoio do Governo da Suécia através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA-Suécia),  reforça o seu papel como agente catalisador de parcerias e soluções sustentáveis para a conservação da biodiversidade, num contexto de crescentes desafios ambientais e climáticos.

COMBO+ 2021–2025: Moçambique fecha ciclo em Madagáscar e alinha próximos passos para a biodiversidade

De 23–26 de Setembro de 2025, realizou-se em Nosy Be, Madagáscar, a reunião final da segunda fase do Programa COMBO+ (“Conservação, Mitigação e Compensação da Biodiversidade”). O encontro juntou mais de 41 participantes de diferentes países, entre doadores, entidades implementadoras, parceiros governamentais e consultores, para avaliar os resultados alcançados entre 2021–2025 e definir o futuro da iniciativa.

Os países implementadores do Programa COMBO+ (Moçambique, Madagáscar, Uganda, Guiné, Laos e Myanmar) apresentaram as principais conquistas e os aprendizados desta fase.

Moçambique consolidou avanços significativos para a conservação da biodiversidade, entre os resultados, destacam-se:

  • Marco legal: Aprovação da Directiva sobre Contrabalanços de Biodiversidade – Diploma Ministerial Nr. 55/2022, de 19 de Maio, que define regras claras para a aplicação da hierarquia de mitigação e contrabalanços de biodiversidade;
  • Referência para o programa: A aprovação e implementação deste instrumento legal consolida a legislação nacional sobre Avaliação de Impacto Ambiental e reforça o compromisso de Moçambique com a conservação;
  • Ferramentas técnicas inovadoras: Desenvolvimento de 5 métricas de ecossistemas e espécies, nomeadamente ecossistemas de Miombo; Mangal; Recifes de coral; Ervas marinhas e Elefante africano;
  • Capacitação nacional: Realização de 26 formações, envolvendo mais de 1.100 técnicos e decisores em todo o país;
  • Testes no terreno: Implementação de 4 projectos-piloto de melhoria de habitats em 2 Áreas de Conservação (ACs) e 2 Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs), que validaram na prática o Diploma Ministerial e reforçaram a capacidade das áreas de conservação para futuros projectos de contrabalanços de biodiversidade, alinhados com planos de maneio locais.
  • Impacto nacional: Consolidação da legislação ambiental e liderança regional em inovação para a conservação.

Os avanços alcançados colocam Moçambique em posição de liderança regional, com o Diploma Ministerial sobre Contrabalanços já reconhecido como referência a nível internacional.

Com o apoio do COMBO+, o Governo de Moçambique conseguiu acelerar estes avanços, alcançando resultados que teriam demorado muito mais tempo se fossem realizados de forma isolada.” destacou a Rosalina Niquice, representante do MAAP, presente no encontro. Doadores e avaliadores do programa também reconheceram os resultados destacando o contributo do Programa COMBO+ para conciliar o desenvolvimento económico com a conservação da biodiversidade.

Os doadores, a equipa de trabalho e os avaliadores do programa encontram-se agora a desenvolver soluções para garantir a sua continuidade, tanto nos países já abrangidos como na sua possível expansão para outras geografias, recorrendo às lições aprendidas para acelerar a implementação.

Niassa avança com GALS: 40 participantes iniciam mudança pela equidade de género em Sanga

Entre os dias 22 e 26 de Setembro, a comunidade do 2º Congresso do distrito de Sanga, na província de Niassa, acolheu o 1.º Seminário de GALS (Sistema de Aprendizagem e Acção de Género), reunindo 40 participantes (15 mulheres -> 37,5%) numa formação prática orientada para a mudanças de comportamento e decisão partilhada no lar e na comunidade. A iniciativa foi promovida pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria com a Administracao Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Helvetas Moçambique, com o financiamento do Banco Mundial, no âmbito do Projecto MozNorte.

  • 40 participantes (15 mulheres; 25 homens)
  • 5 ferramentas GALS trabalhadas
  • 8 agregados familiares visitados em campo
  • 1 plano de acompanhamento acordado com a comunidade

O GALS é uma metodologia participativa que incentiva homens e mulheres a sonhar em conjunto, planificar em colectivo e assumir responsabilidades partilhadas nas decisões familiares e comunitárias, assegurando que o desenvolvimento beneficia todas as pessoas.

Ao longo do seminário, as equipas trabalharam ferramentas como o Diamante da Identidade (desconstrução de estereótipos), o Diamante da Justiça de Género (equidade e corresponsabilidade), o Diamante da Pobreza e da Riqueza (níveis de vulnerabilidade e metas de melhoria), a Caminhada da Visão (planos passo-a-passo) e a Árvore de Equilíbrio de Género no Lar (repartição justa de papeis e tarefas).

A formação incluiu trabalho de campo em oito agregados familiares, onde os participantes replicaram as ferramentas, facilitaram diálogos e estimularam mudanças imediatas (como a reorganização das tarefas domésticas e o compromisso de planos familiares de curto prazo para renda, alimentação e educação dos filhos).

Os testemunhos dos participantes revelaram mudanças de percepção significativas. Um dos participantes afirmou: “Percebi que a minha esposa faz quase todas as tarefas da casa sozinha. Agora vamos passar a dividir os trabalhos e isso vai trazer mais harmonia à nossa família.”

Outra participante destacou: “Aprendi que também tenho voz nas decisões sobre a renda e a educação dos nossos filhos. Sinto-me mais confiante em partilhar as minhas ideias.”

Outros depoimentos reforçaram a noção de que, para além das diferenças biológicas, homens e mulheres têm iguais capacidades para tomar decisões e gerir recursos.

Foram igualmente apresentados os Mecanismos de Diálogo e Reclamação (MDR) do projecto, reforçando a prevenção da violência baseada no género, a denúncia segura e a resolução de conflitos, como parte de uma convivência assente na justiça social.

Como próximos passos, as equipas comunitárias farão sessões de acompanhamento para monitorar a execução dos planos de acção definidos com as famílias e replicar a metodologia nas comunidades de Sanga. A experiência será, ainda, estendida ao programa de Economia Rural Sustentável (MozRural), mantendo as mesmas abordagens participativas.

O Projecto de Resiliência Rural do MozNorte de Moçambique apoia o acesso a meios de vida e a gestão sustentável dos recursos naturais em comunidades vulneráveis do norte do país, fortalecendo capacidades locais e a coesão social.

2.º Congresso acolhe 1.º Seminário GALS para promover a equidade de género nas comunidades

A comunidade de 2.º Congresso, localizada no distrito de Sanga, província  de Niassa, acolhe desde 22 de Setembro o 1.º Seminário de GALS (Sistema de Aprendizagem e Acção de Género), reunindo 40 participantes (15 mulheres e 25 homens). A iniciativa é promovida pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria com a Administracao Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Helvetas Moçambique, com financiamento do Banco Mundial, e tem como objectivo fortalecer a equidade de género e transformar normas sociais nas comunidades locais.

No primeiro dia, os participantes tiveram momentos de socialização e dinâmicas de confiança, seguidos da introdução a ferramentas do GALS, como o Diamante da Identidade e o Diamante da Justiça de Género.

  • O Diamante da Identidade estimulou reflexão sobre percepções e expectativas associadas a homens e mulheres, ajudando a desconstruir normas sociais limitadoras.
  • O Diamante da Justiça de Género promoveu debate sobre igualdade e equidade, sublinhando que desigualdades não biológicas resultam de construções sociais que afectam a boa convivência e a harmonia comunitária.

Estas actividades ajudaram a identificar barreiras de género do dia-a-dia e a definir mudanças de comportamento que reforçam a justiça social.

A metodologia GALS é aplicada para reforçar capacidades familiares e comunitárias, transformar normas sociais e impulsionar a equidade de género, apoiando-se em experiências já implementadas em Moçambique por diversas instituições.

O seminário integra as acções do Projecto de Resiliência Rural do Norte de Moçambique (MozNorte), que visa melhorar o acesso a oportunidades de meios de vida para comunidades vulneráveis e promover a gestão sustentável dos recursos naturais em áreas rurais do norte do país.

Programa COMBO+ capacita sector financeiro sobre riscos ambientais e biodiversidade

Maputo, 16 de Setembro de 2025O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), através da Direcção Nacional do Ambiente e Mudança Climática (DINAMAC), em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS) e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), no âmbito do Programa COMBO+, realizou um Workshop de Capacitação do Sector Financeiro sobre riscos ambientais, processo de licenciamento e contrabalanços de biodiversidade.

Desde 2016, Moçambique tem vindo a consolidar instrumentos legais e técnicos para promover um crescimento sustentável, destacando-se a colaboração com o Programa COMBO+ na criação de procedimentos que viabilizam a aplicação adequada da Hierarquia de Mitigação (HM) e dos Contrabalanços de Biodiversidade. Este trabalho conjunto resultou na aprovação da Directiva dos Contrabalanços de Biodiversidade (Diploma Ministerial nº 55/2022, de 19 de Maio), em conformidade com o Decreto nº 54/2015, que regula o processo de Avaliação de Impacto Ambiental.

O workshop contou com a participação de 28 representantes de diversos sectores, incluindo membros do Governo, do sector privado, bancos e seguradoras. Entre as instituições presentes estiveram Banco Absa, Millennium BIM, Standard Bank, BIG Bank, Moza Banco, Letshego, Arko Seguros, Holland Seguros, Horizonte Seguros, Metropolitano, Fidelidade, BNI, FUNAE, Britam, bem como representantes do MAAP, International Finance Corporation (IFC) e parceiros como a BIOFUND.

Durante o evento, os participantes assistiram a uma apresentação da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), conduzida por Alan Marini, que explicou como avaliar e integrar riscos e oportunidades relacionados com a natureza, promovendo fluxos financeiros alinhados a resultados positivos para a biodiversidade.

Seguiu-se a intervenção de Philisiwe Sibeko, do IFC, que abordou a integração de padrões ambientais e sociais em investimentos privados, destacando a importância do sector financeiro na promoção de investimentos responsáveis e sustentáveis.

O workshop teve como objectivo reforçar a importância do licenciamento ambiental, particularmente dos planos de gestão de contrabalanços da biodiversidade, como salvaguarda legal essencial para o cumprimento das normas nacionais. Ao aplicar esses requisitos aos seus clientes aquando da concessão de crédito, o sector financeiro desempenha um papel decisivo para garantir que o crescimento económico do país não resulte em perdas irreversíveis da biodiversidade.

Moçambique inicia os preparativos para o Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos

Realizou-se ontem, na Cidade de Maputo, o Seminário de Planificação do Censo Nacional de Elefantes e  Grandes Mamíferos, um encontro híbrido que contou com a participação de 86 pessoas, dos quais 51 de forma presencial e 35 de forma virtual. O Censo Nacional de Elefantes será realizado de 20 de Setembro a 30 de Outubro do corrente ano, em todo o território nacional, e será conduzido pelo Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE) em parceria com a BassAir Aviation. A iniciativa é liderada pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), em colaboração com a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), e com financiamento do Governo da Suécia.  Conta ainda com o apoio de diversas instituições, com destaque para a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Durante a abertura, Director-Geral Adjunto da ANAC, Severiano Khoy destacou a relevância deste exercício para avaliar o estado actual da população de elefantes e dos grandes mamíferos no país. Por outro lado, realçou que “Moçambique tem procurado consolidar mecanismos inovadores para a conservação da biodiversidade, e este censo é uma oportunidade única de obter dados robustos que orientem políticas e medidas eficazes para conservar e promover e uso sustentável da fauna bravia.”

A BIOFUND, representada pelo Coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade, Samiro Magane, agradeceu o envolvimento dos parceiros e destacou a relevância do apoio recebido:

“A experiência da BIOFUND demonstra que, com um financiamento previsível e estruturado, é possível criar bases mais sólidas para a conservação da biodiversidade. O apoio dos doadores tem sido fundamental para viabilizar iniciativas de grande escala, como a inventariação dos recursos naturais e a capacitação dos técnicos do Sistema Nacional das Áreas de Conservação para a gestão e protecção da biodiversidade.

A metodologia apresentada prevê a cobertura de 90 a 95% da área onde normalmente circulam os elefantes, num total de 171.763 km2, e terá como principais objectivos:

  • Estimar a abundância e distribuição das populações de elefantes e carcaças;
  • Calcular rácios de carcaças como indicador de mortalidade;
  • Documentar espacialmente as áreas de ocorrência da espécie.

O CEAGRE salientou que o censo fornecerá dados essenciais para a gestão da população de elefantes, incluindo estimativas de abundância, distribuição espacial e índices de mortalidade por carcaças. Além disso, permitirá gerar informações valiosas sobre outras espécies de fauna bravia que partilham os mesmos habitats, contribuindo para análises de interacções ecológicas, padrões de uso do espaço e estratégias de conservação integradas.

O Seminário de Planificação foi marcado por debates técnicos em torno da metodologia e da segurança da operação, tendo sido sublinhada a importância de garantir resultados cientificamente robustos e reconhecidos pelo Grupo de Especialistas do Elefante Africano do IUCN (AFESG/IUCN–SSC).

Com este exercício, a BIOFUND reafirma o seu compromisso com a conservação da biodiversidade, mitigação do conflito homem versus fauna bravia e o combate à caça furtiva, garantindo informações actualizadas e confiáveis para a gestão sustentável dos recursos naturais.

3.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha: liderança do Governo, inspiração presidencial e uma coligação que torna possível

A 3.ª Edição da Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM) encerrou na Beira com uma mensagem clara e mobilizadora: Moçambique é uma nação oceânica que traduz ambição em acção. Na abertura, presidida por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, o Governo reafirmou compromissos com a biodiversidade e a economia azul. “Unir políticas públicas, ciência e sociedade civil para transformar a visão estratégica em resultados tangíveis”, sublinhou o Chefe de Estado.

No Parque do Chiveve, escolhido pelo seu simbolismo, “soluções naturais bem planeadas […] protegem vidas e dinamizam a economia local”. O Presidente da República reforçou a centralidade da educação: “a educação ambiental constitui uma das pedras angulares na garantia de uma efectiva protecção dos ecossistemas marinhas” e “Queremos escolas, universidades e comunidades próximas do mar como laboratório vivo”.

Governo em força, ao mais alto nível

Para além da Sua Excelência Presidente da República, marcaram presença o Secretário de Estado do Mar e Pescas; o Governador e o Secretário de Estado de Sofala; o Presidente do Conselho Municipal da Beira; equipas do MAAP (InOM, Museus do Mar, ADNAP), ANAC, ProAzul, INIP e Direcção Nacional de Pescas e Aquacultura; e, ainda, o MIREME (Direcção Nacional de Geologia e Minas). Esta presença activa foi decisiva no alinhamento temático, facilitação de sessões e mobilização para a feira e a exposição.

Quatro eixos – o que está a acontecer, o que a ciência mostrou e o que se recomenda

1) Biodiversidade costeira e marinha

Em curso: reforço da gestão integrada de ecossistemas críticos (mangais, ervas marinhas, recifes, dunas); fortalecimento dos Conselhos Comunitários de Pesca (CCPs); pesquisa aplicada para valorização de resíduos de dragagem.

Achados/alertas: registo da espécie invasora Metapenaeus dobsoni; detecção do WSSV em camarão selvagem; desenvolvimento de ensaio LAMP (rápido e de baixo custo) para diagnóstico em campo; descrição de nova espécie parasitária associada a mangais da Inhaca. Estes resultados pedem monitoria contínua e gestão adaptativa.

Recomendações/decisões: aprofundar a avaliação de impactos cumulativos (indústria extractiva, pesca, turismo, transporte), e fortalecer CCPs como instrumentos de governança local e disseminação de boas práticas.

2) Áreas de Conservação Marinha (ACM)

Em curso: consolidação das ACM existentes (monitoria ecológica, fiscalização, gestão adaptativa) e uso de ferramentas como METT e bases de dados nacionais; avanço de debates sobre expansão legal e co-gestão com comunidades.

Achados/alertas: lacunas de recursos humanos e financeiros e necessidade de dados consistentes para decisões.

Recomendações/decisões: priorizar a consolidação antes de novas expansões, mantendo alinhamento com a Meta 30×30; diversificar financiamento (blue bonds, “dívida por natureza”, carbono azul, PSA, fundos fiduciários).

3) Adaptação Baseada em Ecossistemas (EbA)

Em curso: meios de vida alternativos (mel, algas) a reduzir pressão sobre a pesca; restauração de mangais com partilha justa de benefícios e oportunidades de carbono azul; co-gestão efectiva no Parque Nacional do Maputo; pilotos de cultivo de caranguejo-do-mangal (Metuge); economia circular ao transformar plástico marinho em filamento 3D.

Achados/alertas: participação informada das comunidades e transparência nos acordos são determinantes para benefícios duradouros.

Recomendações/decisões: integrar EbA de forma explícita na Estratégia de Economia Azul e no planeamento costeiro, para reduzir riscos, criar emprego digno e escalar soluções com o sector privado.

4) Educação ambiental

Em curso: introdução precoce nas escolas e comunidades; clubes de juventude, mergulho e cultura oceânica; iniciativas criativas (música, teatro, jogos) adaptadas ao contexto local; casos de economia circular como a “Moeda Azul” (AMOR).

Achados/alertas: documentar e integrar conhecimento tradicional nos instrumentos de gestão torna as soluções cientificamente fundamentadas e socialmente legítimas.

Recomendações/decisões: políticas municipais amigas do clima (p. ex., responsabilidade alargada de produtores de plásticos), alinhadas com participação comunitária e apoio técnico, sobretudo em cidades vulneráveis como a Beira.

Economia azul sustentável, inclusiva e geradora de emprego”, frisou o Presidente da República, ao apelar a que Governo, academia, sociedade civil, sector privado, parceiros e comunidades actuem em sinergia.

Plataforma que liga ciência, comunidades e Estado – e em grande escala

Foram 694 participantes presenciais e 20.059 online nos dois dias de conferência (20.753 no total), mais 1.011 nas actividades de educação ambiental e exposição – somando 21.764 pessoas alcançadas ao longo de toda a programação.

Agradecimentos – financiadores

A BIOFUND exprime profundo reconhecimento aos financiadores desta 3.ª edição: Blue Action Fund (BAF); Banco Mundial – MozNorte; Governo da Suécia; COAST Facility – DAI; IUCN; ADRA; Cooperação Portuguesa; GIZ; Peace Parks Foundation (PPF); WIOMSA; UK Blue Planet Fund – JNCC; AICS; BIOFUND – Cartão BIO; Pescamar; BCI; VISTA; BIM; MOZA. A todos, o nosso muito obrigado.

Agradecimentos – colaboradores e parceiros

A BIOFUND exprime igualmente profundo reconhecimento ao Governo de Moçambique e aos colaboradores e parceiros institucionais, pela liderança política, coordenação técnica e presença activa como facilitadores, oradores e painelistas, bem como pelo apoio à feira, à exposição e às visitas de campo (Parque Nacional da Gorongosa, Associação de Gestão de Recursos Naturais de Nhangau e Praia do Estoril [limpeza de praia]): Governo de Moçambique (Presidência da República; MAAP e tuteladas – InOM, Museus do Mar, ADNAP; ANAC; ProAzul; INIP; Direcção Nacional de Pescas e Aquacultura); Governo Provincial de Sofala; Conselho Municipal da Beira; MIREME (Direcção Nacional de Geologia e Minas); WCS; academia e redes científicas; sociedade civil; sector privado; juventude e comunidades costeiras. A todos, o nosso muito obrigado pelo compromisso, disponibilidade e trabalho conjunto.

O legado que segue

Ficou traçada uma rota imediata: consolidar a co-gestão com comunidades; escala de restauro de mangais e recifes; reforço de monitoria e dados; financiamento de longo prazo; educação ambiental como eixo estruturante. A BIOFUND prossegue a missão de mobilizar recursos, financiar o que funciona e partilhar evidências, em parceria com o Estado e as comunidades. “Esta conferência cria a plataforma certa para consolidar alianças, acelerar aprendizagens e escalar soluções”, sublinhou o Presidente da República.

A 4ª edição da Conferência da Biodiversidade Marinha será realizada na província de Inhambane, no próximo ano (2026).

Cartão bio encerra ciclo de monitoria de elefantes e apoia soluções contra conflitos no Incomati – uma acção BIOFUND e BCI

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) deram mais um passo significativo na sua parceria para a protecção da fauna bravia. No dia 11 de Agosto, no Incomati Conservancy, distrito de Moamba, foi colocada a sexta e última coleira de monitoria num elefante macho, no âmbito do projecto Vozes da Savana: Elefantes Monitorados, Comunidades Ouvidas.

A acção, financiada pelo Cartão bio, iniciativa conjunta da BIOFUND e do BCI que destina, sem qualquer custo adicional para o cliente, uma percentagem da anuidade e das  transacções efectuadas com este cartão, a projectos de conservação, contou com a presença do Presidente do Conselho Executivo do BCI e do Director executivo da BIOFUND.

A equipa do Mozambique Wildlife Alliance (MWA), liderada por um médico veterinário e com o apoio do PCE do BCI, realizou a operação num elefante que apresentava uma ferida grave numa das patas causada por um cabo de aço (armadilha ilegal). Este tipo de armadilha, frequentemente usado para capturar animais de pequeno porte, acaba por afectar também espécies de grande porte, colocando-as em risco e agravando situações de conflito com as comunidades. A armadilha foi removida com sucesso, a ferida devidamente tratada e a coleira colocada, permitindo o seguimento das movimentações do elefante, agora identificado pelo nome Chitinini.

O grupo visitou ainda uma vedação eléctrica comunitária (componente importante e complementar deste projecto de colocacao de coleiras em elefantes), instalada para proteger as machambas de 45 famílias, garantindo segurança alimentar e evitando a entrada de elefantes nessas áreas. O apoio do Cartão bio neste tipo de intervenções, mostra que a estratégia de mitigação combina tecnologias de monitoria e barreiras físicas para proteger comunidades e elefantes.

“Foi com muito orgulho que presenciamos o líder da equipa veterinária, um jovem moçambicano que foi um dos primeiros estagiários do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), programa iniciado pela BIOFUND com apoio do Banco Mundial – Projecto MozBio2, actualmente com apoio do governo da Suecia), a mostrar a sua liderança, capacidade e profissionalismo, nesta perigosa e complexa actividade”, destacou Alexandra Jorge (Directora de Programa da BIOFUND)

O projecto Vozes da Savana responde ao aumento de deslocações de elefantes que atravessam o rio Incomáti em direcção a zonas comunitárias nos distritos de Moamba, Namaacha e Matutuine. O seu objectivo é desenvolver um sistema robusto de prevenção de conflitos, promovendo uma coexistência pacífica e trazendo benefícios reais para as comunidades que convivem com estes gigantes da savana.

Queres contribuir para a conservação da biodiversidade?

Ao obteres o Cartão bio e sempre que o usares, uma pequena parte do lucro do BCI é destinada a projectos que protegem a natureza moçambicana.

Já tens o teu Cartão bio? Dirige-te a qualquer agência do BCI e junta-te a nós na missão de conservar a biodiversidade.

Para saberes mais sobre o Cartão bio clica aqui.

Projecto MozNorte reforça gestão comunitária em Chipanje Chetu com entrega de meios circulantes

O Comité de Gestão Comunitária (COGECO) de Chipanje Chetu, no distrito de Sanga, província do Niassa, beneficiou-se no presente mês, da entrega de meios circulantes, no âmbito do Projecto de Resiliência Rural de Moçambique (MozNorte), financiado pelo Banco Mundial e implementado pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria a Administracao Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Helvetas Mozambique.

A cerimónia, foi dirigida por Sua Excelência o Secretário de Estado da Província do Niassa, Silva Livone, e contou com a participação de autoridades locais, líderes comunitários e parceiros do projecto.

No total, foram entregues uma viatura, cinco motorizadas e vinte bicicletas, num investimento superior a 5,4 milhões de meticais, que irão reforçar a mobilidade e a capacidade de resposta do COGECO na gestão sustentável dos recursos naturais e na fiscalização comunitária.

Para além de facilitar a deslocação e a ligação entre comunidades distantes, os novos meios irão permitir que os membros do COGECO e dos CGRNs possam responder mais rapidamente a incidentes e apoiar activamente nas actividades de conservação da biodiversidade.

O Projecto MozNorte procura, assim, fortalecer a gestão sustentável dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, criar mais oportunidades de meios de vida para as comunidades do norte de Moçambique. A iniciativa reforça a participação comunitária na conservação e no desenvolvimento sustentável da região.

BIOFUND marca presença na 15ª Assembleia Geral do CAFÉ em Kinshasa

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) participa de 25 a 28 de Agosto de 2025, na 15ª Assembleia Geral do Consórcio de Fundos Africanos para o Ambiente (CAFÉ), realizada em Kinshasa, República Democrática do Congo (RDC). O evento reúne 20 fundos  africanos de conservação, com vista a criar um espaço estratégico de cooperação, partilha de experiências e mobilização de recursos financeiros em prol da biodiversidade em Africa.

A sessão de abertura contou com a presença do Director-geral do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN), instituição que celebra este ano o seu centenário, iniciado com a criação do Parque Nacional de Virunga, o primeiro parque nacional de África. O encontro é organizado pelo Fonds Okapi, fundo ambiental privado congolês semelhante à BIOFUND, cujo endowment atingiu 67 milhões de USD em 2025.

De acordo com o Presidente do CAFÉ, Théophile Zognou, a escolha de Kinshasa para acolher a assembleia reflecte a importância da RDC enquanto “pulmão verde de África e do mundo”, devido à riqueza da sua biodiversidade e ao facto de albergar grande parte da Bacia do Congo, considerada uma das maiores reservas de carbono do planeta. A edição de 2025 centra-se, assim, nos mecanismos de financiamento de carbono e em soluções financeiras inovadoras, inclusivas e sustentáveis para a conservação.

Para a BIOFUND, esta participação reforça o seu papel activo na rede do CAFÉ e fortalece a cooperação com outros fundos ambientais africanos. Esta edição destaca-se ainda pela crescente representação lusófona, com a presença representantes de Angola e da Guiné- Bissau (Fundação BioGuiné), abrindo novas perspectivas de colaboração entre fundos já estabelecidos e emergentes nos países de língua portuguesa.

O CAFÉ reafirma, nesta assembleia, o compromisso dos fundos africanos em promover uma conservação que beneficie a natureza e as comunidades, garantindo o respeito pelos direitos fundiários consuetudinários e pelo consentimento livre, prévio e informado das populações locais. A organização anunciou igualmente a publicação de um guia de boas práticas para projectos de carbono justos e prepara a divulgação de um relatório anual sobre o estado dos direitos humanos nas áreas protegidas financiadas.

O evento conta com o apoio do RawBank, Projecto Bridge, The Nature Conservancy e Fonds Okapi, e reafirma o papel do CAFÉ como catalisador de soluções financeiras duradouras para a protecção da biodiversidade africana.

Fique atento às nossas páginas para acompanhar mais informações sobre este importante evento anual.

COMBO+ encerra projectos-piloto reforçando lições para contrabalanços da biodiversidade em Moçambique

Decorreu em Chimoio, Província de Manica, a 20 de Agosto de 2025, o Workshop de encerramento dos projectos-piloto de melhoria de habitats do Programa COMBO+, implementado pela Wildlife Conservation Society (WCS), Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e pelo Governo de Moçambique, representado pela Direcção Nacional de Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC) do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP). O encontro reuniu 33 representantes do Governo, sector privado, sociedade civil, academia e comunidades locais, criando um espaço de partilha de experiências, análise crítica e reflexão conjunta sobre o futuro dos Contrabalanços de Biodiversidade no país.

O Programa COMBO+ está sendo implementado desde 2016, criando as condições favoráveis para que os projectos de desenvolvimento não criem impactos negativos significativos na biodiversidade, procurando preveni-los, restaurar as áreas afectadas e contrabalançar os impactos residuais. Nesse âmbito, o programa tem  promovido acções práticas de conservação para testar metodologias e aprendizagem sobre os contrabalanços de biodiversidade em áreas estratégicas como o Parque Nacional de Chimanimani, Parque Nacional de Maputo, Reserva Florestal de Licuáti e ecossistemas costeiros de Memba-Mossuril. Estes projectos-piloto permitiram testar metodologias previstas na Directiva de Contrabalanços da Biodiversidade (Diploma Ministerial nº 55/2022 de 19 de Maio) e geraram um conjunto de lições valiosas para orientar este tipo de projectos em Moçambique.

As apresentações destacaram progressos relevantes na recuperação de habitats e no reforço da capacidade técnica nacional para implementação das actividades, monitoria e avaliação da condição ecológica. Os representantes das áreas de conservação beneficiárias dos projectos-piloto reiteraram estarem criadas as capacidades técnicas para receberem futuros contrabalanços de biodiversidade.

Foram também identificados grandes desafios, como a necessidade de coordenação entre instituições-chave, limitação de recursos financeiros e falta de clareza, comprometimento e consistência na aplicação da legislação ambiental e mineira. Sublinhou-se que, sem orçamento adequado para deslocações ao terreno, as instituições governamentais enfrentam dificuldades para monitorar o cumprimento da legislação, o que fragiliza o sistema e abre espaço para práticas nocivas ao ambiente. Nesse contexto, reforçou-se a necessidade de maior profissionalização dos órgãos de implementação da legislação, de uma actuação coordenada entre diferentes instituições (incluindo a Procuradoria para questões jurídicas) e do envolvimento da academia, que podem contribuir com investigação e formação de técnicos para a implementação efectiva de futuros contrabalanços de biodiversidade.

Durante os debates, os representantes do sector privado reiteraram o seu interesse em trabalhar com as áreas de conservação que tiveram a experiência de simular um contrabalanço de biodiversidade através da implementação dos projectos-piloto, pois estas encontram-se preparadas. Os participantes sublinharam também a necessidade de criação de soluções integradas que conciliem os objectivos de desenvolvimento económico com a protecção dos ecossistemas.

No encerramento, foi feita a entrega oficial do pacote de resultados do Programa COMBO+ ao Governo de Moçambique, assinalando um marco na implementação da Hierarquia de Mitigação e na definição de políticas públicas alinhadas aos compromissos nacionais e internacionais de conservação. Como referiu um dos participantes: “Agora o desafio maior é transformar as lições aprendidas em práticas consolidadas, garantindo que todos: Governo, sector privado, comunidades e parceiros, assumam a sua parte na protecção da biodiversidade”.

Jovens talentos impulsionam acção pela conservação no Parque Nacional de Chimanimani

No âmbito do Programa de Estágios Pré-Profissionais do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), dois jovens têm vindo a destacar-se pelo seu contributo significativo para o reforço da conservação e da educação ambiental no Parque Nacional de Chimanimani e sua zona tampão.

Osbone Maquival, mestre em Ciências Matemáticas pelo Instituto Africano de Ciências Matemáticas (AIMS), no Ruanda, tem sido uma peça-chave na dinamização da Sala de Conservação da Escola Secundária de Sussundenga. Graças ao seu empenho, o espaço voltou a acolher sessões de educação ambiental semanais, onde conta com a participação de mais de 20 alunos por cada secção, abordando temáticas ligadas à conservação da biodiversidade. Osbone impulsionou ainda a presença digital da sala de conservação com a criação da conta oficial na plataforma TikTok, usada para divulgar actividades de sensibilização e conservação ambiental de forma criativa e apelativa à camada jovem.

Além disso, está a preparar uma formação em Excel Avançado dirigida aos técnicos do parque, contribuindo para o reforço de capacidades técnicas da equipa e demonstrando, na prática, a mais-valia dos estagiários nas Áreas de Conservação.

Tem sido uma experiência desafiante e enriquecedora. Poder usar ferramentas digitais para envolver os jovens em temas ambientais é algo que me motiva todos os dias. Acredito que estamos a criar bases para uma nova geração mais consciente e activa na conservação”, partilhou Osbone.

Por sua vez, Nilza Figo, licenciada em Ciências da Comunicação pela Escola Superior de Jornalismo (delegação de Chimoio), destaca-se pela  produção de conteúdos educativos para as plataformas digitais do parque e  na criação de cartazes informativos. Recentemente, junto com Osbone, em parceria com a rádio comunitária de Sussundenga, promovem programas de sensibilização sobre datas comemorativas ambientais, reforçando o alcance das mensagens de conservação junto das comunidades locais.

“O estágio tem sido uma oportunidade de aplicar os meus conhecimentos em comunicação num contexto real e com impacto directo nas comunidades. A rádio comunitária permite-nos chegar a mais pessoas e tornar a conservação parte do dia-a-dia delas”, destacou Nilza.

O administrador do Parque Nacional de Chimanimani, Leonel Massicame, destacou o impacto positivo da participação destes jovens nas iniciativas do parque, sublinhando a importância de garantir continuidade às actividades iniciadas, através da definição de um ponto focal dedicado e da criação de condições sustentáveis para a manutenção da sala de conservação.

A experiência de Nilza e Osbone ilustra que investir na juventude pode fortalecer a gestão das Áreas de Conservação e inspirar uma nova geração de líderes comprometidos com a conservação da biodiversidade, um resultado impulsionado pelo Programa PLCM, financiado pelo Governo da Suécia através da Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, podem impulsionar a gestão das áreas de conservação em Moçambique, enquanto promovem o surgimento de novos líderes comprometidos com a conservação da biodiversidade.

Da teoria à prática: Jéssica Carlos e o florescer de uma jovem conservacionista em Manica

No coração da província de Manica, entre áreas de floresta plantada e comunidades que dependem directamente dos recursos naturais, uma jovem estagiária está a transformar conhecimento em impacto. Jéssica Carlos, licenciada em Engenharia Ambiental e dos Recursos Naturais pela Uni-Zambeze, é uma das beneficiárias da 7.ª edição do Programa de Estágios Pré-Profissionais do PLCM – Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique, uma iniciativa da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) com financiamento do Governo da Suécia.

Desde o início do seu estágio na Portucel Moçambique, Jéssica tem estado envolvida em diversas frentes da área de sustentabilidade, contribuindo activamente para a integração da biodiversidade na gestão florestal da empresa. Com metas claras definidas no seu plano de estágio, participa em actividades como a validação de Áreas de Conservação, o restauro ecológico, a monitoria de recursos naturais e acções de educação ambiental.

Ao longo do estágio, Jéssica já identificou mais de 100 hectares com prioridade para conservação e iniciou o processo de restauro de uma área de 6,5 hectares com elevada sensibilidade ecológica. Tem conduzido sessões de sensibilização ambiental, alcançando pouco mais de 210 agricultores com mensagens sobre práticas agrícolas sustentáveis e proteção das florestas. Realiza também a recolha de amostras de água e solo em pontos estratégicos para a monitoria ambiental contínua da área sob gestão da empresa, garantindo o acompanhamento dos impactos ambientais e a adoção de medidas correctivas sempre que necessário.

Mas para além dos números, Jéssica destaca-se pela forma como encara os desafios e transforma dificuldades em oportunidades de crescimento. No seu testemunho, partilhou que os primeiros meses foram desafiadores: lidar com novas responsabilidades, uma estrutura organizacional complexa e o contacto directo com comunidades com hábitos e linguagens distintas exigiu adaptação, resiliência e empatia. “Foi desafiador no início, mas fui-me adaptando com o apoio da equipa técnica e da minha supervisora, mesmo à distância”, afirmou.

Num dos momentos mais inspiradores da realização das suas actividades, onde se fez acompanhada pela equipa do PLCM, Jéssica dinamizou uma sessão de sensibilização comunitária onde abordou, com linguagem acessível e exemplos do dia-a-dia, temas como o desmatamento e a extinção de espécies. Utilizando cartazes ilustrativos e objectos, conseguiu captar a atenção dos participantes e promover um diálogo aberto e participativo. A clareza da sua comunicação e a empatia com que interagiu com os agricultores revelam uma jovem profissional em plena evolução.

Jéssica tem também contribuído com ideias inovadoras para fortalecer as acções de educação ambiental, propondo o estabelecimento de sistemas de monitoria contínua nas comunidades e a criação de grupos focais para avaliar o impacto das intervenções. Com uma visão estratégica, sugeriu ainda o reforço de parcerias com instituições como a ANAC e o Parque Nacional da Gorongosa, com vista a apoiar a gestão de áreas de intervenção  da Portucel e a reintrodução de espécies prioritárias.

O seu estágio não tem sido apenas uma oportunidade para aplicar conhecimentos técnicos, mas também uma oportunidade de aprendizagem pessoal, onde desenvolveu competências como liderança, comunicação, tomada de decisão e gestão de tempo. “Sinto que estou a crescer como pessoa e como profissional. Este estágio tem me ajudado a sair da teoria para a prática e a perceber o papel real que posso desempenhar na conservação da biodiversidade”, concluiu.

A história de Jéssica Carlos é o espelho da missão do PLCM: investir no potencial de jovens moçambicanos comprometidos com o futuro da conservação. É também um exemplo inspirador do que é possível alcançar quando se alia conhecimento, oportunidade e vontade de fazer a diferença. Através do seu trabalho, Jéssica está a deixar uma marca positiva na Portucel Moçambique, e no seu próprio percurso como futura líder da conservação em Moçambique.

Inauguração do Centro de Reabilitação de Pangolins e reconhecimento aos fiscais marcaram as celebrações do Dia Internacional dos Fiscais em Chimanimani

No âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Fiscais de Florestas e Fauna Bravia, teve lugar, no dia 31 de Julho de 2025,no Parque Nacional de Chimanimani (PNC), a cerimónia de inauguração do Centro de Resgate, Reabilitação e Soltura do Pangolim, uma infra-estrutura destinada ao  reforço  da conservação de uma das espécies mais ameaçadas do mundo.

A cerimónia  foi dirigida por Sua Excelência Gustavo Sobrinho Dgedge, Secretário de Estado da Terra e Ambiente, e decorreu no contexto da entrega de um conjunto de infra-estruturas construídas com o apoio do projecto MozBio 2, financiado pelo Banco Mundial. Entre as infra-estruturas entregues destacam-se casas tipo 1 e 2, uma sala de conferências, refeitório, sala de operações, centro de visitantes e uma central solar, que reforçam a capacidade de gestão e operação do Parque.

O Centro de Reabilitação de Pangolins foi construído no âmbito do projecto “Resgate, Reabilitação e Soltura do Pangolim no PNC”, com financiamento do Cartão bio, uma iniciativa da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria com o Banco Comercial de Investimentos (BCI). Este centro representa um marco significativo nos esforços nacionais de combate ao tráfico de fauna e reforça a capacidade do PNC na protecção da biodiversidade.

No seu discurso, o Secretário de Estado destacou o papel dos parceiros na viabilização da iniciativa, afirmando: “Os nossos agradecimentos são extensivos ao BCI, BIOFUND e Fauna & Flora pelo apoio dado na concepção do centro de resgate, reabilitação e soltura de pangolim através do Cartão bio.”

A ocasião foi também marcada por um momento de reconhecimento e valorização dos fiscais de florestas e fauna bravia,  com a premiação de cinco fiscais que mais se destacaram ao longo de 2024, no âmbito do Fundo de Apoio aos Fiscais, também conhecido como Fundo Dr. Carlos Lopes Pereira. Esta iniciativa, implementada pela BIOFUND em colaboração com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), visa reconhecer a bravura, dedicação e compromisso dos fiscais na protecção das áreas de conservação em Moçambique.

Nesta edição, foram distinguidos os fiscais Peregrino Fernando (Parque Nacional de Chimanimani), Tembo Singano (Parque Nacional da Gorongosa), Emilda Mudau (Parque Nacional de Maputo), Mário Cristóvão (Centro Ambiental de Mariri) e António Fombe (Reserva Especial do Niassa), como reconhecimento pelo seu contributo exemplar para a conservação da biodiversidade no país.

A cerimónia serviu para destacar não apenas os progressos ao nível da infra-estrutura e inovação para a conservação, como também o papel fundamental dos fiscais, que muitas vezes, em condições adversas, dedicam as suas vidas à defesa dos recursos naturais do país.

BIOFUND reafirma compromisso com a conservação e o desenvolvimento das comunidades na VI Conferência de Maneio Comunitário de Recursos Naturais

Decorreu de 30 de Julho a 1 de Agosto de 2025, na Cidade de Maputo,  a VI Conferência de Maneio Comunitário de Recursos Naturais (MCRN), um espaço nacional de diálogo e reflexão promovido pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), com o apoio técnico e financeiro da Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, através do Programa PROMOVE Biodiversidade e Projecto de Resiliência Rural do Norte de Moçambique (MozNorte).

O evento, que contou com a presença de membros do Governo, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, sector privado e representantes de comunidades locais, teve como foco o fortalecimento das parcerias para a conservação, a valorização do conhecimento tradicional e o papel das comunidades como agentes activos na protecção e gestão sustentável dos recursos naturais.

Compromissos renovados na abertura oficial

A cerimónia oficial de abertura, dirigida por Sua Excelência Gustavo Sobrinho Djedje, Secretário de Estado do Ambiente do MAAP, sublinhou a urgência de transformar os compromissos em acções concretas. O governante apelou à criação de meios de vida sustentáveis e à necessidade de alcançar resultados que possam ser avaliados na próxima conferência.

A presença de todos demonstra o compromisso em envolver as comunidades na conservação e uso sustentável dos recursos naturais”, referiu.

Experiências locais como base para soluções sustentáveis

No dia anterior à abertura oficial da Conferência, a 29 de Julho, realizou-se uma sessão de pré-evento dedicada à troca de experiências comunitárias, envolvendo participantes de todas as províncias do país, particularmente das zonas tampão das Áreas de Conservação. Esta sessão destacou a importância da participação local na restauração dos ecossistemas, no maneio sustentável e na resiliência face às mudanças climáticas.

Destaques do Segundo dia: Viabilidade, equidade e ecossistemas saudáveis

O segundo dia da conferência foi marcado por debates sobre a efectividade do Maneio Comunitário e os primeiros resultados de um estudo sobre a viabilidade das cadeias de valor nas zonas tampão. Foi reforçada a necessidade de integrar governação local, conservação e desenvolvimento económico, de modo a garantir que os benefícios sejam distribuídos de forma justa e inclusiva.

Por sua vez, a BIOFUND reafirmou a importância de abordagens integradas que reconhecem o valor do saber comunitário, fortalecem a governação local e contribuem para a sustentabilidade das Áreas de Conservação.

Destaques do Último dia: Parcerias, políticas públicas, financiamento sustentável e segurança jurídica

O encerramento da conferência destacou a importância da articulação entre as práticas comunitárias e o quadro legal nacional, defendendo maior segurança jurídica, reconhecimento formal das iniciativas locais e financiamento sustentável para garantir a continuidade das acções e efeitos de longo prazo.

As sessões finais reforçaram ainda a necessidade de parcerias estratégicas que impulsionem o Maneio Comunitário como motor de inclusão económica, geração de renda e preservação do património natural.

A participação activa da BIOFUND na VI Conferência de MCRN reflecte o seu firme compromisso com um modelo de conservação centrado nas comunidades, que promove a equidade, a sustentabilidade e o desenvolvimento resiliente em Moçambique. Este evento contou igualmente com a colaboração de outros parceiros, nomeadamente a Rede de Gestão Comunitária dos Recursos Naturais (ReGeCom), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o Banco Mundial.

BIOFUND apoia avaliação dos recifes de techobanine no Parque Nacional de Maputo

Entre os dias 27 de Junho e 2 de Julho de 2025, decorreu a primeira fase de recolha de dados para o estudo de base do Sistema de Recifes de Techobanine (SRT), a maior Área de Protecção Total Marinha do Parque Nacional de Maputo (PNAM). A iniciativa, liderada pela Fundação Likhulu, conta com o apoio financeiro da BIOFUND, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, financiado pela Suécia e outras entidades, e é desenvolvida em estreita colaboração com o Parque Nacional de Maputo.

Durante esta fase, foi realizado um extenso levantamento batimétrico que permitiu a recolha de mais de 50 mil pontos de dados georreferenciados. A equipa técnica percorreu mais de 500 quilómetros em mar aberto, mapeando o fundo marinho e identificando 185 potenciais locais para futuras actividades de mergulho científico.

Com base nas informações recolhidas e em observações no terreno, foram também identificados 24 locais prioritários, considerados adequados para estudos aprofundados das comunidades de corais, peixes, invertebrados e megafauna marinha. Durante esta primeira missão, foram avistadas várias espécies emblemáticas, incluindo tartaruga-verde, raia-manta, garoupa-batata e tubarão-de-pontas-pretas, reforçando a importância ecológica da área.

Nas próximas fases do projecto está prevista a recolha de amostras de água, sedimento e tecidos de organismos marinhos para análise de DNA ambiental (eDNA). Esta técnica inovadora permitirá obter uma visão mais abrangente da biodiversidade presente nos recifes, a partir de vestígios genéticos encontrados no ambiente, sem que seja necessário a sua visualização.

A avaliação dos recifes de Techobanine surge como um contributo para a gestão e conservação dos ecossistemas marinhos do Parque Nacional de Maputo. Os dados recolhidos vão permitir decisões mais informadas e sustentáveis, reforçando a protecção deste ecossistema único.