Juventude com Propósito no Sector da Conservação: O impacto do PLCM na trajectória de Massambo Batalhão

‘’Sou um jovem conservacionista dedicado à protecção da fauna bravia e à gestão sustentável dos recursos naturais. Acredito no poder dos jovens para transformar o sector ambiental e trabalho com compromisso para fazer parte dessa mudança.’’  Descreveu Massambo Batalhão, estagiário da 7ª edição do Programa de Liderança para Conservação de Moçambique (PLCM), formado em Florestas e Fauna Bravia pelo Instituto Agrário de Chimoio, que foi alocado na Coutada 14 no complexo de Marromeu.

A sua participação no PLCM, foi determinante na sua trajectória profissional. Massambo considera esta experiência “extremamente enriquecedora” pois, permitiu-lhe consolidar a formação em Florestas e Fauna Bravia, fortalecer competências práticas essenciais e compreender com maior profundidade os desafios reais que a conservação enfrenta no país.

Os primeiros meses no terreno trouxeram desafios significativos. Adaptar-se ao ambiente de trabalho, sobretudo durante a época chuvosa, não foi fácil. Enfrentou situações de risco, como a presença de armadilhas mecânicas destinadas a animais de grande porte. Teve também inseguranças sobre como aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação, sem receio de falhar.

Com humildade e determinação, procurou orientação dos colegas mais experientes, o que o ajudou a ganhar clareza e confiança. Gradualmente, superou o medo de errar, aprendendo com cada experiência e fortalecendo-se através da prática contínua. Essa combinação de apoio, disciplina e envolvimento activo nas actividades do terreno permitiu-lhe, ultrapassar todos os obstáculos.

A sua formação em Florestas e Fauna Bravia revelou-se fundamental, pois forneceu-lhe bases técnicas para contribuir de forma directa na conservação da biodiversidade. Massambo destaca a sua capacidade de actuar na monitoria ambiental, gestão participativa dos recursos naturais, educação comunitária e identificação de ameaças à fauna e flora. Como jovem qualificado, considera-se preparado para apoiar campanhas de consciencialização, recolha de dados, patrulhamento de áreas de conservação e iniciativas de gestão sustentável.

Durante o estágio, desenvolveu também competências de liderança, comunicação, pensamento crítico e resolução de problemas. Uma das suas experiências mais marcantes foi aprender a orientar uma actividade de caça profissional, o que ampliou significativamente o seu conhecimento prático e reforçou a sua preparação para actuar como futuro guia de safari.

Actualmente, Massambo é contratado pela Nyati Safaris Lda na Coutada 14, fruto da sua dedicação e mantém-se firmemente envolvido em iniciativas de conservação, apoiando na monitoria da fauna bravia, combate à caça furtiva, gestão de conflitos Homem–Fauna, educação ambiental nas comunidades. O PLCM, afirma, aumentou de forma expressiva o seu interesse pelo sector, mostrando-lhe a urgência da protecção da biodiversidade e o poder que cada jovem tem em contribuir para soluções reais.

Para ele, o PLCM não apenas abriu portas, mas moldou a sua visão de futuro. Hoje sente-se mais motivado do que nunca, a construir uma carreira sólida e impactante na área ambiental.

Massambo aconselha outros jovens a envolverem-se em programas ligados à conservação, a investirem em formação contínua e a participarem activamente na protecção do ambiente. Encoraja-os a serem curiosos, dedicados e abertos a aprender com especialistas e com as comunidades locais. Deixa ainda uma mensagem de persistência: “A conservação exige paixão e resiliência, cada contribuição faz diferença.”

O PLCM – Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique é uma iniciativa da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), financiada pela embaixada da Suécia e Banco Mundial e visa o fortalecimento das competências de profissionais do SNAC e moldar o perfil dos futuros líderes da conservação em Moçambique.

Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas assume compromissos para o desenvolvimento da Economia de Vida Selvagem

A Conferência da Economia de Vida Selvagem, realizada nos dias 08 e 09 de Abril, na cidade de Maputo, afirmou‑se como um importante marco de convergência entre conservação da biodiversidade, desenvolvimento económico e responsabilidade colectiva.

Sob o lema “Pelo desenvolvimento de uma economia sustentável da vida selvagem em Moçambique”, o evento foi organizado pela Associação Moçambicana de Operadores de Safari (AMOS), em coordenação com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), com financiamento do Millennium Challenge Corporation (MCC), através do programa CLCR.

A conferência contou com cerca de 170 participantes, entre representantes de coutadas, operadores de safari, academia, ANAC, BIOFUND, comunidades locais de diferentes províncias do país e organizações da sociedade civil, proporcionando um espaço inclusivo de diálogo e partilha de experiências.

Durante o primeiro dia do evento, os debates centraram‑se na valorização do capital natural, na partilha justa dos benefícios com as comunidades locais, na tomada de decisão baseada em dados, no acesso ao financiamento e na importância de um quadro legal sólido e funcional para impulsionar a economia de vida selvagem em Moçambique.

Foram igualmente partilhadas experiências da região da África Austral, com destaque para Namíbia, Zimbabwe e África do Sul, assim como boas práticas das coutadas nacionais. Estas intervenções evidenciaram diferentes modelos de economia de vida selvagem, os seus desafios e abordagens para a gestão do conflito Homem–Fauna Bravia.

Outro ponto de destaque foi a necessidade de mecanismos de financiamento sustentáveis que permitam o crescimento e a consolidação da economia de vida selvagem como um sector estratégico para o país.

No encerramento da conferência, foi apresentada a Declaração sobre Economia de Vida Selvagem em Moçambique, na qual os participantes reafirmaram o compromisso de reconhecer a economia de vida selvagem como componente essencial do capital natural do país, defendendo a sua integração nas políticas públicas nacionais e nos instrumentos de ordenamento territorial, como força motriz para a conservação, a prosperidade económica e o bem‑estar das comunidades, salvaguardando as gerações presentes e futuras.

Ao intervir no encerramento do evento, Sua Excelência Roberto Mito Albino, Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, reafirmou o comprometimento do Governo com a implementação da declaração, assegurando que “o Ministério fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir a parte que lhe compete nesta declaração, contando com o apoio e o engajamento de todos os intervenientes”.

Reforçando esta posição, o Ministro sublinhou ainda que:
 “Reafirmamos o nosso compromisso pleno com a economia da vida selvagem, assegurando a o fortalecimento de políticas de conservação, a criação de um ambiente favorável ao investimento e a valorização do papel do sector privado e das comunidades, para que este sector contribua de forma efectiva para o desenvolvimento sustentável do país.”

A Conferência da Economia de Vida Selvagem encerrou com a convicção de que Moçambique reúne condições únicas para posicionar a vida selvagem como um pilar estratégico do desenvolvimento sustentável, conciliando conservação da biodiversidade, crescimento económico e benefícios concretos para as comunidades locais. O compromisso assumido pelo Governo, aliado à colaboração entre o sector público, privado, comunidades, academia e sociedade civil, reforça a visão de uma economia de vida selvagem robusta, inclusiva e orientada para o futuro, capaz de contribuir de forma duradoura para a prosperidade do país.

MozRural promove acesso à água com consignação de furos em Mágoè e Cahora Bassa

Na primeira semana de Abril, teve lugar a cerimónia de consignação das obras para a construção de furos de água no Parque Nacional de Mágoè, na província de Tete, uma iniciativa implementada no âmbito do Programa MozRural, com o objectivo de melhorar as condições de vida das comunidades locais e reforçar a gestão da Área de Conservação.

A intervenção insere-se num conjunto de acções em curso no Parque Nacional de Mágoè e sua zona tampão, orientadas para a promoção de meios de subsistência sustentáveis, com destaque para a ampliação do acesso à água potável segura. No total, serão construídos 16 furos de água, dos quais 13 destinados às comunidades dos distritos de Mágoè e Cahora Bassa e 3 para reforçar os postos de fiscalização no Parque Nacional de Mágoè. Esta acção irá beneficiar mais de 5.000 pessoas, contribuindo de forma significativa para a melhorias das condições de vida e do bem-estar das populações locais.

A cerimónia contou com a presença da Administradora do Distrito de Mágoè, Marlene Sande de Sousa, representante da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Rezia Cumbi, Administradora do Parque Nacional de Mágoè, Juliana Mwitu, Directora da Administração e Finanças da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), Celeste Chitara, Coordenador do programa MozRural, Alexandre Milice e outros parceiros.

Durante a sua intervenção, a Administradora do Parque Nacional de Mágoè destacou que a disponibilização de infra-estruturas de água em diferentes postos do parque terá um impacto significativo na eficiência operacional da Área de Conservação. Para administradora a existência de água local reduzirá a necessidade de deslocações frequentes para o seu abastecimento, permitindo que técnicos e fiscais se concentrem em actividades essenciais, como patrulhas e fiscalização. Acrescentou ainda que os novos furos irão melhorar as condições de saneamento, possibilitando o pleno funcionamento de infra-estruturas já existentes, como casas de banho, e contribuindo para melhores condições de higiene e bem-estar do pessoal afecto ao parque.

Por sua vez, a Administradora do Distrito de Mágoè sublinhou o impacto social da iniciativa, referindo que o acesso facilitado à água potável irá reduzir as longas distâncias percorridas pelas comunidades na sua procura, promovendo maior dignidade e qualidade de vida. Destacou igualmente que o projecto contribuirá para a redução de doenças de origem hídrica, melhoria da saúde pública, aumento da produtividade agrícola e pecuária, e dinamização do desenvolvimento económico local. A dirigente enfatizou ainda que a iniciativa está alinhada com as prioridades do governo distrital, ao responder a uma necessidade básica das comunidades e contribuir para os esforços de redução da pobreza.

Com esta iniciativa, o Programa MozRural reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento integrado das comunidades que vivem em torno das Áreas de Conservação, promovendo soluções que conciliam a melhoria das condições de vida com a conservação da biodiversidade.

Programa do Mel promove desenvolvimento sustentável na Reserva Nacional de Pomene

Na Reserva Nacional de Pomene, está em curso a implementação do Programa do Mel, uma iniciativa que alia a conservação da biodiversidade ao desenvolvimento sustentável das comunidades locais. A acção promove a apicultura como uma actividade económica compatível com a conservação, contribuindo não só para a geração de rendimento alternativo, mas também para a manutenção dos serviços ecossistémicos, com destaque para a polinização das plantas feita pelas abelhas, fundamental para a regeneração natural das espécies e para a resiliência dos habitats.

A iniciativa inclui a instalação de colmeias, a capacitação técnica de quatro comunidades da Zona Tampão da Reserva, Nhahusua, Muchungo, Minerva e Pomene e, o fortalecimento das cadeias de valor associadas ao mel, criando oportunidades concretas de inclusão económica.

No total, foram instalados quatro apiários comunitários, um em cada comunidade, sendo que cada apiário é composto por oito colmeias, totalizando 32 colmeias. Foram igualmente distribuídos kits completos de apicultura a 32 beneficiários (26 homens e 6 mulheres), com oito participantes por comunidade, incluindo equipamentos essenciais para o exercício seguro e eficiente da actividade.

Esta iniciativa conta com o apoio do Programa de Conservação da Biodiversidade, através da BIOFUND, com financiamento do Governo da Suécia, reforçando o compromisso com soluções que conciliam a conservação, a economia e o bem-estar das comunidades locais.

Sistemas de abastecimento de água impulsionam desenvolvimento na zona tampão da Reserva Nacional de Pomene

O Administrador do distrito de Massinga, Abílio Machado, realizou no passado dia 30 de Março, uma visita de trabalho às obras de construção de sistemas de abastecimento de água multiuso nas comunidades de Nhaushua e Pomene, localizadas na zona tampão da Reserva Nacional de Pomene. A iniciativa enquadra-se num programa mais amplo que prevê a construção de quatro sistemas de abastecimento de água destinados a beneficiar as comunidades de Nhaushua, Muchungo, Minerva e Pomene, reforçando o acesso à água e promovendo melhores condições de vida para as comunidades locais.

Durante a visita, o administrador deslocou-se às comunidades de Nhaushua e Pomene, onde avaliou o progresso das obras e manteve encontros com os Comités de Gestão dos Recursos Naturais. Na ocasião, destacou a importância destas infraestruturas no desenvolvimento comunitário, sublinhando a importância do envolvimento activo das comunidades no acompanhamento das obras, no cumprimento dos prazos estabelecidos e na preparação das áreas destinadas a produção agrícola.

Uma vez concluídos, estes sistemas de abastecimento de água irão garantir o acesso à água para consumo humano, abeberamento do gado e apoio à produção agrícola, com especial enfoque no cultivo de hortícolas, contribuindo assim para a segurança alimentar e geração de rendimento.

A iniciativa demonstra, de forma clara, que a conservação da biodiversidade pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento sustentável das comunidades. Resulta de um esforço conjunto entre o Governo Distrital de Massinga, a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Reserva Nacional de Pomene, a BIOFUND e o Governo da Suécia, que, através de uma actuação coordenada, continuam a investir em soluções concretas e de impacto para as comunidades da zona tampão.

Primeiro Pangolim resgatado no Centro do Parque Nacional de Chimanimani marca Avanço na Conservação da Espécie em Moçambique

No âmbito do projecto “Resgate, Reabilitação e Soltura do Pangolim no Parque Nacional de Chimanimani”, financiado pelos fundos do Cartão bio, foi realizado com sucesso o primeiro resgate e devolução à natureza de um pangolim, reforçando a protecção de uma das espécies mais traficadas do mundo.

O animal foi encontrado fora do seu habitat natural na comunidade de Mpunga, na zona tampão do parque, e encaminhado para o Centro de Resgate, Reabilitação e Soltura do Pangolim, inaugurado em 2025. Esta infra-estrutura, criada a partir da adaptação de um contentor especializado, dispõe de áreas de primeiros socorros, quarentena e um recinto controlado para recuperação dos animais resgatados.

No centro, o pangolim foi submetido a uma avaliação sanitária, que confirmou o seu bom estado geral, com sinais ligeiros de desidratação e estresse, prontamente estabilizados pela equipa técnica. Durante o processo, foram instalados dispositivos de rastreamento VHF e GPS para permitir a monitoria após a sua soltura.

Considerando a elevada sensibilidade da espécie ao cativeiro, o animal foi libertado no mesmo dia numa área segura do parque, com condições ecológicas adequadas e reduzida presença humana, marcando o primeiro caso registado pelo centro desde a sua criação, e que se revelou bem-sucedido de sucesso do centro.

Após a soltura, iniciou-se a monitoria por telemetria, com acompanhamento regular para avaliar a adaptação e sobrevivência do animal. Este sistema permitirá também recolher dados sobre padrões de movimento e uso de habitat, contribuindo para o reforço das estratégias de conservação.

Desde 2021, antes da instalação do centro, mais de uma dezena de pangolins já foram resgatados nesta área de conservação, muitos deles vítimas do tráfico ilegal. Com a criação desta infra-estrutura, passaram a existir melhores condições para o maneio, estabilização e acompanhamento dos pangolins resgatados, aumentando as suas hipóteses de sobrevivência e reintegração na natureza.

Paralelamente, têm sido realizadas acções de sensibilização junto das comunidades locais, com o objectivo de reduzir a captura ilegal e promover a protecção da espécie.

A implementação deste centro e os resultados agora alcançados evidenciam o impacto dos fundos do Cartão bio, uma parceria entre a BIOFUND e o Banco Comercial de Investimentos (BCI), no reforço da capacidade nacional de resposta ao tráfico de fauna bravia e na conservação da biodiversidade em Moçambique.

Seminário de catalisação do GALS reforça aprendizagem, inclusão e mudanças práticas nas comunidades do Niassa

No âmbito da implementação da metodologia GALS, a BIOFUND realizou em Chipanje Chetu, na província do Niassa um seminário de catalisação que reuniu 68 participantes, dos quais 42 homens e 26 mulheres. Entre os presentes, 31 eram adultos e 37 jovens. A iniciativa integrou o trabalho que vem sendo desenvolvido nos projectos MozNorte e MozRural, para reforçar relações de género mais equitativas, meios de vida mais resilientes e uma participação comunitária mais activa.

Mais do que um momento de formação, o seminário serviu para monitorar o trabalho já realizado nas comunidades, avaliar as réplicas feitas em aprendizagem em pares, consolidar aprendizagens do primeiro ciclo e definir metas para os três meses seguintes. O processo incluiu também reflexão colectiva, visitas de campo, partilha entre participantes e introdução de ferramentas de monitoria e avaliação.

A metodologia GALS aposta em ferramentas visuais e participativas para ajudar famílias, grupos comunitários e lideranças locais a identificar desafios, construir planos de acção e transformar relações marcadas por desigualdades. No contexto das áreas de conservação, esta abordagem é particularmente relevante, porque a boa gestão dos recursos naturais depende também de comunidades mais inclusivas, organizadas e capazes de decidir em conjunto.

O Casal, Abel Daimone e Sicuzane Iassine, afirma que a metodologia já está a produzir mudanças concretas na sua família: “estamos a melhorar nossas vidas (…) estamos a conseguir economizar dinheiro (…) queremos melhorar com a nossa casa.” Outros testemunhos apontam para a diversificação dos meios de vida, incluindo cajueiros e criação de pequenos animais, bem como para melhorias graduais na habitação e no bem-estar familiar.

Estes exemplos ajudam a perceber que o GALS não se limita à sala de formação. A metodologia prolonga-se na vida quotidiana, nas decisões familiares, na organização económica e na forma como mulheres, homens e jovens passam a participar na definição do futuro das suas comunidades.

Ao promover diálogo, aprendizagem em pares e liderança local, a iniciativa reforça uma base importante para que a conservação da biodiversidade caminhe lado a lado com inclusão social, dignidade e oportunidades concretas para as famílias.

Moçambique debate modelo inovador para impulsionar a conservação e acelerar a implementação de contrabalanços da biodiversidade

Moçambique avaliou, na segunda semana de Março de 2026, o potencial dos bancos de mitigação como mecanismo complementar para acelerar e reforçar a implementação dos contrabalanços de biodiversidade no país. O tema foi debatido durante um workshop realizado em Maputo, organizado pelo Programa COMBO+ — uma parceria entre a Wildlife Conservation Society (WCS), a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), através da Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC).

O encontro reuniu mais de 35 participantes, incluindo representantes do Governo, sector privado — com destaque para grandes empresas extractivas com obrigações de implementar contrabalanços de biodiversidade — da academia, da sociedade civil e de parceiros de conservação.

Os bancos de mitigação permitem que empresas privadas invistam antecipadamente em acções de conservação, como a restauração e protecção de ecossistemas. Estas acções geram créditos, que depois podem ser usados por projectos que precisam de contrabalançar os seus impactos sobre a biodiversidade. Na práctica, trata-se de um modelo que procura garantir que os danos causados sejam compensados de forma planeada e mensurável, podendo mesmo gerar ganhos de biodiversidade. Segundo experiências internacionais, este mecanismo pode reduzir em até 50% o tempo necessário para o licenciamento de projectos, sendo por isso especialmente relevante para países com forte pressão sobre ecossistemas, como Moçambique.

A empresa colombiana Terrasos, pioneira na implementação de bancos de mitigação na América Latina, partilhou a experiência do seu país, sublinhando a eficácia do mecanismo e a importância de legislação adequada, bem como de sistemas transparentes e sólidos de registo e monitoria.

As discussões do workshop indicaram que este modelo é promissor para Moçambique, pois pode acelerar a implementação dos contrabalanços de biodiversidade e reforçar o financiamento sustentável da conservação, contribuindo para cumprir metas de restauração e protecção das áreas de conservação e áreas-chave para a biodiversidade existentes em Moçambique.

O workshop permitiu ainda identificar oportunidades, desafios e próximos passos para avaliar a viabilidade deste modelo no país, incluindo a análise numa área piloto do projecto Futuro Azul em Memba–Mossuril. O estudo também analisa a possibilidade de combinar diferentes mecanismos de financiamento, como contrabalanços de biodiversidade, carbono azul, créditos voluntários, visando desenvolver um modelo integrado adequado ao contexto moçambicano.

Reabilitadas 14 fontes de Água no distrito de Sanga no âmbito do Projecto MozNorte

Catorze fontes de água foram reabilitadas em várias comunidades do distrito de Sanga, província de Niassa, no âmbito do Projecto MozNorte, contribuindo para melhorar o acesso à água potável para cerca de 4.200 pessoas.

A actividade foi realizada no último trimestre de 2025, nas comunidades de Ntwara, Maumbica, Nova Madeira, Mowoola, 2º Congresso, Ngogoma e Matchedje Aldeia, localizadas nos postos administrativos de Matchedje e Macaloge. Antes desta intervenção, foi realizado um levantamento para avaliar o estado de funcionamento das fontes de água e dos Comités de Água e Saneamento (CAS), bem como para identificar as principais necessidades de recuperação.

Após a reabilitação, foram revitalizados os Comités de Água e Saneamento (CAS) das comunidades beneficiárias, e estes receberam treinamento e kits de manutenção, destinadas à realização de reparações em caso de avarias ligeiras, reforçando assim a capacidade local de gestão e manutenção das infra-estruturas.

Esta intervenção foi realizada no âmbito das acções do projecto MozNorte, implementadas pela Helvetas Swiss Intercooperation (HELVETAS), na Área de Conservação Comunitária de Chipanje Cheto, que integra nove comunidades do distrito de Sanga. A reabilitação destas fontes representa um contributo importante para melhorar o acesso das comunidades locais à água potável e reforçar as condições de funcionamento das infra-estruturas comunitárias de abastecimento de água.

O Projecto MoNorte é implementado na região Norte de Moçambique com o objectivo de contribuir para a melhoria do acesso a oportunidades de meios de vida para comunidades vulneráveis e para a gestão sustentável dos recursos naturais, com o financiamento do Banco Mundial, através da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).

Equipamentos do Projecto CBDC reforçam capacidade operacional do Parque Nacional de Chimanimani

O Parque Nacional de Chimanimani recebeu, no dia 11 de Março, um conjunto de equipamentos adquiridos no âmbito do projecto de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário (CBDC), numa cerimónia que marcou a transferência oficial destes bens para o parque, enquanto beneficiário final.

Os equipamentos incluem meios circulantes, material informático e equipamentos destinados ao processamento de produtos associados às cadeias de valor desenvolvidas nas comunidades locais, como a produção de mel e outros produtos naturais. Durante o período de implementação do projecto, estes bens estiveram sob gestão da Fundação Micaia, parceiro de implementação responsável pela implementação das actividades no terreno, em coordenação com o Parque Nacional de Chimanimani e as comunidades da zona tampão.

A entrega dos equipamentos ocorre no contexto do encerramento do projecto CBDC, que durante cinco anos apoiou iniciativas integradas de conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário no Parque Nacional de Chimanimani e sua zona tampão. Com um financiamento total de 4,8 milhões de euros, provenientes da Agência Francesa para o Desenvolvimento, este projecto contribuiu para fortalecer o conhecimento sobre a biodiversidade do parque, promover meios de subsistência sustentável nas comunidades e desenvolver mecanismos inovadores de financiamento para a conservação.

Ao longo da sua implementação, o projecto permitiu registar mais de 1.300 espécies de flora e fauna no PNC, apoiar a organização comunitária e consolidar cadeias de valor, reforçando a ligação entre conservação e geração de rendimentos para as comunidades locais.

Com a transferência dos equipamentos para o PNC, pretende-se garantir a continuidade das acções iniciadas pelo projecto, fortalecendo a capacidade operacional do parque e apoiando iniciativas que conciliam a conservação com o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem na zona tampão do parque.

Três novos Projectos Financiados pelos Fundos do Cartão bio Reforçam Conservação e Desenvolvimento Comunitário

A parceria entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial de Investimentos (BCI) está a impulsionar a implementação de três novos projectos de conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário que estão a ser implementados em diferentes regiões de Moçambique com financiamento proveniente dos Fundos do Cartão bio. As iniciativas, que decorrem nas províncias de Manica, Niassa e Sofala, apostam em soluções que promovem a coexistência entre comunidades e vida selvagem, ao mesmo tempo que criam oportunidades económicas sustentáveis para as comunidades locais.

Na província de Manica, a Associação NATURA Moçambique implementa o projecto “Investir nas comunidades, fortalecer a coexistência com Elefantes” na Área de Conservação Macossa-Tambara, integrada na Grande Paisagem Gorongosa-Marromeu. A iniciativa visa reforçar o papel dos Comités Comunitários de Gestão de Recursos Naturais (CGRNs) e implementar medidas para reduzir o conflito entre homem – elefantes, incluindo a colocação de cercas eléctricas, celeiros resistentes e vedações com colmeias. O projecto promove igualmente a produção de mel como fonte alternativa de rendimento para as comunidades. A iniciativa terá a duração de um ano e conta com um financiamento de cerca de 49 mil USD.

Na Reserva Especial de Niassa, no Bloco L7 da Lugenda Wildlife Reserve, a Fundação Lugenda está a implementar o projecto “Centro de Treino de Artesãos e Revitalização do Projecto Mel”, direccionado na capacitação de jovens em carpintaria e soldadura, bem como na revitalização da apicultura comunitário. A iniciativa pretende ampliar oportunidades de emprego e empreendedorismo local, promovendo ao mesmo tempo actividades económicas compatíveis com a conservação dos recursos naturais. O projecto iniciou em Dezembro de 2025, terá a duração de um ano e conta com um financiamento superior a 44 mil USD.

Já no Complexo de Marromeu, no Delta do Zambeze, está a ser implementado o projecto “Construindo Comunidades Resilientes para Promover a Convivência Sustentável no Complexo de Marromeu”, que aposta no fortalecimento da resiliência das comunidades locais através da promoção de meios de subsistência sustentáveis. Entre as principais acções destacam-se o reforço da apicultura comunitária, a promoção de práticas de agricultura de conservação e iniciativas de sensibilização ambiental, bem como estratégias para mitigar o conflito Homem-Fauna Bravia. O projecto iniciou em Novembro de 2025, tem a duração de um ano e conta com um financiamento superior a 42 mil USD.

Desde a sua criação, os Fundos do Cartão bio já apoiaram nove projectos de pequena dimensão, promovendo soluções inovadoras para a conservação da biodiversidade em diferentes regiões do país e contribuindo para melhorar as condições de vida das comunidades que vivem na zona tampão das Áreas de Conservação.

BIOFUND e BCI assinam adenda ao protocolo do Cartão bio e reforçam parceria pela conservação da biodiversidade

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) assinaram uma adenda ao protocolo de parceria do Cartão bio, renovando uma colaboração iniciada em 2017 e reafirmando o compromisso conjunto com a conservação da biodiversidade em Moçambique.

A assinatura reforça uma parceria que, ao longo dos anos, tem ligado inovação financeira, responsabilidade social e conservação, através de um mecanismo que permite canalizar recursos para projectos de biodiversidade no país.

Durante a cerimónia, o Presidente da Comissão Executiva do BCI, Francisco Costa, sublinhou o valor e a longevidade da iniciativa, afirmando tratar-se de “uma parceria de que muito nos orgulhamos” e que o considera que continuamos “a ir bem, a desenvolver, e a manter, e a querer que cresça de mãos dadas entre o BCI e a BIOFUND”. O responsável destacou ainda que um dos grandes desafios passa por “incrementar cada vez mais o número de cartões e o número de utilizações desse mesmo cartão”, para que os montantes canalizados para a conservação sejam de maior dimensão.

Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, afirmou que o momento simboliza mais do que uma formalidade institucional: “celebramos hoje mais do que uma assinatura de uma adenda” e “a continuidade de uma visão comum”, assente na construção de “mecanismos concretos, duradouros e credíveis” para apoiar a conservação da biodiversidade em Moçambique.

No seu discurso, o PCA da BIOFUND destacou também a força transformadora da iniciativa, sublinhando que “a conservação da biodiversidade não é apenas assunto de especialistas ou de doadores”, mas também “uma causa em que cidadãos comuns, através de escolhas do dia a dia, podem participar”. Acrescentou ainda que esta parceria mostra que “o sector financeiro pode ser um aliado estratégico do bem comum”.

Lançado em 2017, o Cartão bio foi concebido como um mecanismo de apoio à conservação da biodiversidade através de um produto bancário associado a responsabilidade social e ambiental. A adenda agora assinada reforça a maturidade institucional desta cooperação, actualizando cláusulas ligadas à duração do protocolo, obrigações das partes, partilha trimestral de informação, confidencialidade, integridade e gestão de riscos. O documento mantém igualmente o enquadramento segundo o qual o BCI canaliza 200 meticais por cada Cartão bio emitido para apoio às actividades da BIOFUND em prol da conservação da biodiversidade.

Ao longo dos anos, os fundos associados ao Cartão bio têm apoiado diferentes iniciativas de conservação em Moçambique. Com esta nova etapa, a BIOFUND e o BCI reafirmam a ambição de mobilizar mais pessoas, financiar mais soluções e fortalecer mecanismos inovadores de conservação no país.

Mágoè e Chitima reforçam resposta coordenada a casos de Violência Baseada no Género e protecção da criança com revitalização de mecanismos multissectoriais

Os distritos de Mágoè e Chitima, na província de Tete, acolhem entre os dias 02 e 06 de Março de 2026, uma formação destinada a fortalecer e operacionalizar o Mecanismo Multissectorial Distrital de prevenção, encaminhamento seguro e resposta coordenada a casos de Violência Baseada no Género (VBG), Exploração e Abuso Sexual (EAS/AS) e protecção da criança.

A iniciativa reforça a coordenação entre serviços que actuam de forma complementar, saúde, acção social, polícia, educação, justiça e organizações comunitárias – respondendo a desafios recorrentes de articulação, fluxos de referência pouco claros e ausência de procedimentos padronizados.

Durante a formação, os participantes trabalham com metodologias participativas (incluindo estudos de caso, simulações, trabalhos em grupo, mapeamento institucional e planeamento participativo) com enfoque numa abordagem centrada na pessoa sobrevivente e alinhada com salvaguardas sociais, incluindo requisitos do Banco Mundial.

O programa abordou temas como enquadramento legal e normas nacionais relevantes, incluindo a Lei 19/2019 (Prevenção e Combate às Uniões Prematuras) e a Lei 29/2009 (Violência Doméstica praticada contra a Mulher) – abordagem centrada na pessoa sobrevivente, monitoria de riscos na comunidade e no local de trabalho, e procedimentos para comunicação de incidentes.

A abertura contou com a participação de representantes do Governo Distrital, do Parque Nacional de Mágoe (PNM) em coordenação com a BIOFUND.

Para Marcelino Marechal (responsável da área de cultura e de esportes e educação de uma equipe de Mágoè), a iniciativa contribui para tornar os processos mais claros para as vítimas:

“As pessoas, neste caso as vítimas, já sabem quais são os procedimentos e como poderá andar o seu caso. Já sabe onde pode iniciar, onde vai ser o processo, depois do processo, onde vai ser julgado e qual vai ser o acompanhamento.”

Domingos Batista, participante da formação, destacou também a importância do envolvimento das lideranças locais:

“Foi muito bom, é agradecer mesmo… Este encontro, esta formação, porque sempre nós entrávamos em conflitos com os líderes. Os líderes não estavam cientes de que afinal de contas, o que eles estavam a fazer não era aquilo que estava dentro das normas da lei.”

A formação teve como objectivos, reforçar conhecimentos técnicos sobre VBG,EAS/AS e a protecção da criança, clarificar papéis e responsabilidades sectoriais, mapear serviços disponíveis no distrito, estabelecer fluxos de referencia e encaminhamento, desenvolver ou actualizar Procedimentos  Operacionais Padrão (POP) e elaborar um Plano de Acção Distrital para funcionamento do mecanismo.

Entre os resultados esperados destacam-se a reactivação e fortalecimento do mecanismo distrital, a definição de papeis institucionais, a actualização do mapa de actores, a validação de fluxogramas de referência, a elaboração do POP distrital e a aprovação de um plano de acção para os próximos 6 a 12 meses.

Esta iniciativa enquadra-se no âmbito do programa MozRural que visa melhorar as praticas de gestão de recursos naturais em áreas seleccionadas pelo programa na províncias de Tete.

PLCM reúne mais de 60 jovens no Parque Nacional de Maputo para indução da 8.ª edição

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) realiza, de 03 a 06 de Março de 2026, no Parque Nacional de Maputo, a sessão de indução da 8.ª edição do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), com apoio da Embaixada da Suécia e do Banco Mundial em Moçambique, preparando mais de 60 jovens para a integração em estágios pré-profissionais em instituições do sector da conservação.

Implementado pela BIOFUND desde 2019, o PLCM tem vindo a facilitar a transição de jovens recém-graduados para o sector da conservação, através de estágios em áreas de conservação públicas e privadas, organizações da sociedade civil, sector privado e instituições do Estado. Ao longo das edições, o programa já apoiou mais de 400 jovens.

“Foi criado em conjunto com a ANAC, (Administração Nacional das Áreas de Conservação), que é a entidade que gera as Áreas de Conservação e que é fundamental nesse processo”, explica Sean Nazerali, Director de Financiamentos Inovadores, Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).

Nazerali destaca ainda que o programa melhora a empregabilidade dos participantes e reforça capacidades nas instituições que os acolhem: “Até hoje, aproximadamente entre 30% e 35% dos estagiários encontram emprego no fim de estágio.” Chegando a níveis acima de 80%, como por exemplo no Parque Nacional de Banhine.

De acordo com Nilton Yombayomba, Director de Divisão de Admissão a Finanças e Recursos Humanos, ANAC, O nosso papel nesta capacitação é darmos o acompanhamento dos estagiários seleccionados que serão  adstritos nas diversas áreas de conservação a nível nacional”.

Quando temos oportunidade de ter jovens recém-formados e alguns até em áreas diretamente ligadas a este assunto, é sempre uma mais-valia, afirma Luís Buchir, Administrador da Área de Protecção Ambiental do Maputo. “Eu posso garantir é que eles saem daqui melhores do que entraram” acrescenta o administrador.

A parceria com o Instituto Nacional de Emprego (INEP) reforça a componente de inserção profissional do programa e incentiva mais jovens a candidatarem-se.

Para Patrício Fergusson, Chefe do Departamento Central de Informação e Orientação Profissional do INEP, a iniciativa vai além da capacitação. “Este programa não só capacita; é, acima de tudo, uma verdadeira academia”, afirma.

O responsável deixou ainda um apelo aos jovens: “Candidatem-se. Trata-se de um processo transparente, justo e acessível a todos.”

Por seu lado, os estagiários valorizam a oportunidade de transformar teoria em prática e de aprender com técnicos e comunidades. “Está a ser uma experiência muito boa, está a dar para crescer como pessoa e profissionalmente” afirma Jennifer Langa, Estagiária do PLCM (Engenharia Ambiental e Gestão de Desastres), estagiária da 7ª edição do PLCM, afecta na BIOFUND. “Não vamos só para partilhar o que sabemos, mas também vamos para aprender com os técnicos que lá estão e com as comunidades locais” acrescenta Celácio Fernandes, Estagiário do PLCM (Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia), estagiário da 8ª edição do PLCM.

A indução está organizada em quatro blocos: integração ao sector de conservação; fundamentos técnicos e competências profissionais; imersão de campo (safari e visita); e segurança/primeiros socorros, com apresentação final de materiais produzidos (fotografias, iNaturalist e rascunhos de notícias).

Fica atento as nossas plataformas digitais para saber mais sobre este programa.

BIOFUND Activa Fundo de Resposta a Emergências Climáticas nos Parques de Limpopo, Banhine e Zinave

Em Janeiro de 2026, fortes chuvas provocaram cheias severas em várias regiões da zona Sul de Moçambique. Em resposta, a BIOFUND, através do Programa de Resposta a Emergências Climáticas (BIO-CERP), mobilizou apoio imediato aos Parque Nacional do Limpopo, Banhine e Zinave, protegendo comunidades, infra-estruturas críticas e garantindo a continuidade das operações de conservação.

No Parque Nacional do Limpopo, as acções incluíram a entrega de redes de mosquiteiras, medicamentos essenciais e alimentos as comunidades afectadas, bem como a evacuação e transportes médicos em áreas de acesso condicionado. Foi também realizada a reabertura e limpeza da via de acesso de Massingir- fronteira de Giriyondo, assegurando a mobilidade operacional e a retomar das actividades em coordenação com o Parque Nacional do Kruger.

No Parque Nacional de Banhine, o programa apoiou, incluiu reparações urgentes, reforço da protecção de fiscais e abertura de uma via alternativa de 110 km, restabelecendo a ligação entre a sede do Parque e os postos de fiscalização de Macuambe e Mungaze. Foram ainda contratadas equipas para a realização de trabalhos sazonais (eco-jobs) na limpeza e abertura de desvios, garantindo acesso continuo às áreas afectadas.

No Parque Nacional do Zinave, as acções centraram-se na preparação e mitigação de riscos, com reforço de infra-estruturas vulneráveis (incluindo a manutenção de vias de acesso), aquisição de equipamentos preventivos e capacitação das equipas locais para resposta rápida a eventos climáticos extremos.

O BIO-CERP, financiamento da Agência Francesa para o Desenvolvimento (AFD) e pelos rendimentos do endowment da BIOFUND, disponibiliza recursos anuais para apoiar as Áreas de Conservação antes, durantes e após eventos climáticos extremos, protegendo pessoas, bens e contribuindo para a preservação da biodiversidade.

BIOFUND recebe visita do Embaixador da União Europeia e reforça sinergias para 2026

Na segunda semana de fevereiro de 2026, a BIOFUND reuniu-se com o Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, para fazer o balanço da fase final do PROMOVE Biodiversidade e identificar potenciais áreas de cooperação para 2026, reforçando o diálogo institucional entre as duas partes.

A BIOFUND, representada pelo Presidente do Conselho de Administração, Carlos dos Santos, pelo Director Executivo, Luís Honwana, e pela sua equipa, acolheu a visita do Embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique, Antonino Maggiore, acompanhado por Anne-Ael Pohu (Chefe da Equipa Resiliência e Mudanças Climáticas) e Aude Guignard (Oficial do Programa de Ambiente e Mudanças Climáticas).

O encontro centrou-se na apresentação da BIOFUND desde a sua criação, incluindo os seus principais objectivos estratégicos, actividades-chave, estrutura organizacional e mecanismos de gestão de fundos próprios e de terceiros, bem como no reforço do diálogo com a Delegação da UE em Moçambique.

Um dos pontos em destaque foi a finalização, que irá acontecer este ano, do programa PROMOVE Biodiversidade (2019-2026), financiado pela UE. No âmbito deste apoio, foram partilhados resultados e acções relevantes, com enfoque em três frentes:

1. Reforço da gestão no Parque Nacional do Gilé

  • Abertura de 65 km de picada de delimitação do parque;
  • Repovoamento de fauna bravia, com a introdução de 200 búfalos;
  • Estabelecimento de infra-estruturas e tecnologias de comunicação e de monitoria ecológica em tempo real.

2. Investimentos transformadores na APAIPS

  • Contributo na instalação e extensão de escritórios;
  • Formação do primeiro contingente de fiscais e contratação de pessoal técnico e administrativo;
  • Aquisição de meios de transporte marítimos e terrestres.

3. Avanços no processo de declaração do Monte Mabu como Área de Conservação Comunitária

  • Submissão do dossier de pedido de declaração de Monte Mabu como área de conservação comunitária à ANAC.
  • Aproximação e engajamento das comunidades, com enfoque na organização comunitária para a conservação.
  • Desenvolvimento de cadeias de valor do café e feijão em parceria com o sector privado gerando benefícios económicos para os produtores para além do consumo.

Foi ainda salientado o contributo do PROMOVE Biodiversidade para pesquisa aplicada e para o desenvolvimento de instrumentos de gestão comunitária, incluindo análises de viabilidade económica de cadeias de valor e mecanismos de sustentabilidade financeira.

Para além do balanço do programa, o encontro abordou potenciais áreas de sinergia e cooperação, incluindo iniciativas como Green Value for Growth, focadas em cadeias de valor para exportação (café, soja e castanha de caju) em Manica e na Zambézia, bem como actividades em Áreas de Conservação Transfronteiriças, com base numa abordagem de paisagem.

As partes discutiram também oportunidades para maior envolvimento do sector privado, incluindo pagamento por serviços ecossistémicos e contrabalanços de biodiversidade, assim como a necessidade de promover e aprofundar diálogos políticos e técnicos, a nível nacional e internacional, sobre a importância da biodiversidade e a sua complementaridade com agendas prioritárias como energia, digitalização, educação, turismo e investimentos inovadores.

O encontro permitiu reforçar os laços institucionais entre a BIOFUND e a Delegação da União Europeia em Moçambique, partilhar informação e ideias, identificar sinergias e alinhar perspectivas para a planificação de actividades conjuntas ao longo de 2026.

BIOFUND promove reflexão estratégica sobre abordagens para 2026, reforçando alinhamento institucional, evidência e novos caminhos de financiamento

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) realizou um encontro de reflexão estratégica dedicado aos “Desafios 2026”, reunindo intervenções de membros do Conselho de Administração, equipa da instituição e participantes do sector, para discutir caminhos de reforço do impacto da conservação em Moçambique. A sessão centrou-se na actualização de abordagens – incluindo financiamento sustentável, advocacia baseada em evidência e colaboração – num contexto em que vários processos nacionais e globais influenciam o sector.

Um dos pontos mais sublinhados foi a necessidade de advocacia sustentada em conhecimento e dados. Durante o encontro, o Professor Narciso Matos destacou: “A boa advocacia só funciona se for baseada em evidência científica”, defendendo investimento consistente em informação, análise e capacidade técnica para sustentar posicionamentos públicos e decisões estratégicas.

O encontro evidenciou igualmente a dimensão institucional do trabalho da BIOFUND, incluindo a articulação com o Estado e a resposta a prioridades do País no domínio da conservação. O Director Executivo, Luís Honwana, referiu: “Nós procuramos estar alinhados com o governo, procuramos responder aquilo que nós sabemos ser o problema da conservação do nosso país.” A Directora de Programas, Alexandra Jorge acrescentou que “as expectativas do governo, especialmente, que é com quem nós trabalhamos mais diretamente, são muito altas em relação a nós”, enquadrando este alinhamento como parte do papel da BIOFUND na mobilização e alocação de recursos para a conservação da biodiversidade, em coordenação com instituições públicas e parceiros.

No domínio da sustentabilidade financeira, foi retomada a centralidade do Fundo de Capital (endowment) e a importância de diversificar as formas de mobilização de recursos. Madyo Couto (membro do Conselho de Administração) recordou: “Temos o objectivo de chegar a 100 milhões de endowment fund até 2027.” Em paralelo, foram partilhadas medidas em curso para reforçar uma captação de fundos mais activa: “já estamos a implementar as medidas de uma nova estratégia de fundraising, mais proativa, menos reativa, menos de esperar até as doadoras aparecerem com programas e mais de buscá-las, mais de abordá-las.” (Sean Nazerali – Director de Financiamentos Inovadores). Também foi defendida a exploração de soluções no contexto nacional: “Agora impõe-se uma necessidade de fazer uma divulgação nacional, que é olhar mais para o meio doméstico e a partir dele buscar soluções que possam promover a capacidade de autofinanciamento e iniciativas nacionais ditas aqui, de financiamentos inovativos.” (Afonso Madope – membro do Conselho Fiscal).

A dimensão comunitária surgiu como elemento incontornável da conversa. Adamo Valy (vice Presidente do Conselho de Administração) reforçou: “Quem está no terreno sabe que não se faz conservação sem comunidades.”, sublinhando que resultados duradouros dependem de modelos que integrem pessoas, benefícios e governança local, de forma consistente.

A sessão concluiu com o reconhecimento de que este foi um primeiro momento de discussão e com o apelo à sistematização dos contributos e à realização de novos momentos de trabalho para aprofundar prioridades e caminhos operacionais para 2026.

Workshop inicia processo para seleccionar co-gestor da APAIPS e reforçar gestão sustentável das Ilhas Primeiras e Segundas

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) realizou, no dia 12 de Fevereiro de 2026, em Maputo, o Workshop para Identificação de um Co-Gestor para a Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS). O encontro contou com apoio do WWF Moçambique, no âmbito do projecto PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia e implementado através da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).

O workshop marcou o arranque de um processo competitivo, estruturado e transparente para a selecção de uma entidade co-gestora, com o objectivo de reforçar a eficácia da gestão, a sustentabilidade financeira e a conservação de uma das mais relevantes áreas marinhas protegidas do país. Durante as sessões, as entidades elegíveis foram convidadas a submeter a sua manifestação de interesse, etapa que abre caminho para as fases seguintes do processo de selecção.

A BIOFUND, enquanto fundo ambiental moçambicano dedicado a mobilizar, aplicar e gerir recursos financeiros em benefício da conservação da biodiversidade, sublinhou a importância estratégica da APAIPS e o valor de consolidar investimentos já realizados na área, através de um modelo de co-gestão robusto e sustentável.

A APAIPS tem um sentido muito especial para a BIOFUND, pois foi dos primeiros projectos da fundação… Pretendemos, neste workshop, trabalhar em conjunto com a ANAC e a WWF, na promoção da identificação de um co-gestor que ajude a valorizar o muito que estes projectos já investiram na APAIPS”, destacou a Alexandra Jorge, Directora de Programas da BIOFUND.

Segundo a Alexandra, o apoio da BIOFUND à APAIPS combina rendimentos de uma janela de endowment (capital de investimento cujo rendimento anual é canalizado para a conservação) e fundos de projectos, incluindo o PROMOVE Biodiversidade e o MozNorte, ambos com término previsto para 2026. Deste endowment, USD 1 milhão foram doados pela família Salle, especialmente para apoiar custos operacionais da APAIPS – um contributo filantrópico de referência, associado ao apoio da família a iniciativas globais de conservação através da Conservation International. A expectativa é que a selecção de um co-gestor contribua para catalisar fundos adicionais e assegurar apoio técnico sustentável para a gestão da APAIPS, explorando também mecanismos inovadores de financiamento, como contrabalanços de biodiversidade e turismo exclusivo, entre outras opções.

A identificação de um co-gestor está alinhada com os resultados pretendidos para a APAIPS no âmbito do PROMOVE Biodiversidade, que prevê criar condições para uma gestão e administração efectivas, com apoio técnico-financeiro à administração da área, a médio e longo prazo.

Sobre a APAIPS

A Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas foi criada em 2012, por instrumento legal específico, e abrange cerca de 1.040.926 hectares, ao longo de uma faixa costeira que se estende por aproximadamente 205 km, atravessando distritos costeiros do norte e centro do país. A APAIPS representa um mosaico de habitats costeiros e marinhos com elevada importância para a biodiversidade, e a sua consolidação institucional é determinante para garantir protecção efectiva, benefícios para as comunidades e sustentabilidade no longo prazo.

BIOFUND mobiliza apoio às vítimas das cheias no sul de Moçambique

No passado dia 06 de Fevereiro de 2026, os colaboradores da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), promoveram uma acção solidária de apoio às famílias afectadas pelas cheias e inundações que atingiram a zona sul de Moçambique no mês de Janeiro do presente ano.

As chuvas intensas registadas no início do ano provocaram inundações em várias áreas da região sul, resultando em danos materiais significativos, deslocação de famílias e agravamento das condições de vulnerabilidade de inúmeras famílias.

Face a este cenário, a BIOFUND (seus colaboradores e membros) juntou-se ao esforço colectivo de assistência humanitária, canalizando o seu apoio através dos voluntários Anónimos de Moçambique (VAMOZ).

A VAMOZ é um movimento de voluntariado da sociedade civil que actua em situações de emergência, fazendo chegar bens essenciais às populações afectadas, graças à mobilização solidaria de cidadãos e instituições. Assente no princípio de que “não recebemos dinheiro, mas construímos pontes”, a organização tem desempenhado um papel relevante na resposta a crises humanitárias.

No âmbito desta iniciativa, foram entregues bens alimentares essenciais, produtos de higiene e limpeza, água potável, vestuário e calçado, contribuindo para aliviar as necessidades imediatas das famílias afectadas.

A empresa Mozsecurity, Lda. prestadora de serviços à BIOFUND, associou-se igualmente à causa, doando nove cestas básicas, evidenciando o seu compromisso com a responsabilidade social. A iniciativa demonstra a força de uma rede de colaboradores, voluntários e parceiros que se unem quando as comunidades mais precisam.

Com esta acção, os colaboradores da BIOFUND reafirmam que a conservação da biodiversidade caminha lado a lado com o compromisso social, sobretudo em momentos em que as comunidades enfrentam situações de emergência e maior fragilidade.

Entidades interessadas em apoiar acções de solidariedade e de protecção da biodiversidade podem contactar a BIOFUND para se juntarem a iniciativas futuras.

Moçambique inicia o desenvolvimento de nova métrica de biodiversidade para medir os impactos do desenvolvimento no elefante africano

No dia 29 de Janeiro de 2026, o Programa COMBO+, uma parceria entre a Wildlife Conservation Society (WCS), a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), através da Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DINAMC), realizou o primeiro Workshop de Validação da Métrica para o Elefante Africano em Moçambique. O encontro marcou um passo importante no reforço dos instrumentos técnicos para avaliar perdas e ganhos de biodiversidade associados a projectos de desenvolvimento no país.

Esta iniciativa enquadra-se nos esforços nacionais para conciliar o desenvolvimento económico com a conservação da biodiversidade, em alinhamento com a hierarquia de mitigação e com o Diploma Ministerial n.º 55/2022, de 19 de Maio, que regula a implementação de contrabalanços de biodiversidade no país. O workshop reuniu cerca de 45 participantes, incluindo académicos, especialistas nacionais e internacionais em conservação de elefante, membros do Grupo de Especialistas em Elefantes Africanos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), consultores ambientais, proponentes de projectos de desenvolvimento e outras partes interessadas.

O principal objectivo foi apresentar e discutir o quadro conceptual e metodológico da métrica desenvolvida para o elefante africano, uma espécie prioritária para a conservação em Moçambique, classificada como “Em Perigo” pela Lista Vermelha da IUCN e protegida pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Face às crescentes pressões do desenvolvimento, à perda e fragmentação de habitats e aos conflitos homem-fauna bravia, a métrica pretende apoiar a avaliação de impactos e a definição de medidas de contrabalanço mais eficazes.

Esta é a quinta métrica de biodiversidade desenvolvida no âmbito do COMBO+, após as métricas para recifes de coral, florestas de miombo, mangais e ervas marinhas, e visa assegurar a aplicação dos princípios de Não Perda Líquida ou Ganho Líquido de biodiversidade. O processo é liderado pelo Dr. Valério Macandza, especialista em ecologia e conservação da vida selvagem, que apresentou os fundamentos científicos, a metodologia e os critérios de cálculo da métrica.

Com esta iniciativa, o Governo de Moçambique e os seus parceiros reforçam o compromisso com a soluções técnicas inovadoras que promovem um desenvolvimento mais equilibrado e a conservação de uma das espécies mais emblemáticas do país.

Chingonguene já tem energia limpa e água com sistema OffGridBox apoiado pelo Cartão bio

Parceria entre BIOFUND, BCI e Santuário Bravio de Vilanculos levou solução inovadora a mais de 100 agregados familiares e dezenas de crianças em idade escolar.

Em finais de 2025, o Santuário Bravio de Vilanculos (SBV) acolheu a inauguração do sistema OffGridBox instalado na Escola Primária e Centro Comunitário de Chingongoene, uma iniciativa financiada pelo Cartão bio, parceria entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI).

Localizada dentro de uma área de conservação, em Cabo São Sebastião, Queuene, no distrito de Vilanculos, a comunidade de Chingongoene é profundamente rural e depende quase totalmente dos recursos naturais para sobreviver. A aldeia não dispõe de rede de energia eléctrica e conta apenas com um furo comunitário de água, o que torna o acesso a serviços básicos um enorme desafio para cerca de 100 agregados familiares (480 pessoas, incluindo 240 mulheres e 215 crianças em idade escolar).

O projecto “Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário da Escola Primária e Centro Comunitário de Chingongoene”, implementado pelo Santuário Bravio de Vilanculos, foi concebido para responder a estes desafios, usando a escola primária como um verdadeiro “hub” comunitário. Através da instalação de uma solução em contentor conhecida como OffGridBox, o projecto pretende:

  • fornecer energia eléctrica sustentável,
  • disponibilizar água potável tratada,
  • criar oportunidades de geração de renda para a comunidade.

A OffGridBox funciona com base em fontes de energia renovável e permite substituir o uso de candeeiros a petróleo e de lenha para cozinhar, diminuindo a pressão sobre os recursos naturais e reduzindo as emissões de CO₂. Para além de apoiar a saúde e o bem-estar das famílias, esta mudança contribui para a conservação da biodiversidade na área protegida.

Um dos elementos inovadores da iniciativa é a criação de uma cooperativa comunitária, idealmente liderada por mulheres, que irá gerir o quiosque de energia e água, com um modelo de pagamento acessível (Pay-As-You-Go). Desta forma, a comunidade passa a dispor de um novo fluxo de rendimento colectivo, destinado a financiar pequenos projectos locais com benefícios directos para as mulheres, os jovens e outras camadas vulneráveis.

A escola primária será uma das grandes beneficiárias. A nova ligação eléctrica permitirá aos professores e aos parceiros de educação ambiental, como a Marine Megafauna Foundation, utilizar computadores, impressoras, projectores, vídeo e até ferramentas de Realidade Virtual, melhorando significativamente a qualidade das aulas e da educação para a conservação. Espera-se também um aumento da assiduidade escolar, graças ao papel da escola como centro de encontro, aprendizagem e serviços para toda a comunidade.

Através do Cartão bio e da parceria com o BCI, a BIOFUND reforça, assim, o seu compromisso em promover soluções inovadoras que conciliam conservação da biodiversidade, inclusão social e desenvolvimento comunitário sustentável dentro e em torno das áreas de conservação.

Clica no link para saberes mais sobre o Cartão bio. https://www.biofund.org.mz/projects/cartao-bio/

Doze jovens da APAIPS concluem formação técnico-profissional no IP-ADPP Nacala com bolsas do MozNorte

Doze jovens de Angoche, Larde e Moma concluíram, a 19 de Dezembro de 2025, o ciclo de formação técnico-médio profissional no Instituto Politécnico da ADPP – Nacala (Muzuane), com bolsas financiadas pelo Projecto MozNorte e acompanhamento da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) através do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM).

No final de três anos, o grupo saiu com 10 técnicos de Agropecuária e 2 de Construção Civil – um marco que junta disciplina, persistência e uma oportunidade concreta para a entrada no mercado de trabalho, o empreendedorismo ou a continuação dos estudos.

Do “sim” em 2023 ao fecho em 2025

O programa arrancou em Janeiro de 2023 com 15 jovens seleccionados para os cursos de Agropecuária e Construção Civil, num processo conduzido pela ADPP com apoio das lideranças locais dos três distritos abrangidos pela Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS).

Como o apoio foi estruturado

Entre Janeiro de 2023 e meados de 2024, a gestão directa dos bolseiros esteve sob responsabilidade do Instituto Politécnico da ADPP – Nacala, ao abrigo de um Memorandum de Entendimento (MdE) entre a ADPP e a BIOFUND.

À BIOFUND, via PLCM, coube garantir monitoria e supervisão. Com o inicio da colaboração com a WWF para a operacionalização das actividades do MozNorte na APAIPS, em meados de 2024, o programa de bolsas passou para a gestão directa deste parceiro, mantendo-se em vigor o MdE para cobrir parte das despesas do processo formativo.

Um encerramento com palco, mérito e reconhecimento

A cerimónia foi presidida pelo Director do Instituto, com presença de representantes locais e parceiros, incluindo a esquadra de Muzuane, o SDJET, o Posto de Saúde, a Escola de Professores do Futuro – ADPP, parceiros como a Vet Service, além da WWF e da BIOFUND.

No total, foram distinguidos 54 jovens que concluíram os cursos: 39 em Agropecuária e 15 em Construção Civil. A agenda incluiu mensagem dos finalistas, entrega de declarações e imposição de faixas, intervenções do presídio, premiação dos melhores estudantes e formadores, actividades culturais, divulgação da 8.ª edição do Programa de Estágios do PLCM, e confraternização.

A mensagem dos finalistas: esforço colectivo e portas que se abrem

A mensagem dos graduados foi lida por Ahamada Muluco, bolseiro do Projecto MozNorte, em representação dos 54 finalistas, destacando o esforço dos estudantes e o apoio do instituto, parceiros de práticas e estágios, encarregados de educação e formadores.

Nas intervenções, houve igualmente apelos directos à responsabilidade e ao foco: o comandante da esquadra local alertou para riscos que afectam jovens na região, enquanto o SDJET sublinhou que o nível alcançado abre caminho para emprego, empreendedorismo e ensino superior, com impacto que pode inspirar outros jovens nas comunidades.

O que fica depois do evento

Para os 12 bolseiros da APAIPS, a cerimónia não foi apenas um “fim”: foi a confirmação de que, com apoio certo e persistência, a formação técnico-profissional cria trajectos reais  e coloca mais capacidade local ao serviço do desenvolvimento e da gestão sustentável das paisagens de conservação.

BIOFUND acciona BIO-CERP em menos de 48 horas para apoiar Banhine e Limpopo face a cheias severas

No âmbito do Programa de Resposta a Emergências Climáticas da BIOFUND (BIO-CERP), criado para apoiar as Áreas de Conservação na preparação e resposta a eventos climáticos extremos, a BIOFUND mobilizou, em menos de 48 horas, fundos do programa para apoiar os Parques Nacionais de Banhine e do Limpopo.

A intervenção ocorre no contexto de eventos climáticos extremos caracterizados por chuvas intensas, que têm provocado cheias severas em diversas regiões do país, causando danos em infra-estruturas, dificuldades de acesso, riscos à segurança das equipas no terreno e pressão acrescida sobre os recursos naturais.

O apoio disponibilizado visa assegurar acções imediatas de preparação e resposta, incluindo a salvaguarda da vida dos fiscais e colaboradores, o reforço da logística operacional, a manutenção da mobilidade e a mitigação de impactos adicionais nas áreas afectadas. Estas acções são fundamentais para evitar maiores estragos, garantir a continuidade das operações de gestão e fiscalização e proteger a biodiversidade.

O programa assenta nos rendimentos do endowment da BIOFUND, reforçado por uma contribuição da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) de 2 milhões de euros, em 2023, com rendimentos anuais estimados para suportar as despesas do BIO-CERP a partir de 2024.

Com esta resposta rápida, a BIOFUND reafirma o seu compromisso com o reforço da resiliência das Áreas de Conservação e com a capacidade de resposta célere a emergências climáticas, contribuindo para a protecção dos ecossistemas e das comunidades que deles dependem.

BIOFUND e IUCN assinam memorando para reforçar conservação da biodiversidade em Moçambique

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) que estabelece um quadro de cooperação para identificar e implementar projectos conjuntos de conservação e uso sustentável dos recursos naturais em Moçambique, através de acordos específicos a definir entre as partes.

O memorando foi assinado por Luther Bois Anukur, Director Regional da IUCN para a África Oriental e Austral (ESARO), e por Carlos dos Santos, Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND.

Na ocasião, o Director Regional da IUCN para a África Oriental e Austral (ESARO), Dr. Luther Bois Anukur, destacou a BIOFUND como um dos Fundos Ambientais de sucesso em África. Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, sublinhou estarmos engajados em trabalhar com a IUCN e explorar sinergias.

O que prevê o memorando

O documento sublinha a complementaridade entre as instituições: a IUCN aporta experiência e alcance regional, enquanto a BIOFUND é descrita como um dos principais financiadores de longo prazo da conservação da biodiversidade em Moçambique, apoiando a maioria dos parques e reservas nacionais através de financiamento multi-doador.

Entre as áreas de colaboração previstas, o memorando inclui:

  1. Financiamento sustentável para a conservação, com mobilização de recursos inovadores e de longo prazo e promoção de soluções baseadas na natureza em paisagens terrestres, costeiras e marinhas, com benefícios para os meios de vida das comunidades.
  2. Biodiversidade e áreas de conservação, incluindo troca de boas práticas e metodologias para reforçar a gestão eficaz, a governação participativa (com destaque para comunidades locais) e a gestão de zonas tampão.
  3. Reforço institucional e desenvolvimento de capacidades, com formação, ferramentas para gestão sustentável e apoio à integração de jovens graduados no sector.
  4. Investigação científica e partilha de conhecimento, com disseminação de resultados científicos, metodologias e iniciativas de investigação aplicada, incluindo partilha de dados e reforço de capacidade local.
  5. Envolvimento do sector privado e advocacia/política ambiental, promovendo práticas empresariais sustentáveis, compromissos voluntários e maior presença de organizações moçambicanas em plataformas globais.
  6. Educação e sensibilização ambiental, incluindo campanhas e acções comunitárias, com envolvimento de jovens e grupos vulneráveis.
  7. Dinamização do Comité Nacional da IUCN em Moçambique e integração de salvaguardas, igualdade de género e inclusão em todas as iniciativas conjuntas.

Como vai funcionar a parceria

O memorando define que a cooperação será operacionalizada através de Acordos Suplementares, nos quais serão especificados responsabilidades, resultados e financiamento para cada iniciativa.

Estão também previstas reuniões anuais ao nível da gestão sénior e a designação de pontos focais para coordenação da colaboração.

O MoU entra em vigor na data de assinatura e tem duração de cinco anos, podendo ser renovado.

Sobre a BIOFUND e a IUCN

A BIOFUND é um fundo ambiental moçambicano, privado e sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública, cuja missão é apoiar a conservação da biodiversidade terrestre, costeira, aquática e marinha, o uso sustentável dos recursos naturais e a consolidação do sistema nacional das áreas de conservação.

A IUCN é uma união global composta por governos e organizações da sociedade civil e tem como missão influenciar, encorajar e apoiar as sociedades para conservar a integridade e diversidade da natureza e assegurar que o uso de recursos naturais seja equitativo e ecologicamente sustentável.

Chimanimani: 5 anos de resultados concretos na conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário

O Parque Nacional de Chimanimani, localizado no distrito de Sussundenga, província de Manica, encerrou no passado dia 10 de Dezembro um ciclo de cinco anos (2021–2025) de implementação do Projecto de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário (CBDC), financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Fundo Francês para o Meio Ambiente (FFEM) e Fauna & Flora (FF), com um orçamento total de 4,8 milhões de Euros. O workshop final de apresentação dos resultados reuniu parceiros de implementação, governo local, comunidades e especialistas para validar conquistas que incluem a documentação de 1.365 espécies de biodiversidade, a valorização de 9 pontos turísticos com potencial histórico cultural e a concepção de mecanismos inovadores de financiamento baseados em serviços ecossistémicos.

Chimanimani é uma das 57 áreas importantes de plantas de Moçambique e um dos principais fornecedores de água da região, abastecendo a bacia de Búzi responsável pelo abastecimento de mais de um milhão de pessoas em três distritos da província de Manica e garantindo cerca de 70% da água que chega à barragem de Chicamba. Antes do projecto, o conhecimento sobre a biodiversidade era fragmentado, o património historico cultural pouco documentado e as comunidades careciam de modelos de desenvolvimento compatíveis com a conservação. O CBDC foi concebido para responder a estas lacunas através de uma abordagem integrada que articula conservação, meios de subsistência comunitários e governação territorial.

O principal resultado tangível da Componente 1 foi a criação de uma base de dados consolidada com 1.365 espécies de flora e fauna registadas no Parque Nacional de Chimanimani e na sua zona tampão. Este avanço científico articulou-se com o conhecimento local das comunidades, através de um estudo etnobotânico conduzido pelo IIAM que valorizou usos tradicionais de espécies medicinais, alimentares, espirituais e artesanais.

A Componente 1 integrou também o inventário da biodiversidade e do património histórico-cultural, que resultou na identificação de 33 locais: 8 montanhas, 4 florestas sagradas, 16 cascatas/lagoas/nascentes e 5 estações arqueológicas. Deste processo resultaram manuais de inventário e de gestão do património cultural, um código de conduta para visitantes em três línguas e um plano de marketing com horizonte de 10 anos. A partir deste trabalho, 9 locais foram seleccionados para valorização turística, o que cria novas oportunidades de geração de rendimento associado à cultura e à natureza.

Na Componente 2, o foco esteve na clarificação dos direitos territoriais e na inclusão comunitária. Foram demarcadas terras comunitárias, elaborados Planos comunitários de Uso de Terras onde foram constituídas legalmente 20 associações comunitárias e 20 unidades de gestão e delimitadas mais de 5 mil parcelas familiares. De acordo com Clara Levy, da AFD,

«a governança da terra e da comunidade foi consideravelmente consolidada, mais de 5 mil parcelas foram delimitadas, 20 associações foram legalmente constituídas, e vimos com satisfação a maior participação de mulheres e jovens nos processos,» acrescentando que «esta dinâmica é importante ou essencial para garantir uma gestão sustentável dos recursos e uma apropriação real e inclusiva das novas oportunidades.»

A Componente 3 consolidou a cadeia de valor do mel e de outros produtos naturais, transformando uma actividade tradicional numa oportunidade económica organizada. Foram formados apicultores líderes, reabilitada a fábrica de processamento e criada uma nova oferta de produtos sob marca local, fortalecendo a ligação entre conservação da floresta e aumento de rendimentos familiares.

Finalmente, a Componente 4 abordou o grande desafio da sustentabilidade financeira. A BIOFUND liderou estudos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) que estimam em cerca de 4 mil milhões de meticais (cerca de 63 milhões de USD) por ano o valor dos serviços hídricos prestados pelo Parque Nacional de Chimanimani, equivalente a várias décadas de custos operacionais do parque. Como sublinhou Vanda Machava, do BIOFUND,

«O Parque Nacional de Chimanimani fornece diferentes serviços. Por exemplo, sabemos que uma parte da população vive da agricultura. Eles obtêm água nos diferentes rios que nascem no Parque Nacional Chimanimani. Esta água também é usada para o consumo da população, para pescas e também as minídricas acabam produzindo energia através desta água,» reforçando que a água é um elo directo entre conservação e bem-estar humano.

Nesta componente, o projecto realçou a criação de capacidades no PNC para a implementação de projectos de restauração para alcance de ganhos líquidos de biodiversidade, tendo restaurado 240 ha, criado 78 empregos temporários aos membros da comunidade residentes na zona tampão e capacitado 3 técnicos do parque em matérias de restauração de áreas degradadas.

O encerramento do projecto não foi apresentado como um ponto final, mas como transição. Nas palavras de Clara Levy, «Ao chegarmos ao final formal do projecto, gostaria de lembrar que isso não significa o fim de nosso compromisso colectivo. Pelo contrário, esta clausura marca o início de uma nova dinâmica.» O apelo foi ecoado por Contardo Muarramuassa, que afirmou: «Chimanimane é a nossa esperança. Temos todos de viva voz conservarmos esse nosso patrimônio, porque dependemos dela para a nossa existência,» capturando a essência do CBDC: conservação como responsabilidade partilhada e condição de futuro para as comunidades e para o país.

Comité directivo do Programa de Conservação da Biodiversidade reuniu-se pela primeira vez em Maputo

Realizou-se na primeira semana de Dezembro, na Cidade de Maputo, a primeira sessão do Comité Directivo do Programa de Conservação da Biodiversidade (PCB), uma iniciativa financiada pela Embaixada da Suécia e coordenada pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC). O encontro reuniu representantes das Áreas de Conservação beneficiárias, membros do Comité Directivo e parceiros institucionais, com o objectivo de assegurar o alinhamento estratégico e o acompanhamento das actividades em curso no âmbito do Programa.

Na abertura da sessão, o Director-Geral da ANAC e Presidente do Comité Directivo, Pejul Calenga, destacou a importância deste encontro para fortalecer a coordenação e clarificar prioridades de conservação. Segundo sublinhou, “Este encontro é de grande relevância porque permite alinharmos as prioridades previamente definidas com a nova estratégia do Governo para a gestão da biodiversidade. Este é um marco que abre um novo caminho para clarificarmos o nosso foco principal antes mesmo de avançarmos para a revisão de meio-termo.”

Por sua vez, os representantes das Áreas de Conservação beneficiárias reforçaram a necessidade de consolidar mecanismos de diálogo contínuo e de partilha de boas práticas para garantir maior eficácia na implementação do PCB. O Administrador da Área de Protecção Ambiental de Maputo, Luís Buchir, destacou a importância de institucionalizar a regularidade das reuniões, afirmando que “Este é o primeiro encontro formal do Comité, mas já há algum tempo procuramos estabelecer reuniões mais regulares. Esperamos que este processo resulte na elaboração de um guião de boas práticas e na criação de um mecanismo flexível de reajuste, operacionalizado através das avaliações de meio-termo.”

Ao longo da sessão foram apresentados o ponto de situação das actividades implementadas, os desafios enfrentados nas Áreas de Conservação e as prioridades estratégicas para o próximo período de execução. Entre os aspectos destacados estiveram a necessidade de reforçar a coordenação interinstitucional, melhorar os fluxos de informação, fortalecer os mecanismos de supervisão técnica e garantir maior eficácia na implementação das iniciativas financiadas pelo Programa.

Com esta primeira sessão, o Programa de Conservação da Biodiversidade reforça a consolidação de uma plataforma estratégica de coordenação, diálogo e tomada de decisão, assegurando que as intervenções financiadas contribuam de forma eficaz para o fortalecimento do Sistema Nacional das Áreas de Conservação. Através deste mecanismo, o Programa pretende garantir maior coerência na implementação das actividades, melhorar a monitoria dos resultados e promover uma gestão mais integrada, transparente e orientada para o impacto nas Áreas de Conservação beneficiárias.

Jovem autor moçambicano lança livro bilingue sobre o futuro dos tubarões

Escrito entre os 10 e os 11 anos por Diego Branco, “O Futuro dos Tubarões / The Future of Sharks” explica a história, a diversidade e as ameaças destes animais essenciais para a saúde dos oceanos.

Entre os 10 e os 11 anos de idade, o jovem moçambicano Diego Branco transformou a sua curiosidade sobre o mar num verdadeiro projecto de investigação. O resultado é o livro bilingue “O Futuro dos Tubarões / The Future of Sharks”, editado pela Ethale Publishing e patrocinado pela Associação NATURA Moçambique, que passa agora a estar disponível em formato digital para escolas, educadores e o público em geral.

Com uma abordagem clara e visualmente muito apelativa, o livro apresenta de forma acessível o mundo dos tubarões, desde as espécies pré-históricas que nadam nos oceanos há centenas de milhões de anos até aos tubarões modernos que ainda hoje habitam os mares do planeta. O leitor encontra explicações sobre a taxonomia do grupo, a anatomia, o ciclo de vida, o papel destes animais como predadores de topo e as principais ameaças que enfrentam, como a sobrepesca e o corte de barbatanas.

O índice do livro revela a ambição e o rigor do trabalho: para além da introducção e do resumo, há capítulos dedicados aos tubarões pré-históricos, a várias espécies modernas (como o tubarão-martelo, tubarão-frade, tubarão-tigre, tubarão-branco, tubarão-baleia ou tubarão-limão), bem como secções inteiras sobre o esqueleto, a pele, os dentes, as barbatanas, os órgãos sensoriais e o ciclo de vida destes animais. O livro encerra com uma reflexão sobre “O Futuro dos Tubarões”, curiosidades (fun facts) e uma bibliografia que incentiva o leitor a continuar a explorar o tema.

Um livro científico nascido da curiosidade de uma criança

Na Nota do Autor, ilustrada com a fotografia de Diego, o jovem explica que a ideia do livro nasceu do interesse em perceber quais foram os primeiros tubarões a povoar os oceanos e como evoluíram até às espécies actuais. Esse interesse ganhou força durante o período de isolamento provocado pela Covid-19, quando passou mais de um ano na Ponta do Ouro com os avós. Foi nesse contexto que recebeu o incentivo para aprofundar a pesquisa, ler livros e recursos disponíveis em linha e organizar o conhecimento em forma de livro.

Ao longo de muitos meses, Diego leu diversas fontes científicas, consultou imagens, seleccionou ilustrações e estruturou o texto com o apoio do avô na orientação da pesquisa. A coordenação editorial ficou a cargo de Carlos Botomane, com revisão de texto de António Branco e Augusto Nhampossa, e desenho gráfico de Jonas Terceiro e do próprio editor. O resultado é uma obra que alia rigor científico, linguagem acessível e um grafismo atractivo, adequado a crianças, jovens e famílias.

Tubarões: muito para lá dos mitos

Logo na introducção, Diego lembra que os tubarões habitam os oceanos há mais de 400 milhões de anos, muito antes do aparecimento dos dinossauros. Embora por vezes sejam vistos como perigosos, o livro sublinha que os ataques a pessoas são raros e que a maior ameaça não parte dos tubarões, mas sim das actividades humanas. Hoje, muitas espécies enfrentam o risco de extinção devido à pesca comercial intensiva, à captura acidental e à procura de barbatanas.

No sumário científico, o livro mostra como estes animais ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos, controlando populações de outras espécies e contribuindo para a saúde de recifes de coral e pradarias marinhas. O texto explica ainda que existem cerca de 500 espécies conhecidas de tubarões, distribuídas por diferentes ordens e famílias, com formas, tamanhos e modos de vida muito distintos – desde os gigantes filtradores, como o tubarão-baleia, até pequenos predadores costeiros.

Ferramenta para a educação ambiental em Moçambique

As notas finais do livro indicam que as versões em português e inglês serão distribuídas gratuitamente a escolas e outras instituições, e utilizadas em programas de educação ambiental desenvolvidos pela Associação NATURA Moçambique. Ao disponibilizar o conteúdo em duas línguas, Diego e os parceiros do projecto reforçam a capacidade de chegar a alunos, professores e comunidades de diferentes contextos, dentro e fora de Moçambique.

Num país com uma extensa linha de costa e ecossistemas marinhos de grande riqueza, a publicação de um livro deste tipo por um autor tão jovem constitui um contributo importante para a formação de novas gerações mais informadas e comprometidas com a conservação. “O Futuro dos Tubarões” mostra que a curiosidade de uma criança, quando encontra apoio da família, da escola e de instituições parceiras, pode transformar-se numa poderosa ferramenta de sensibilização.

Complexo de Marromeu: Na Coutada 14, a juventude fortalece a ciência e a conservação

A sul da Coutada 14, uma área de transição ecológica que se abre para a Reserva Nacional de Marromeu, estende-se um dos territórios mais ricos em diversidade biológica do Complexo. É neste ambiente dinâmico que a Nyati Safris, com três décadas de experiência, conduz uma gestão que alia conhecimento tradicional, visão estratégica e um compromisso sólido com a conservação.

Nos últimos anos, a coutada ganhou uma nova energia com a integração dos estagiários do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM). Dois jovens profissionais, Elton Nhatsoho, formado em Engenharia Florestal, e Massambo Batalhão, formado em Florestas e Fauna Bravia, têm reforçado o trabalho técnico e comunitário, trazendo metodologias modernas, rigor científico e um entusiasmo contagiante.

A sua actuação tem transformado a dinâmica da coutada. A monitoria ecológica tornou-se mais precisa, permitindo mapear melhor os movimentos da fauna e as alterações no habitat. Ao mesmo tempo, a relação com as comunidades vizinhas ganhou nova vitalidade, graças a um diálogo mais frequente e a acções de sensibilização que contribuem para reduzir a caça furtiva e fortalecer a participação local. A adopção de novas ferramentas tecnológicas e abordagens inovadoras completam um quadro de evolução que valoriza e potencia o trabalho de longa data da Nyati Safaris.

O resultado é um modelo inspirador: uma coutada onde a ciência avança, a juventude lidera e a conservação se faz de forma integrada, com benefícios tangíveis para a biodiversidade e para as comunidades.

A recente visita da BIOFUND ao Complexo de Marromeu reforça esta visão. As actividades observadas na Coutada 14, tal como nas restantes áreas do complexo, serão fortalecidas pelo Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que inicia em 2026. Esta nova fase marca o aprofundamento de parcerias estratégicas que valorizam o papel da juventude, elevam o rigor científico e consolidam o compromisso conjunto com a conservação da paisagem de Marromeu e o bem-estar das comunidades locais.

Coutada 10 do complexo de Marromeu: Desenvolvimento comunitário que fortalece a conservação

Na vasta paisagem da Coutada 10, situada na fronteira sudoeste da Reserva Nacional de Marromeu, província de Sofala, a conservação não se faz apenas com fiscais e patrulhas. Faz-se com pessoas comuns, mães, jovens e líderes comunitários que ajudam a proteger o território que os sustenta há gerações.

A Marromeu Safaris, concessionária da coutada há mais de uma década, tem desempenhado um papel central na transformação desta relação. A empresa introduziu um modelo de gestão participativa que coloca as comunidades no centro da conservação. Um dos elementos mais marcantes desta colaboração é a distribuição regular de carne proveniente da caça controlada. Esta prática, para além de reforçar a segurança alimentar das famílias, reduz significativamente a pressão sobre a fauna, uma vez que diminui a necessidade de recorrer à caça ilegal. A comunidade reconhece o benefício directo e responde com maior compromisso na protecção da fauna que garante parte do seu sustento.

A Marromeu Safaris tem igualmente investido em iniciativas sociais que fortalecem a resiliência local. Com o apoio de parceiros como a Associação Portuguesa de Apoio a Africa (APOIAR), foram criadas cozinhas escolares que asseguram duas refeições diárias às crianças das escolas locais, com destaque a  Escola Básica de Bichote. Estas refeições têm melhorado a nutrição infantil, reduzido o absentismo escolar e criado melhores condições de aprendizagem, reforçando o impacto positivo da conservação nas gerações futuras.

Outras acções comunitárias incluem o apoio à educação ambiental, pequenas iniciativas económicas e melhorias de infra-estruturas, que ampliam a capacidade das comunidades de gerir melhor o seu território e de participar activamente no desenvolvimento local.

Hoje, a Coutada 10 demonstra que a conservação e o bem-estar humano são interdependentes. Quando as comunidades são valorizadas, envolvidas e beneficiam directamente dos recursos naturais, tornam-se guardiãs naturais da paisagem, assegurando a continuidade da biodiversidade e a sustentabilidade das actividades económicas.

A recente visita da BIOFUND ao Complexo de Marromeu reforçou este compromisso partilhado. As actividades hoje visíveis na Coutada 10 ganharão novo impulso com o futuro Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que inicia em 2026, criando bases ainda mais sólidas para fortalecer a conservação, apoiar as comunidades e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável em toda a paisagem de Marromeu.

Economia da Vida Selvagem e Benefícios Comunitários: Do mel que sustenta famílias ao ecossistema que sustenta vidas

Na paisagem vasta e húmida da Coutada 11, no Complexo de Marromeu, a conservação não se mede apenas pelo crescimento da população e espécies de fauna, mede-se também no impacto directo que a vida selvagem tem na vida das pessoas que vivem ao redor da Área de Conservação.

A Zambeze Delta Safaris (ZDS), gestora da coutada há mais de três décadas da sua criação, compreendeu que a conservação da biodiversidade só é sustentável quando as comunidades são parte activa e beneficiária. Foi assim que surgiram diversas iniciativas económicas de base comunitária, criadas para fortalecer a ligação positiva entre conservação e qualidade de vida.

Entre estas actividades destaca-se a produção e comercialização de mel, um programa que transformou a apicultura numa fonte real de rendimento para várias famílias. A floresta bem conservada, rica em espécies de fauna e flora, oferece condições ideais para a produção de um mel de elevada qualidade, que hoje encontra mercado tanto local como nacional.

No centro desta história está a senhora Custeja Joaquim, chefe de família e apicultora. Com determinação e disciplina, ela domina o processo completo da produção do mel, desde o cuidado das colmeias até à extracção e venda. Para Custeja, o mel não é apenas um produto, é o sustento da sua família, a garantia de educação para os filhos e netos e, a porta de entrada para uma economia mais digna e estável. O seu exemplo tem inspirado outras mulheres da região a envolverem-se na actividade.

A iniciativa da apicultura demonstra na prática que a conservação pode gerar rendimentos, autonomia e segurança económica. Quanto mais protegida está a coutada, mais produtivas são as abelhas; quanto mais estável é o ecossistema, maior é o rendimento das famílias.

Além do mel, a ZDS investe igualmente na educação das comunidades através da construção de escolas, apoio à saúde comunitária, actividades agrícolas e criação de emprego local, reforçando o entendimento de que a conservação é uma ferramenta de desenvolvimento social.

Na Coutada 11, a economia da vida selvagem não é um conceito abstracto, é uma realidade construída todos os dias por pessoas como Custeja Joaquim, cuja história mostra que proteger a natureza pode ser, também, uma forma de construir um futuro mais próspero para as comunidades.

Esta visão integrada será ampliada com o Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC), que a BIOFUND irá iniciar em 2026. O projecto irá fortalecer as iniciativas comunitárias existentes, expandir actividades de meios de vida sustentáveis e reforçar a ligação positiva entre as famílias e a conservação da paisagem de Marromeu.

Missão de Monitoria do Projecto MozNorte à Reserva Especial do Niassa Reforça Compromisso com as Comunidades Locais

Entre os dias 25 e 30 de Novembro de 2025, uma equipa técnica composta por representantes da BIOFUND, ANAC (Administração Nacional das Áreas de Conservação) e WCS (Wildlife Conservation Society) deslocou-se à Reserva Especial do Niassa para realizar uma missão de monitoria no âmbito do Projecto MozNorte – o Projecto de Resiliência Rural do Norte de Moçambique, financiado pelo Banco Mundial.

A visita permitiu verificar no terreno os avanços significativos nas actividades de conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário implementadas no Bloco L4 Este, uma área que abrange 11 comunidades do distrito de Mecula, na província do Niassa.

Parceria Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável

A BIOFUND trabalha em estreita coordenação com a ANAC e WCS para garantir que os recursos cheguem às populações que vivem dentro e ao redor da reserva, integrando a conservação da biodiversidade com o bem-estar das comunidades locais.

Durante o encontro de cortesia, José Sulmide – Administrador do Distrito de Mecula, manifestou a importância de trabalhar lado a lado com as comunidades, afirmando estar “sempre ao lado da população” nas decisões que afectam o território.

Unidade de Governação: Comunidades no Centro da Gestão dos Recursos Naturais

Um dos principais resultados do programa é a criação da Unidade de Governação do Bloco L4 Este, uma estrutura comunitária composta por 22 membros (incluindo 4 mulheres) representando as 11 comunidades da área. Esta unidade foi estabelecida a partir dos Comités de Gestão de Recursos Naturais previamente constituídos em cada comunidade, preparando o terreno para que as populações locais possam participar activamente na gestão sustentável do seu território.

Neto Agostinho, vogal da Assembleia Geral da Unidade de Gestão, explicou a importância desta estrutura:

A unidade serve para podermos conservar a biodiversidade do Bloco L4-Este. É importante para a nossa conservação da natureza e a humanidade em geral. O nosso trabalho é sensibilizar as comunidades que devemos conservar a nossa biodiversidade e não haver queimadas descontroladas“.

A missão visitou as comunidades de Cuchiranga e Lisongole, onde se realizaram encontros com os membros dos comités de gestão, pontos focais do Mecanismo de Diálogo e Reclamação (MDR) e beneficiários de treinamento em GALS (Gender Action Learing System)

Saúde Comunitária: Técnicos ao Serviço das Populações Mais Remotas

Um dos impactos mais significativos do programa está na área da saúde. No âmbito de um memorando assinado entre a Reserva Especial do Niassa e os Serviços Distritais de Saúde, o MozNorte financiou a contratação de cinco técnicos de saúde que estão a prestar serviços essenciais em igual número de unidades sanitárias.

Eugénio Carlos Fazenda, Director dos Serviços de Saúde do Distrito de Mecula, expressou gratidão pelo apoio:

“Recebemos este apoio com grande satisfação, porque os técnicos acabam suprimindo aquilo que são as demandas das necessidades das atividades a nível das unidades sanitárias periféricas. Tínhamos déficit de recursos humanos e com este apoio acabamos melhorando o atendimento da população em geral”.

O Director destacou ainda a importância da ambulância adquirida pelo programa, que facilita a transferência de pacientes com complicações para a unidade sanitária de referência em Marrupa, corrigindo potenciais complicações que poderiam ocorrer no distrito.

Ângela João András, enfermeira de Saúde Materno-Infantil colocada no Centro de Saúde de Ntimbo 1 através do programa, relatou o impacto do seu trabalho: “A comunidade não sabia sobre planeamento familiar, não sabia que as crianças têm que ter controlo mensalmente. Tendo aqui um hospital e enfermeiras, acho que eles se sentem melhor“.

Desde que os cinco profissionais de saúde começaram a trabalhar em maio em quatro unidades sanitárias, já prestaram serviços relacionados a malária para mais de 1050 pacientes, a diarreia para mais de 115 pacientes, a disenteria a mais de 20 pacientes, mais de 3860 consultas externas, mais de 80 partos institucionais, mais de 110 consultas pré-natais, e mais de 80 consultas pós-parto.

Mitigação de Conflitos Homem-Fauna: Protecção para as Machambas

A convivência com a fauna bravia representa um desafio constante para as comunidades que vivem dentro da reserva. Para responder a esta realidade, o programa adquiriu cinco kits de vedação eléctrica móvel que irão proteger as machambas contra a invasão de elefantes, búfalos e outros animais durante as épocas de colheita.

Gil da Vasco, membro da comunidade de Cuchiranga, explicou como funciona o sistema:

“Os painéis solares funcionam com energia solar para alimentar a vedação. A vedação serve para as machambas não serem atacadas pelos animais. Se não há vedação, não vamos ganhar nada. Através dos animais, basta deixarmos sem vedação e eles destroem tudo. Mas com a vedação, animais como búfalos e elefantes não entram“.

O programa também treinou Unidades de Resposta Rápida para actuar em situações de conflito homem-fauna, tendo adquirido equipamentos como foguetes e dispositivos sonoros para afugentar os animais das áreas habitadas.

Capacitação Vocacional: Jovens a Construir o Seu Futuro

O Projecto MozNorte tem investido na formação vocacional dos jovens das comunidades, oferecendo bolsas de estudo e kits de auto-emprego para que possam desenvolver actividades económicas.

Sadamo Casembe, jovem de Mecula que recebeu formação em alfaiataria através do programa, partilhou a sua experiência: “A reserva especial do Niassa lançou vagas e nós concorremos e passámos. O curso mudou a minha vida – já consigo comprar bens para a minha casa e a minha comida. Agora já dependo de mim mesmo“.

Sadamo recebeu um kit completo com máquina de costura e materiais como parte da formação, e hoje atende clientes diariamente fazendo trabalhos de costura e alfaiataria na sede de Mecula.

Mecanismo de Diálogo e Reclamação: Voz às Comunidades

Para garantir que as preocupações das comunidades sejam ouvidas e endereçadas, o programa estabeleceu um Mecanismo de Diálogo e Reclamação (MDR) em todas as comunidades do Bloco L4 Este. Os pontos focais foram treinados, receberam telefones e materiais de divulgação, e em cada comunidade foram instaladas caixas de reclamação onde os membros podem depositar as suas preocupações.

O MDR permite que os membros das comunidades reportem situações de emergência, como ataques de animais selvagens, e recebam apoio da reserva de forma atempada.

Investimentos em Infraestruturas e Equipamentos

A missão verificou uma série de equipamentos e infraestruturas adquiridos com os fundos do MozNorte para apoiar tanto a conservação como o desenvolvimento comunitário:

  • Viaturas: 5 Land Cruisers, 1 tractor John Deere, 1 máquina TLB, 1 camioneta basculante Isuzu
  • Meios de transporte comunitário: 2 motorizadas e 25 bicicletas
  • Equipamentos de saúde: 1 ambulância para o distrito de Mecula
  • Infraestruturas de água: está em processo a reabilitação de 3 furos de água (Guebuza, Ntimbo 2 e Cuchiranga) e construção de 1 novo furo em Mucória

Olhando para o Futuro: Consolidação e Sustentabilidade

O projecto MozNorte representa um exemplo de como a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento comunitário podem caminhar lado a lado, demonstrando que é possível proteger os recursos naturais da Reserva Especial do Niassa enquanto se melhora a qualidade de vida das populações que há gerações coexistem com a rica fauna e flora desta área única de Moçambique.

A Reserva Especial do Niassa, com mais de 42.000 km, é uma das maiores áreas de conservação de África e representa um património natural inestimável para Moçambique e para o mundo. O projecto MozNorte, através da parceria entre a ANAC, BIOFUND, WCS, o Governo do Distrito de Mecula e as comunidades locais, está a construir um futuro em que pessoas e natureza prosperam juntas.

Monte Mabu é destaque como ecossistema estratégico para o desenvolvimento sustentável

Sob lema “Conservação do Monte Mabu: Mais água e desenvolvimento sustentável”, A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), em coordenação com a World Wildlife Fund  (WWF) e a União Europeia, realizou no dia 11 de Dezembro, no Auditório Sede do BCI, um evento dedicado à apresentação dos mais recentes resultados científicos e socioeconómicos sobre o Monte Mabu, uma das florestas tropicais de média altitude mais importantes da África Austral.

O encontro permitiu destacar descobertas científicas inéditas, o potencial hidrológico da região e as oportunidades para negócios sustentáveis, incluindo energia limpa, engarrafamento responsável de água, irrigação e turismo baseado na natureza.

Na intervenção de abertura do evento, o representante do Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Hélder Muteia, afirmou: “O Monte Mabu é mais do que um local de extraordinária beleza, é uma fonte de vida, um reservatório de conhecimento e um símbolo das oportunidades que emergem quando ciência, conservação e desenvolvimento se unem em prol do bem comum.” Por sua vez, Aude Guignard, representante da União Europeia, destacou as qualidades ecológicas do Monte Mabu e a necessidade de proteger este monte: “Proteger este ecossistema não é apenas uma necessidade ambiental, é um investimento saudável,” afirmou.

Conhecido como “Ilha do Céu”, o Monte Mabu ergue-se a 1.700 metros de altitude no coração da Zambézia, abrigando cerca de 9.000 hectares da maior floresta tropical de média altitude preservada da África Austral. Através do apoio do programa PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia, duas expedições científicas realizadas entre 2023 e 2024 identificaram mais de uma dezena de espécies endémicas, algumas totalmente novas para a ciência, revelando que Mabu ainda guarda capítulos inéditos da história natural.

O consórcio WWF-ReGeCom-RADEZA apresentou um vídeo de Mabu e os resultados relevantes, como a criação de 11 comités comunitários que culminaram na formação do CONSERVAMABU, responsável pela gestão dos recursos naturais do Monte Mabu com envolvimento comunitário. Foram também realizadas delimitações da área proposta para a criação de uma área de conservação comunitária, a submissão da proposta para a sua declaração, duas expedições científicas e a implementação de cadeias de valor como agricultura sustentável e apicultura.

As comunidades fazem parte das decisões: a Administradora do Distrito de Lugela destacou o desejo das comunidades e do distrito, de declarar o Monte Mabu como Área de Conservação Comunitária e lançou o slogan “Se cuidarmos de Mabu, Mabu cuidará de nós”. Histórias de sucesso apresentadas pela CONSERVAMABU demonstraram o forte envolvimento comunitário na conservação e no financiamento sustentável, com o compromisso: “Estamos prontos para trabalhar mobilizando as comunidades a não caçar, não realizar queimadas descontroladas e conservar a nossa floresta.”

Durante o evento, o Instituto Nacional de Irrigação, em colaboração com a Universidade Eduardo Mondlane, apresentou resultados sobre o potencial hidrológico da região. Realizou-se também um painel de debate sobre oportunidades de financiamento e foi apresentada a análise de viabilidade das cadeias de valor implementadas em Mabu, destacando que a combinação de subprodutos da agricultura e da apicultura é a mais promissora. . Entre as limitações, apontou-se a dificuldade de acesso ao Monte Mabu, que pode restringir actividades de ecoturismo e o escoamento de produtos agrícolas.

Realizado numa data em que se celebra o dia internacional das montanhas, 11 de Dezembro, o evento contou com a participação de 96 pessoas presencialmente e 17 online, representando instituições como União Europeia, Banco Mundial, IUCN, UEM, INIR, FUNAE, Maliasili, Água Vumba, Greenlight, Ara-Sul, Cruz Vermelha, Embaixada Alemã, KFW, FCDO-UK, WWF, ReGeCom, RADEZA, WCS, Enabel, FNDS, Parque Nacional da Gorongosa, ABIODES, BCI, MozaBanco, OWAMI, Marmo, FAO, entre outras. A iniciativa teve como objectivo despertar a atenção de diferentes partes interessadas para garantir a continuidade das actividades realizadas em Mabu no âmbito do PROMOVE Biodiversidade, financiado pela União Europeia e gerido pela BIOFUND e pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Este programa conta com diferentes implementadores de projectos específicos nas províncias da Zambézia e de Nampula, entre os quais se destaca o consórcio WWF-ReGeCom-RADEZA, responsável pela implementação do Projecto de Apoio à Conservação do Monte Mabu

Avaliação nacional da fase 2 do Programa COMBO+ destaca progressos da implementação em Moçambique

Entre os dias 1 e 5 de Dezembro de 2025, teve lugar em Maputo a avaliação nacional do Programa COMBO+, um exercício que reuniu representantes do Governo, sector privado, organizações da sociedade civil, academia e parceiros de cooperação, com o objectivo de analisar os principais progressos, desafios e lições aprendidas no contexto da sua implementação em Moçambique.

Ao longo da semana, decorreram diversas reuniões técnicas e bilaterais com a equipa do Programa- WCS, BIOFUND e DINAMC – e outras instituições estratégicas, como a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Parque Nacional do Maputo, Direcção Nacional de Geologia e Minas (DNGM), Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Kenmare, Portucel-Moçambique, Fundação Likhulu, culminando com um workshop final, que proporcionou um espaço de reflexão conjunta sobre os resultados alcançados e os próximos passos do Programa.

Foi adoptada uma abordagem interactiva, permitindo aos participantes partilhar percepções sobre o grau de progresso das diferentes áreas de intervenção, os resultados alcançados e os aspectos que ainda carecem de consolidação.

A avaliação incidiu sobre as quatro componentes estruturantes do Programa COMBO+, nomeadamente:

  • o apoio ao fortalecimento do quadro político-legal do país;
  • o desenvolvimento de ferramentas técnicas e guiões;
  • a capacitação multissectorial; e
  • os mecanismos de implementação de contrabalanços de biodiversidade.

No balanço geral, Moçambique destacou-se positivamente em relação aos demais países de implementação do Programa COMBO+ recentemente avaliados, nomeadamente Laos, Myanmar, Madagáscar, Guiné e Uganda, pelos avanços registados ao nível do enquadramento legal, desenvolvimento de ferramentas de biodiversidade, fortalecimento institucional e mobilização de financiamento para a conservação da biodiversidade.

Foi igualmente debatida a relevância do apoio técnico contínuo às instituições públicas, tendo emergido, como reflexão estratégica, a importância de se investir cada vez mais na identificação e fortalecimento de “campeões institucionais”, tanto a nível central como provincial, capazes de liderar os processos de forma progressivamente mais autónoma, assegurando maior apropriação nacional e sustentabilidade das actividades a longo prazo.

Entre os desafios identificados, foi referido que a implementação dos contrabalanços de biodiversidade continua a exigir um processo permanente de diálogo e sensibilização junto dos proponentes de projectos, bem como um aprofundamento da articulação entre os diferentes instrumentos de ordenamento, conservação e desenvolvimento, de modo a assegurar maior previsibilidade na identificação das áreas receptoras de contrabalanços.

A semana de avaliação reafirmou, de forma clara, a centralidade da coordenação interinstitucional como pilar fundamental para o sucesso do Programa, destacando-se os ganhos já alcançados na articulação entre os sectores do ambiente, ordenamento do território, conservação, sector privado, academia e sociedade civil.

Foi ainda amplamente reconhecido o contributo estratégico da BIOFUND no reforço do financiamento do Programa COMBO+ em Moçambique, através do aumento significativo dos recursos mobilizados para a implementação das diferentes componentes, consolidando o seu papel como uma instituição-chave na arquitectura de financiamento da biodiversidade no país.

O programa COMBO+ apoiou-nos muito na implementação das matérias sobre Hierarquia de Mitigação e Contrabalanços de Biodiversidade. O Assistente Técnico destacado para a nossa instituição apoia-nos em questões técnicas, principalmente aquelas ligadas a aspectos geoespaciais dos projectos, de modo que possamos ter informação mais detalhada sobre as áreas por avaliar.” Afirma Josefa Jussar, chefe do departamento de licenciamento ambiental da DINAMC

A avaliação concluiu que o Programa COMBO+ continua a desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da aplicação da hierarquia de mitigação e implementação dos Contrabalanços de Biodiversidade em Moçambique, estando claro os avanços alcançados ao longo dos últimos anos, bem como os desafios que exigem respostas coordenadas, realistas e sustentáveis, num contexto de crescente pressão sobre os recursos naturais e de reforço dos compromissos nacionais e internacionais de conservação.

Acácio Chechene: Do Estágio à Atuação Regional em Conservação da Biodiversidade

Acácio Chechene foi estagiário da 3ª edição do Programa de Estágios do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), implementado pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) em colaboração com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), financiado pela Embaixada da Suécia e Banco Mundial.

Durante o estágio, Acácio integrou no programa (COMBO+), uma iniciativa implementada pela BIOFUND em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS), focada na aplicação de contrabalanços de biodiversidade em Moçambique.

No estágio, Acácio teve a oportunidade de aplicar a directiva de hierarquia de mitigação de forma prática e estruturada, o que lhe permitiu compreender melhor os desafios reais da conservação no terreno. Mais do que uma simples vivência técnica, o estágio representou um verdadeiro mergulho no mundo profissional, onde enfrentou desafios que exigiram desenvolvimento da capacidade de expressão, autoconfiança, pensamento crítico e adaptação à dinâmica das actividades do programa.

Mestrado em Biologia de Conservação, já tinha uma base sólida, mas foi no terreno que consolidou o seu conhecimento. Com o excelente desempenho, a BIOFUND tinha planos para integrá-lo na equipa, mas o seu talento chamou a atenção da WCS, que o contratou para um projeto internacional de grande relevância. Actualmente, Acácio está envolvido no projecto “Construindo conhecimento sobre biodiversidade para ação na África Austral: Avaliação, Priorização e Planeamento Espacial da Biodiversidade na África do Sul, Malawi, Moçambique e Namíbia” (SBAPP), liderado pela WCS. Este projeto visa monitorar as ameaças e o nível de protecção dos ecossistemas e espécies, identificando geograficamente áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.

A participação no programa de estágios impulsionou ainda mais o seu interesse pela conservação, reforçado pela sua formação como biólogo marinho e biólogo de conservação. Acácio concluiu o mestrado em Biologia de Conservação, fortalecendo sua capacidade técnica e científica e deseja contribuir activamente para o desenvolvimento sustentável de Moçambique, promovendo o alinhamento entre a conservação da biodiversidade e o crescimento económico.

Como mensagem aos jovens, Acácio deixa um apelo inspirador:

Encarem a biodiversidade como parte integrante de nós mesmos, pois ela é essencial para o nosso futuro. Se os ecossistemas colapsarem e espécies forem extintas, nós e as gerações futuras poderemos sofrer consequências graves.

Duas áreas agrícolas com vedações electrificada no Parque nacional de Mágoè, para mitigação de Conflito Homem-Fauna Bravia.

O Parque Nacional de Mágoè (PNM) conta agora com duas áreas agrícolas protegidas por vedações electrificadas, uma medida que marca um avanço significativo na mitigação do conflito homem-elefante dentro e arredores desta Área de Conservação.

No âmbito do programa de Economia Rural Sustentável (MozRural), financiado pelo Banco Mundial, a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), estabeleceram uma parceria com a Mozambique Wildlife Alliance (MWA) para responder ao aumento dos casos de conflito dentro e nos arredores do PNM.

Neste contexto, na primeira semana de Dezembro de 2025, foi concluída primeira vedação electrificada na área agrícola da comunidade de Daque. A estrutura concebida para manter os elefantes afastados das zonas de cultivo cobre 26,4 hectares e beneficia directamente  45 famílias. A segunda vedação foi finalizada na comunidade de Macacate, abrangendo 31,6 hectares e beneficiando 23 famílias. Estas são as primeiras de 24 vedações previstas para esta área, onde se espera beneficiar mais de 500 famílias.

Complementarmente, já foram encoleirados 12 elefantes, passando a ser monitorados em tempo real através da plataforma EarthRanger, contribuindo para a prevenção de conflitos e melhorando a eficácia na resposta a incidentes.

Estas intervenções, para além de reduzirem os conflitos entre as comunidades e os elefantes, irão fortalecer as comunidades agrícolas, aumentar a segurança alimentar e promover um ambiente favorável ao diálogo sobre conservação.

Clique aqui e veja o vídeo que destaca as iniciativas da MWA nas comunidades.

Da Conferência da Biodiversidade Marinha aos Palcos Internacionais: a Jornada Científica de Tomás Tito

A Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM), liderada pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), tem vindo a consolidar-se como uma verdadeira plataforma de impulso à investigação científica e à participação da juventude na conservação dos recursos marinhos. Um dos exemplos inspiradores deste impacto é a história de Tomás Tito, estudante de Agroeconomia e Extensão Rural na Universidade Eduardo Mondlane, que transformou uma simples ideia nascida em sala de aula numa pesquisa de destaque internacional.

A sua jornada começou na 2ª edição da CBM, organizada pela BIOFUND em colaboração com vários parceiros, onde apresentou o estudo sobre “Educação Ambiental nos Ecossistemas Marinhos: Pesca Artesanal”. A pesquisa, ainda em fase inicial, analisava práticas de exploração pesqueira na Baía de Costa do Sol, em Maputo, e revelou que a pesca artesanal registou um crescimento até 2018, seguido de um declínio acentuado e uma recuperação moderada até 2022. Apesar das oscilações, observou-se um aumento contínuo na quantidade de captura para a maioria das espécies, com destaque para métodos mais sustentáveis como o emalhe e a linha de mão.

A apresentação despertou o interesse do Museus do Mar e da Administração Nacional das Pescas, que prontamente ofereceram apoio técnico e logístico para a continuação e aprofundamento da pesquisa. Com esta colaboração, Tomás reestruturou o estudo e submeteu uma nova versão à 3ª edição da Conferência da Biodiversidade Marinha realizada na Cidade da Beira, em Setembro de 2025, desta vez com foco nos centros de pesca da Costa do Sol (Maputo) e da Macaneta (em Marracuene). O trabalho foi novamente aprovado e apresentado, desta vez com resultados mais robustos e dados concretos sobre a influência da educação ambiental na adopção de práticas sustentáveis.

A pesquisa revelou que as artes de pesca mais utilizadas nos dois centros são a rede de arrasto, e o emalhe. Em relação à perceção dos pescadores sobre práticas sustentáveis, 25% identificaram o uso de malhas adequadas como uma medida positiva, enquanto 17% apontaram a redução da frequência de idas ao mar e 11% destacaram o cumprimento dos períodos de veda. A partilha de informação nas comunidades pesqueiras mostrou-se predominantemente horizontal, com o presidente do Comité de Co-gestão de Pescas (CCP) a ser a principal fonte de informação para pescadores, seguido por amigos pescadores (13%) e a administração marítima (10%). A análise estatística indicou que o tempo de experiência na pesca e a participação activa nos CCPs influenciam significativamente a adoção de prácticas sustentáveis.

O reconhecimento do trabalho de Tomás ultrapassou fronteiras. A sua pesquisa foi seleccionada para o Simpósio da WIOMSA, o maior fórum de ciências marinhas da África Ocidental, realizado em Mombasa, no Quénia. Lá, o jovem investigador apresentou o seu estudo na sessão de pósteres, conquistando visibilidade internacional e estabelecendo contactos com especialistas de toda a região.

Esta é uma história inspiradora que demonstra como a Conferência da Biodiversidade Marinha se afirma como uma verdadeira plataforma de lançamento para jovens investigadores, conectando ideias locais a oportunidades globais. A trajetória de Tomás Tito é um testemunho do poder transformador da juventude e da ciência na construção de um futuro mais sustentável para os nossos oceanos.

Conservação Integrada, Desenvolvimento Comunitário e Preparação para um Futuro Resiliente

Coutada 11 do Complexo de Marromeu: Onde os leões voltaram a rugir

Há três décadas, a paisagem da Coutada 11 enfrentava um cenário crítico, a caça furtiva e o declínio das populações de fauna e a degradação dos habitats ameaçavam transformar este ecossistema único do Delta do Zambeze num território silencioso e frágil. Hoje, esse silêncio quebrou-se. Ouve-se novamente o rugido dos leões.

A Zambeze Delta Safaris (ZDS), que gere a coutada há mais de três décadas, lidera um dos exemplos mais bem-sucedidos de recuperação da fauna em Moçambique. O último censo aéreo de 2024 confirmou o que já era visível no terreno: populações de grandes mamíferos a crescer, habitats revitalizados e um sistema ecológico que recupera o seu equilíbrio natural.

Mas o renascimento da vida selvagem não se fez apenas com ciência e estratégia; fez-se também com pessoas. A ZDS investiu na construção de escolas, criou um centro de saúde e impulsionou actividades económicas locais, incluindo agricultura e produção de mel, que hoje geram rendimentos reais para as comunidades vizinhas.

O regresso dos leões e das chitas, reintroduzidos com rigor científico, é apenas a face mais visível de uma história maior: a de uma coutada que se transformou num farol de esperança para a conservação em África, onde a natureza, a ciência e as comunidades avançam lado a lado.

A Coutada 11 tornou-se, assim, um exemplo de como a ciência, a gestão responsável e o envolvimento das comunidades podem transformar uma área ameaçada num caso de sucesso continental. Esta visão integrada será ainda fortalecida nos próximos anos com o início do Projecto de Meios de Vida Costeiros e Resiliência Climática (CLCR), financiado pela Millennium Challenge Corporation (MCC) e gerido pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade – BIOFUND, previsto para 2026, que irá impulsionar iniciativas sociais e ecológicas em toda a paisagem de Marromeu.

PLCM prepara nova fase para Impulsionar a Transformação do Sector da Conservação em Moçambique

Mais oportunidades para jovens moçambicanos se capacitarem na conservação da natureza e uma aposta reforçada na Educação Ambiental marcam a nova fase do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), apresentada na 9.ª sessão do Comité Directivo, realizada a 27 de Novembro, na cidade de Maputo.

Promovido pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), o encontro juntou cerca de 21 participantes, entre representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Área de Protecção Ambiental de Maputo (APA-Maputo), UNIZAMBEZE, Parque Nacional da Gorongosa, Banco Mundial, Embaixada da Suécia e outros parceiros estratégicos. O objectivo central foi discutir os resultados  alcançados nos últimos 11 meses e alinhar a nova abordagem do PLCM para o período 2026-2030.

Ao apresentar o balanço do programa, Luís Bernardo Honwana destacou a avaliação positiva do PLCM, em particular na componente de estágios pré-profissionais, e sublinhou a importância de tratar o programa como uma das iniciativas estruturantes da BIOFUND, de forma a garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.

Desde a última reunião do Comité Directivo, realizada em Setembro de 2024, o programa registou avanços substanciais. Na componente I, foram realizados intercâmbios profissionais entre diferentes Áreas de Conservação, promovendo a partilha de experiências entre equipas no terreno. Na componente II, cerca de 56 novos estagiários foram colocados em vários centros de estágio, com foco nas Áreas de Conservação, e 19  jovens depois de concluírem os seus estágios (de anos anteriores), foram contratados nas equipas de diversas instituições do sector de conservação e outros.

Um dos aspectos discutidos foi a necessidade de melhorar os mecanismos de divulgação e partilha de informação, uma vez que quase 50% das candidaturas ao programa continuam a concentrar-se na Província e Cidade de Maputo, enquanto a Província de Niassa apresenta um número muito reduzido de candidatos. Por outro lado, na Reserva Especial do Niassa (REN), cerca de 45 jovens de comunidades locais, participaram em cursos de curta duração e receberam kits de empreendedorismo, abrindo novas oportunidades de geração de rendimento ligado à conservação.

A nova abordagem do PLCM manterá as três componentes existentes, mas passando a componente I a ser implementada directamente pela ANAC. Entre as melhorias já em curso, destaca-se o modelo de indução imersiva 100% presencial, realizado no Parque Nacional de Maputo em Abril de 2025, que ofereceu aos estagiários uma primeira experiência prática nas Áreas de Conservação. Foi igualmente criada uma indução específica para supervisores, reforçando o acompanhamento técnico, pedagógico e logístico no terreno.

Esta nova fase será mais orientada para a Educação Ambiental e para a cidadania ambiental, com metas como a criação de uma Academia Nacional de Conservação, a dinamização da rede Alumni de jovens na conservação, o reforço do apoio pós-estágio e a consolidação de iniciativas de educação para a cidadania ambiental junto de diferentes públicos. Um dos grandes desafios discutidos, é a necessidade de haver um maior compromisso do governo, de garantir empregabilidade dos profissionais que vão sendo capacitados através deste e outros programas de conservação, para que se usufrua deste investimento da melhor forma.

Segundo Alexandra Jorge, Directora de Programas da BIOFUND,

“este comité foi um espaço fundamental para, em conjunto com diferentes intervenientes, trazer contributos que permitam melhorar a estruturação deste novo conceito, capitalizando os pontos fortes e solucionando fragilidades”.

As recomendações do Comité Directivo irão agora guiar os próximos passos para a implementação da nova fase do PLCM, com a ambição de chegar a mais jovens e mais Áreas de Conservação em todo o país.

Transformar Desafios em Soluções: Uma Jornada de Inovação e Esperança

Osbone Maquival, jovem formado em ciências matemáticas, estagiário da 7ª edição do Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), é um exemplo inspirador de como a juventude moçambicana está a transformar desafios em soluções concretas para a ação climática. Financiado pela Embaixada da Suécia e Banco Mundial e implementado pela Fundação para Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), o PLCM oferece a jovens recém-formados uma experiência imersiva no sector de conservação, promovendo competências técnicas, liderança comunitária e inovação ambiental.

Alocado no Parque Nacional de Chimanimani (PNC), Osbone foi designado para o sector de monitoria e avaliação. O sector estava ainda em formação, no sector, no entanto em vez de recuar, avançou para além das funções: levou a conservação à Escola Secundária Geral de Sussundenga, mobilizando estudantes para reciclagem, sensibilização sobre biodiversidade e acção comunitária. Da sala de conservação à comunidade, a mudança começou a ganhar corpo.

A sua dedicação culminou na participação no Climate Action Innovation Hub, durante a African Climate Summit 2 (ACS2), em Adis Abeba, Etiópia. Lá, Osbone apresentou uma solução inovadora baseada em inteligência artificial e imagens de satélite Sentinel-1, utilizando Deep Learning para mapear cheias e desenvolver sistemas de alerta precoce. Esta tecnologia visa mitigar os impactos dos ciclones em Moçambique, protegendo comunidades vulneráveis e apoiando políticas de gestão integrada de recursos hídricos.

Esta jornada espelha os princípios do PLCM: liderança jovem, resiliência, educação para cidadania ambiental e compromisso com a adaptação climática.

A sua história é um testemunho poderoso de que, mesmo em contextos desafiadores, é possível inovar, inspirar e contribuir para os objetivos regionais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O PLCM continua a ser uma plataforma essencial para revelar e fortalecer talentos como Osbone, que estão a construir pontes entre ciência, comunidade e ação climática.

Se esta história te inspira, partilha e acompanha o PLCM/BIOFUND para mais pontes entre ciência, comunidade e acção climática.

Do ‘spoiler’ ao game changer: a viagem da Sofia com o PLCM

Quando recorda o seu percurso, a Sofia Nhalungo é categórica: “tenho o privilégio de actualmente estar a trabalhar e sentir-me bióloga de conservação… e tudo é em parte graças ao PLCM, que foi o meu ponto de partida da minha carreira.” Essa afirmação resume o impacto de um programa que transforma jovens licenciados e técnicos médios em profissionais com voz e lugar nas instituições mais relevantes da conservação em Moçambique.

Em 2019, ainda à procura de uma oportunidade real, a Sofia recebeu um aviso que soou a promessa: “foi meio que um spoiler (Spoiler é uma palavra em inglês que quer dizer “contar antes do tempo”. Imagina que te contam o final de um filme antes de o veres: a surpresa fica estragada. Aqui significa que a Sofia recebeu uma dica do que ia acontecer em breve (abrirem candidaturas))… daqui a nada vamos lançar candidaturas, oportunidades para estágios. Vai lá para casa, fica atento às nossas plataformas.” Não sabia ainda que se chamaria Programa de Liderança para a Conservação de Moçambique (PLCM), mas percebia que aquele poderia ser o ponto de viragem. Candidatou-se, foi seleccionada e, pouco depois foi alocada na Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC): a teoria ganhou prática com botas no chão, poeira no ar e rumo certo.

Na ANAC ficou claro que aquele não seria um estágio passivo: “Fomos recebidos como mão de obra, não como aqueles estagiários típicos que só vêm para observar.” A Sofia mergulhou no licenciamento da caça desportiva e teve a oportunidade de ser parte do grupo pioneiro no uso do novo sistema digital. “Tive a oportunidade de ser das primeiras a usar esse sistema de licenciamento electrónico…” A modernização tornou o processo mais rápido e fiável, e o desempenho da Sofia garantiu a prorrogação do estágio para doze meses. O que começou como algo temporário, transformou-se numa base sólida para o futuro.

Seguiu-se  Niassa, ao mesmo tempo que crescia profissionalmente, e ingressava num mestrado também apoiado pelo PLCM e investigava o impacto da caça desportiva no comportamento das impalas. “Encontrei que há um efeito da caça desportiva: nas áreas de caça, os animais mostram mais a reação de medo à presença humana… esse medo eu medi em função da distância de fuga.” A pesquisa pioneira traduz-se em dados úteis para decisões de gestão. A Sofia resume o significado: “O PLCM foi o ‘game changer’ para mim na minha carreira profissional.

A rede de contactos e o networking do PLCM abriram portas. Hoje, integra a equipa do Parque Nacional da Gorongosa, onde acompanha monitorias com cameras traps e aprofunda a ligação à natureza. “É um trabalho mais dinâmico. Estou em mais conexão com a natureza e terei também mais oportunidade de desenvolver pesquisas…” O fio que começou no spoiler de 2019 transformou-se numa história de competência consolidada.

Este efeito multiplica-se: a Sofia aconselha jovens candidatos, responde a dúvidas e inspira confiança. “Vale a pena apostar no PLCM… o mais importante de tudo é fazer networking e mostrar o seu valor.” O programa é um trampolim que liga universidades, áreas de conservação e entidades públicas e privadas, criando oportunidades reais para a primeira investigação, o primeiro contrato, o primeiro mentor. E é também uma engrenagem estrutural: ao formar quadros e apoiar instituições, o PLCM reforça directamente a capacidade do país em proteger os seus ecossistemas, gerir espécies e implementar políticas de conservação.

E os números confirmam: entre 2019 e 2025, o PLCM financiou subvenções de pesquisa, integrou centenas de jovens em estágios e levou educação ambiental a dezenas de milhares de pessoas. Para 2025–2030, o PLCM gostaria de escalar: criar uma Academia Nacional de Conservação, capacitar 500 técnicos, integrar≥500 jovens (40% mulheres), dinamizar 300 clubes ambientais e realizar pelo menos 6 campanhas de comunicação nacionais

A história da Sofia mostra o que o PLCM representa: um spoiler transformado em carreira, um estágio transformado em serviço público, uma pergunta científica transformada em ferramenta de gestão. Para os jovens, a mensagem é clara: candidatem-se, preparem-se e mostrem o vosso valor. Para os financiadores, a equação é simples: investir no PLCM é apostar em resultados concretos na inclusão de talento local, na eficácia das instituições, e sobretudo, na protecção viva da biodiversidade moçambicana.

O PLCM é um programa conjunto da BIOFUND e da ANAC. À BIOFUND, como líder do programa cabe-lhe a responsabilidade de mobilizar, formar e inspirar jovens, através de bolsas, estágios e programas de cidadania ambiental, à ANAC, como autoridade nacional, compete enquadrar estes jovens nas áreas de conservação, garantir supervisão técnica e transformar o seu contributo em valor efectivo para a gestão. É desta colaboração que resulta a força do programa: um elo de confiança que une sociedade civil e governo, com impacto directo na conservação da biodiversidade.

O programa teve o seu arranque em 2019 com o financiamento exclusivo do Banco Mundial e, desde 2023, também com o apoio financeiro adicional da Embaixada da Suécia em Moçambique, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA).